PROFESSOR CARAMURU👆
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PLANO DE AULA
1. INTRODUÇÃO
Nessa lição, veremos o encontro e a reconciliação de Jacó com seu irmão Esaú. Jacó enganou seu irmão, mas depois foi ludibriado por seu sogro. O tempo de preparo na vida de Jacó, na casa de seu tio e sogro, havia terminado. Sua saída de Harã foi por direção de Deus (Gn 31.3,13). Desse modo, Jacó empreendeu uma fuga com sua família, e logo foi perseguido pelo sogro. Contudo, este não pôde lhe fazer mal, porque Deus lhe determinou que não lhe falasse “nem bem nem mal” (Gn 31.24). No entanto, Jacó ainda teria que se acertar com seu irmão.
2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A) Objetivos da Lição: I) Explicar que Jacó e Esaú tinham sérios conflitos; II) Mostrar o encontro de Jacó e Esaú; III) Saber que, depois do encontro com seu irmão, Jacó segue seu caminho.B) Motivação: Tudo indica que havia certa rivalidade entre Esaú e Jacó, resultado da predileção de seus pais. O relacionamento deles parecia não ser o dos melhores, mas tudo piorou depois que Jacó enganou seu pai, mentiu e tomou a bênção no lugar do seu irmão. Isso só agravou o relacionamento entre os irmãos; no entanto, a distância entre os irmãos, o tempo e a ação de Deus no coração deles, fez com que houvesse arrependimento, perdão e reconciliação.Livro sobre PerdãoC) Sugestão de Método: Nesta lição, estudaremos o encontro de Esaú e seu irmão Jacó. Eles tiveram um relacionamento difícil que muito tem a nos ensinar a respeito da prática do perdão. Infelizmente, muitos crentes não perdoam com facilidade os agravos recebidos. Por isso, aproveite a temática da lição para tratar a respeito do assunto. Sabemos que o perdão envolve um ofensor e um ofendido: aquele que cometeu a ofensa e aquele que sofreu a ofensa. Portanto, oriente os alunos a respeito do valor do perdão como mandamento divino e como um fator decisivo para a saúde mental e dos relacionamentos.
3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A) Aplicação: Depois de fazer toda a exposição dos tópicos da Lição, aplique as verdades estudadas, mostrando que é um dever do crente o perdão e a reconciliação, em especial no âmbito familiar.
4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 105, p.42, você encontrará um subsídio especial para esta lição.B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “Perdão”, localizado depois do segundo tópico, ajuda a compreender a necessidade e a importância do perdão; 2) O texto “Tirai os deuses estranhos que há no meio de vós”, localizado depois do terceiro tópico, ajuda a compreender a idolatria na casa de Labão e Jacó.AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
“PERDÃO
Biblicamente falando, perdoar é menos uma mudança de sentimentos (emoções) e mais uma restauração real de um relacionamento. Trata-se de reparar um dano, processo que é geralmente caro e doloroso.O perdão expressa o caráter do Deus misericordioso, que perdoa avidamente os pecadores que confessam os seus pecados, arrependem-se das suas transgressões e expressam isso por meio de ações apropriadas. O perdão nunca é questão de direito humano; é exclusivamente uma expressão graciosa do cuidado amoroso de Deus. A necessidade humana de perdão decorre de ações decorrentes da sua natureza decaída. Essas ações (ou não ações), feitas deliberadamente ou por coincidência, destroem a relação das pessoas com Deus, a qual só pode ser restaurada pela misericórdia perdoadora de Deus (Ef 2.1).Biografia de JacóDurante a aliança mosaica, o pecado colocou os ofensores sob a ira de Deus entre os ímpios. O resgate desse destino poderia ser obtido somente pelo perdão de Deus, que era obtido por meio do arrependimento e do sacrifício. Embora o sacrifício fosse necessário para expressar o verdadeiro arrependimento, é um erro considerá-lo um pagamento que poderia comprar o perdão de Deus (1Sm 15.22; Pv 21.3; Ec 5.1; Os 6.6). O perdão de Deus continua sendo o seu dom gratuito e imerecido.Ainda que o sistema sacrificial tenha sido abolido, ou melhor, completado por meio de Cristo (Hb 10.12), o ensino do NT continua a reconhecer as condições para o perdão. Visto que o perdão restaura o relacionamento, o ofensor permanece envolvido e deve desejar a restauração (Lc 13.3; 24.47; At 2.38). Deus não concede o seu perdão sem considerar a parte infratora.” (Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: 2023, p.389).AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
“TIRAI OS DEUSES ESTRANHOS QUE HÁ NO MEIO DE VÓS
Depois dos terríveis acontecimentos do capítulo 34, Deus disse a Jacó que conduzisse sua família a Betel, onde deveriam ter ficado desde o princípio. A essa altura, Jacó percebeu quanto sua família havia decaído espiritualmente, por isso insistiu com todos de sua casa: ‘[...] Tirai os deuses estranhos que há no meio de vós’. Esta renovação espiritual da família de Jacó incluiu: 1) remover da casa tudo o que fosse uma ofensa a Deus (v.2); 2) comprometer-se com a santidade pessoal (v.2); 3) renovar os compromissos com Deus por meio da adoração fiel e verdadeira (v.7; 28.20-22); 4) ter comunhão com Deus (v.9); e 5) viver em conformidade com a Palavra de Deus (vv.10-15) e em sacrifício espiritual (v.14). O comprometimento renovado de Jacó lhe permitiu vivenciar mais uma vez a presença, a proteção, a revelação e a bênção de Deus (v.5,9-13).” (Bíblia de Estudo Pentecostal para Jovens. Rio de Janeiro: CPAD).
Lição 
– A Reconciliação de Jacó com Esaú - Classe dos Adultos
A introdução nos coloca diante de um dos momentos mais tensos e, paradoxalmente, mais sublimes da narrativa patriarcal. O encontro entre Jacó e Esaú é o desfecho de uma "novela" de vinte anos alimentada por ressentimento, fuga e medo. O que o mundo esperava era um campo de batalha; o que Deus providenciou foi um altar de reconciliação.
O "inesperado" mencionado no texto não foi fruto do acaso, mas da intervenção direta de Deus no coração dos dois homens. Enquanto Jacó era transformado em Peniel, perdendo sua astúcia para ganhar a bênção, Esaú era trabalhado pelo Espírito para perder sua mágoa e ganhar um irmão. A cena do abraço e do beijo quebra o ciclo vicioso de "olho por olho" e estabelece a Graça como a única força capaz de reescrever um passado de erros. A tragédia foi evitada porque a oração de Jacó encontrou a soberania de Deus, provando que não há conflito humano que resista ao toque do Criador.
•O Medo vs. a Providência: O coração temeroso de Jacó é a reação natural de quem conhece suas falhas. Contudo, a Bíblia nos mostra que a providência divina é maior do que as nossas dívidas passadas.
•A Iniciativa de Esaú:
Note que é Esaú quem corre ao encontro, abraça e beija.
Isso nos ensina que, às vezes, aquele de quem mais tememos o julgamento é quem Deus escolheu para nos estender o perdão.
•A Reconciliação como Exemplo:
O texto destaca que este episódio é um modelo para nós.
O perdão não é um sentimento, mas uma decisão de valor que interrompe a tragédia e restaura a comunhão.
•O Fim da Ansiedade:
A ansiedade de Jacó só terminou quando ele se apresentou diante do irmão com humildade.
A reconciliação traz uma paz que nenhum "plano de fuga" poderia proporcionar.
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Pr. Elso Rodrigues👇
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LIÇÃO Nº 12 – A RECONCILIAÇÃO DE JACÓ COM ESAÚ
INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos sobre a preparação de Jacó para o seu reencontro com Esaú; pontuaremos sobre a postura de Jacó diante do seu irmão; e por fim, destacaremos a reação de Esaú ao encontra-se com Jacó e veremos as lições para a igreja diante do ato da reconciliação entre esses dois irmãos.
I – A PREPARAÇÃO DE JACÓ PARA O REENCONTRO
1.1 O local do despertamento de Jacó. Após os anjos de Deus encontrarem Jacó e serem vistos por ele (Gn 32.1,2), é dado aquele lugar o nome de Maanaim que significa “dois acampamentos”, que segundo Wycliffe (2007, p.1190): “provavelmente ficava ao sul de Jaboque, um pouco ao sul da fronteira entre Gade e Manassés (Js 13.26,30; 21.38), a muitos quilômetros ao sul de Peniel (Gn 32.22,31), em Tell el-Hajjaj, a uma altitude em que se podia avistar o vale do Jordão”. Foi ali que Jacó decidiu tomar uma importante atitude: ir em busca da reconciliação com seu irmão Esaú.
1.2 A iniciativa de Jacó. Jacó decide reatar os laços com o seu irmão Esaú, laços esses que foram rompidos quando do ato da ministração da bênção da primogenitura por parte do seu pai Isaque (Gn 27.41-45). Jacó então toma a iniciativa de enviar mensageiro diante da face de Esaú, de forma a preparar o terreno para um reencontro: E enviou Jacó mensageiros diante da sua face a Esaú, seu irmão, à terra de Seir, território de Edom. E ordenou-lhes, dizendo: Assim direis a meu senhor Esaú: Assim diz Jacó, teu servo: Como peregrino morei com Labão e me detive lá até agora. E tenho bois, e jumentos, e ovelhas, e servos, e servas; e enviei para o anunciar a meu senhor, para que ache graça a teus olhos (Gn 32.3-5). A intenção de Jacó era buscar a paz. Essa deve ser a atitude de todo servo de Deus (Sl 34.14; Mt 5.9; Rm 12.18; Hb 12.14)
1.3 A estratégia preventiva de Jacó. Os mensageiros enviados por Jacó trouxeram a seguinte informação: “Fomos a teu irmão Esaú; e também ele vem a encontrar-te, e quatrocentos varões com ele” (Gn 32.6). Tal notícia deixou Jacó inquieto e com medo: “Então, Jacó temeu muito e angustiou-se” (Gn 32.7). De acordo com Beacon (2015, p. 96), o medo invadiu o coração de Jacó e ele imediatamente tomou medidas defensivas. Isso fez com que Jacó tomasse a seguinte decisão: “[...] repartiu em dois bandos o povo que com ele estava, e as ovelhas, e as vacas, e os camelos. Porque dizia: Se Esaú vier a um bando e o ferir, o outro bando escapará” (Gn 32.7,8). Foi uma decisão tomada dentro da perspectiva de planejamento humano. Devemos sempre planejar (Gn 41.33-36; Ne 2.11-18; Pv 21.5; Lc 14.28-30), mas confiando em Deus e submetendo a Ele os nossos planos e projetos (Pv 16.3).
1.4 A oração de súplica. Mesmo tendo tomado a decisão de dividir em dois bandos o povo que com ele estava, Jacó fez algo ainda mais importante, ele buscou socorro em Deus: “Disse mais Jacó: Deus de meu pai Abraão e Deus de meu pai Isaque, ó Senhor, que me disseste: Torna à tua terra e à tua parentela, e far-te-ei bem; menor sou eu que todas as beneficências e que toda a fidelidade que tiveste com teu servo; porque com meu cajado passei este Jordão e, agora, me tornei em dois bandos. Livra-me, peço-te, da mão de meu irmão, da mão de Esaú, porque o temo, para que porventura não venha e me fira e a mãe com os filhos” (Gn 32.9-11). Aquele que serve ao Senhor deve buscar refúgio nEle em tempos de perigo (Sl 11.1; Sl 46.1; Sl 57.1; Sl 91.1,2; Pv 18.10).
1.5 O presente como propiciação. Após a oração, Jacó tomou um presente para o seu irmão Esaú (Gn 32.13). Ele separou: “duzentas cabras e vinte bodes; duzentas ovelhas e vinte carneiros; trinta camelas de leite com suas crias, quarenta vacas e dez novilhos; vinte jumentas e dez jumentinhos. E deu-o na mão dos seus servos, cada rebanho à parte [...]” (Gn 32.1416). Jacó então deu ordem aos bandos para que quando Esaú os encontrasse e perguntasse “De quem és, para onde vais, de quem são estes diante da tua face?” (Gn 32.17), eles deveriam responder: “São de teu servo Jacó, presente que envia a meu senhor, a Esaú; e eis que ele mesmo vem também atrás de nós” (Gn 32.18). Jacó assim procedeu “porque dizia: Eu o aplacarei com o presente que vai diante de mim e, depois, verei a sua face; porventura aceitará a minha face” (Gn 32.20). Podemos atentar para o princípio de que o “presente dado em segredo acalma a ira” (Pv 21.14); o presente “abre portas” (Pv 18.16); o presente “apazigua a ofensa” (Pv 17.8).
II – A POSTURA DE JACÓ DIANTE DE ESAÚ
2.1 O ânimo de Jacó. “E levantou Jacó os olhos e olhou, e eis que vinha Esaú, e quatrocentos homens com ele” (Gn 33.1). De acordo com Henry (2008, pp. 166,167): “Jacó percebeu a aproximação de Esaú. Alguns acham que seu levantar de olhos denota sua alegria e sua confiança, em contraste com um semblante abatido. Tendo submetido o seu caso a Deus através da oração, ele seguiu o seu caminho, e o seu semblante já não era mais triste. Note que aqueles que entregaram as suas preocupações a Deus podem olhar para o que os espera com satisfação e paz de espírito, aguardando alegremente o resultado, seja ele qual for. Venha o que vier, nada pode dar errado para aquele cujo coração está firme e confiante em Deus”.
2.2 A disposição da família de Jacó. Ao avistar Esaú, Jacó dispõe sua família de forma estratégica (Gn 33.1,2). Jacó colocou as servas e seus filhos na frente, depois Leia e seus filhos, e Raquel com José por último (Gn 33.1,2). Ele ainda não estava certo das intenções do irmão e por isso fez esse rearranjo da família. Segundo Beacon (2006, p. 98), esta ordem indica algo do valor relativo que ele dispensava aos membros de sua família. Não podemos deixar de observar que havia uma predileção por parte de Jacó. Em momentos de crise, a natureza humana revela suas prioridades. Esaú é um próprio exemplo disso. Na fome momentânea, ele trocou o seu direito de primogenitura por comida (Gn 25.29–34). Nesse caso, a necessidade imediata expôs sua prioridade: a satisfação presente acima da herança espiritual.
2.3 A coragem de ir adiante. Após dispor de forma estratégica a sua família, a Bíblia diz em Gênesis 33.3 que Jacó “passou adiante deles”, indicando que ele estava tomando a iniciativa em ir ao encontro de Esaú, demonstrando a sua coragem de enfrentar a situação tensa entre eles. A reconciliação exige, muitas vezes, da parte que errou, a iniciativa de se aproximar (Mt 5.23,24). Quando Tiago diz que devemos confessar as vossas culpas uns aos outros (Tg 5.16), aqui estão implícitas duas questões: (1) o ato de reconhecer o erro; (2) atitude de se aproximar do outro.
2.4 A reverência de Jacó diante de Esaú. Ao passar adiante dos seus familiares, Jacó “inclinou-se à terra sete vezes, até que chegou a seu irmão” (Gn 33.3). A expressão “inclinou-se” (hb. shachah) refere-se a prostar-se, ajoelhar-se, indicando um ato de humilhação e respeito. Aqui Jacó se prostra sete vezes (no contexto bíblico, geralmente simboliza totalidade, plenitude), o que ilustra sua reverência, assim como demonstra um profundo respeito (Gn 23.7; Gn 42.6; 1Sm 24.8) e um desejo de reconciliação plena. Segundo Henry (2008, p. 167), “a maneira de restabelecer a paz onde ela foi quebrada é cumprir o nosso dever, e apresentar os nossos cumprimentos, em todas as ocasiões, como se ela nunca tivesse sido rompida”.
III – A REAÇÃO DE ESAÚ E AS LIÇÕES PARA A IGREJA
3.1 A reação de Esaú. Para o pastor Elinaldo Renovato (2026, p. 142), “o coração de Jacó batia acelerado. Na mente dele, talvez tenha tido sentimentos de medo e de profunda preocupação. Provavelmente, ele esperava ver no rosto de Esaú um semblante frio, expressando ira e olhar de vingança para com o irmão que o enganara várias vezes. Mas diferentemente do que ele imaginava, a Bíblia diz que “Esaú correu-lhe ao encontro e abraçou-o; e lançou-se sobre o seu pescoço e beijou-o; e choraram” (Gn 33.4). Esta atitude de Esaú revela não apenas perdão, mas desejo genuíno de reencontro. Um homem irado não corre ao encontro de seu ofensor. O abraço quebrou vinte anos de silêncio e inimizade. O choro conjunto dissolveu a mágoa do passado.
3.2 Lições para a igreja. Na reconciliação de Jacó e Esaú podemos extrair algumas lições para a igreja do Senhor Jesus:
• O perdão verdadeiro vence a memória do passado (Gn 50.17; Ef 4.32);
• Perdoar reflete o caráter de Deus (2Co 5.18;19; Cl 3.13);
• Reconciliação envolve, quando possível, reparação de danos (Gn 33.11;Lc 19.11);
• A reconciliação não ignora responsabilidades (Tg 2.17; Mt 3.8);
• Na reconciliação há verdade (Sl 119.29; Pv 8.7; Ef 4.25);
• O arrependimento genuíno produz frutos (Mt 3.8);
• A reconciliação produz adoração (Gn 33.20);
• Cristo é o modelo supremo de reconciliação (Ef 2.14; Cl 1.20). 3.3 A reconciliação produz restauração da comunhão. O reencontro entre Jacó e Esaú não resultou apenas no encerramento de um conflito antigo, mas promoveu a restauração da comunhão entre dois irmãos que permaneceram separados por muitos anos. O texto bíblico mostra que o perdão de Esaú e a atitude humilde de Jacó permitiram que uma história marcada por engano, medo e ressentimento fosse substituída por um relacionamento restaurado (Gn 33.4). A reconciliação verdadeira possui esse poder: ela remove barreiras, cura feridas e aproxima novamente aqueles que estavam separados. Da mesma forma, a Igreja é chamada a preservar e cultivar a unidade do corpo de Cristo, pois a comunhão é uma das evidências da atuação divina entre os seus filhos (Sl 133.1; Jo 17.21; Ef 4.3). Onde existe reconciliação genuína, a paz substitui a divisão, o amor vence a amargura e a graça de Deus se manifesta de forma visível no meio do seu povo.
CONCLUSÃO
A reconciliação de Jacó com Esaú é um monumento à graça de Deus, que transforma corações, desarma inimigos e restaura relacionamentos impossíveis. Ela nos ensina que a humildade, a iniciativa de buscar a paz e o reconhecimento da graça divina são os caminhos para restaurar a comunhão quebrada. Que possamos, como a igreja do Senhor Jesus, sermos como Jacó, que aproximou-se com humildade e, como Esaú, que recebeu o seu irmão com um perdão.
COMENTARISTA CPAD👇
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LIÇÃO Nº 12 – A RECONCILIAÇÃO DE JACÓ COM ESAÚ
A reconciliação com Esaú mas a diferente destinação de cada qual consolida a condição de Jacó como o herdeiro da promessa feita a Abraão.
INTRODUÇÃO
- Na sequência do estudo do legado dos patriarcas, estudaremos o estabelecimento de Jacó na terra de Canaã.
- A reconciliação com Esaú mas a diferente destinação de cada qual consolida a condição de Jacó como o herdeiro da promessa feita a Abraão.
I – A RECONCILIAÇÃO DE JACÓ COM ESAÚ
- Jacó havia sido transformado. Prova disso é que Deus lhe mudou o nome de Jacó, que significava “suplantador” para “Israel”, “aquele que luta com Deus e prevalece”.
- Agora manquejando ao longo do caminho, já que fora tocado na coxa, Jacó atravessa o vau e Jaboque e vai ao encontro do irmão Esaú.
- Havia passado a noite em claro em luta com o anjo mas Esaú não havia ainda chegado. A luta com Deus não havia sido, em absoluto, desperdício de tempo. Jacó teve o tempo necessário para render-se ao Senhor, para admitir quem era e para aceitar ser mudado.
- Sempre é tempo para nos arrependermos de nossos pecados e desfrutarmos da salvação na pessoa de Cristo Jesus. O tempo da salvação é “hoje”, ou seja, “este dia”.
- “Hoje” é o “tempo aceitável, o dia da salvação” (II Co.6:2). Nunca nos esqueçamos disto, máxime nós que estamos a viver a dispensação da graça, “o ano aceitável do Senhor” (Is.61:2; Lc.4:19), que caminha celeremente para o seu encerramento.
- O “ano aceitável do Senhor” inicia-se com a celebração da páscoa, no primeiro mês, e termina com a celebração da “festa dos tabernáculos”, no sétimo mês, as festas originariamente estabelecidas na lei de Moisés.
- Cada uma das festividades estatuídas tem uma correlação com o ministério de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que é quem anuncia este “ano aceitável”: a Páscoa, que fala de Sua morte; a Festa das Primícias, que fala de Sua ressurreição; a Festa de Pentecostes, que fala do derramamento do Espírito Santo; a Festa das Trombetas, que fala do arrebatamento da Igreja; o Dia da Expiação, que fala da conversão de Israel e a Festa dos Tabernáculo, que fala do reino milenial de Cristo.
- Enquanto Jacó cuidava de consolidar sua transformação diante de Deus, o Senhor protegia a sua família, impedindo que Esaú chegasse antes que o próprio patriarca estivesse com eles.
- Jacó levantou seus olhos e pôde ver Esaú juntamente com quatrocentos homens. Demonstrando não ser mais aquele homem que havia ido a Harã e que se notabilizara pela sua precipitação, Jacó cuidadosamente, ao contemplar seu irmão e seus homens, manteve a repartição que já elaborara antes de ter tido a experiência do vau de Jaboque, em dois bandos, repartindo os filhos e mulheres.
- Por primeiro, pôs as servas Bila e Zilpa, com seus respectivos filhos; em seguida, pôs Leia e seus respectivos filhos e, por último, deixou Raquel e seu filho José (Gn.33:2).
- Como verdadeiro pai de família, foi à frente de todos eles, na qualidade de protetor, bem sabendo que o problema com Esaú tinha sido criado única e exclusivamente por ele mesmo, sendo o principal responsável.
- Ao se pôr na frente de todos, pondo sua vida em risco, pronto a morrer pelos seus, Jacó assume não só a postura de verdadeiro pai de família, mas também tipifica a sua posteridade, o Senhor Jesus, que daria a Sua vida em resgate de muitos (Mc.10:45).
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LIÇÃO 12 A RECONCILIAÇÃO DE JACÓ COM ESAÚ.
Os mesmos dilemas são enfrentados pelas famílias, independentemente da época ou da cultura que impera nas sociedades. A trajetória de Jacó e Esaú, por exemplo, mostra que, devido às escolhas erradas dos pais, os filhos aprenderam maus comportamentos que trouxeram dis- sensões na família e mágoas que perduraram por muitos anos. Mas sempre há possibilidade de perdão e reconciliação quando há espaço para Deus operar nos corações. Enquanto Jacó, ainda que temeroso, orava a Deus para reencontrar seu irmão, Deus estava agindo no coração de Esaú para que houvesse perdão e reconciliação. O coração transformado pelo verdadeiro encontro com Deus produz frutos dignos de arrependimento (Mt 3.8
Jacó demonstrou a humildade necessária para reconhecer os danos que havia causado na vida de seu irmão Esaú. A atitude humilde de um coração sincero é necessária para que haja a reconciliação entre irmãos ofendidos. Onde há apenas soberba e espírito de superioridade, acusações e desejo de ser o "dono da razão" não há espaço para Deus operar o perdão. O próprio Senhor Jesus ensinou que "se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão" (Mt 18.15). Observe que o ensino de Jesus aponta para que a parte ofendida procure o ofensor para reconciliação. Para aqueles que são filhos de Deus e almejam fazer a diferença neste mundo tenebroso e sem amor, a busca pela reconciliação é uma prova de maturidade e verdadeira espiritualidade. De outra maneira, o ensinamento do Evangelho aponta que o perdão ao próximo é uma condicionante para alcançar o perdão de Deus (Mt 18.35).
De acordo com a Bíblia de Estudo Pentecostal - Edição Global (CPAD), "nesta instrutiva histórica, Jesus ensina que o perdão de Deus, embora concedido livremente a todos os que confessam o seu pecado e se afastam dele, ainda é condicional, dependendo da disposição que a pessoa apresentar para perdoar outros indivíduos. Isto quer dizer que uma pessoa pode perder o direito ao perdão de Deus, por ter um coração amargurado, ressentido, rancoroso e inclemente (Mt 6.14-15; Hb 12.15; Tg 3.11,14). Veja Efésios 4.31-32, onde Paulo diz que a amargura, o ressentimento, o rancor, a hostilidade e a má vontade são completamente incompatíveis com a fé cristã e devem ser eliminados" (p. 1657). A atitude demonstrada por Jacó após encontrar-se com Deus revela um coração que experimentou uma renovação espiritual. Deus não mudou apenas sua maneira de pensar, mas suas emoções e o desejo de fazer a vontade de Deus. Que Deus opere em nosso interior para que o perdão e a reconciliação sejam atitudes naturais, pois somos filhos de Deus (2Co 5.18-21).
(Ensinador Cristão p42)
(Devocional para a lição 11)Jacó, porém, ficou só; e lutou com ele um homem, até que a alva subiu. E vendo este que não prevalecia contra ele, tocou a juntura de sua coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, lutando com ele. (Gênesis 32:24, 25)Em muitos aspectos, nós estamos "lutando" contra Deus.Essa luta é inútil, pois sempre iremos perder.Deus, no entanto permite, em alguns casos, para provar a nós mesmos a inutilidade de tal batalha.Jacó, o filho de Isaque, lutou com todas suas forças para"andar no seu caminho", fazendo sua vontade, trapaceando a todos, até mesmo seu pai.Há pessoas que, assim como Jacó, andam pelos seus próprios caminhos, alimentando seu EGO e fazendo todas as suas vontades. Para tais, vale até trapacear seus amigos e parentes, para conseguir seus intentos. Mas a verdade, é que chega um momento do grande encontro com Deus no JABOQUE. Sim, há uma luta que travamos às vezes inconscientemente. Essa luta é contra Deus. Até chegar o momento da verdade. Onde Deus nos confronta na solidão do Deserto.
NO GRANDE "MMA, O UFC" de Deus. O homem Achando, em sua arrogância que pode lutar contra o todo-poderoso.Enquanto não DISCERNIMOS contra quem é que estamos lutando, continuaremos perdedores. Pois afinal, o anjo do Senhor estava ali para ABENÇOAR JACÓ e este, sem entender estava lutando CONTRA O ABENÇOADOR.
Até que Deus "quebra" o homem tocando-lhe a conjuntura da coxa que se desloca. O que faz Jacó? Ele se agarra no homem (provavelmente em sua coxa, uma especie de single leg)."A luta mudou de perspectiva pois agora o Jacó enganador se ENTREGA incondicionalmente a Deus agarrando-se a Este.Assim como Jacó, a nossa trajetória é muitas vezes, permeada de altos e baixos. Nossos problemas com Deus, em sua maioria vêm em decorrência do desconhecimento que temos dEle. Tal ignorância gera ruídos no relacionamento com o Senhor. Frequentemente nossa vontade vai na direção contrária ao que Deus quer para nós então, o resultado disso é essa resistência que temos em relação a Deus. E por isso "lutamos com Deus".
Até Ele tocar em nossa resistência para quebrar nosso orgulho e presunção. Se isso te acontecer, aguente firme pois vai doer um pouco, porém será terapêutico e Deus estará tratando com sua alma. Não tente resistir, o aguilhão pode entrar mais profundo e a dor ser ainda maior.Muitos não entendem, que enquanto estivermos lutando “contra Deus” não podemos ser abençoados” É quando nos entregamos completamente a DEUS que as coisas mudam em nossa vida. Ele "quebra" nosso "ANDAR CARNAL" para que "andemos no Espírito" e não mais na CARNE.Foi quando Paulo ficou Cego no caminho de Damasco queele passou a enxergar melhor quem era JESUS. Antes, ele lutava contra Jesus, perseguindo os cristãos e assim, o próprio cristo.Portanto, desarmemo-nos perante Deus e deixemos queEle trabalhe em nossa vida, No processo de SANTIFICAÇÃO do nosso caráter. Vai doer, mas no final, vai ser maravilhoso.Deus vos abençoe(Enomir Santos)
Os mesmos dilemas são enfrentados pelas famílias, independentemente da época ou da cultura que impera nas sociedades. A trajetória de Jacó e Esaú, por exemplo, mostra que, devido às escolhas erradas dos pais, os filhos aprenderam maus comportamentos que trouxeram dis- sensões na família e mágoas que perduraram por muitos anos. Mas sempre há possibilidade de perdão e reconciliação quando há espaço para Deus operar nos corações. Enquanto Jacó, ainda que temeroso, orava a Deus para reencontrar seu irmão, Deus estava agindo no coração de Esaú para que houvesse perdão e reconciliação. O coração transformado pelo verdadeiro encontro com Deus produz frutos dignos de arrependimento (Mt 3.8
Jacó demonstrou a humildade necessária para reconhecer os danos que havia causado na vida de seu irmão Esaú. A atitude humilde de um coração sincero é necessária para que haja a reconciliação entre irmãos ofendidos. Onde há apenas soberba e espírito de superioridade, acusações e desejo de ser o "dono da razão" não há espaço para Deus operar o perdão. O próprio Senhor Jesus ensinou que "se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão" (Mt 18.15). Observe que o ensino de Jesus aponta para que a parte ofendida procure o ofensor para reconciliação. Para aqueles que são filhos de Deus e almejam fazer a diferença neste mundo tenebroso e sem amor, a busca pela reconciliação é uma prova de maturidade e verdadeira espiritualidade. De outra maneira, o ensinamento do Evangelho aponta que o perdão ao próximo é uma condicionante para alcançar o perdão de Deus (Mt 18.35).
De acordo com a Bíblia de Estudo Pentecostal - Edição Global (CPAD), "nesta instrutiva histórica, Jesus ensina que o perdão de Deus, embora concedido livremente a todos os que confessam o seu pecado e se afastam dele, ainda é condicional, dependendo da disposição que a pessoa apresentar para perdoar outros indivíduos. Isto quer dizer que uma pessoa pode perder o direito ao perdão de Deus, por ter um coração amargurado, ressentido, rancoroso e inclemente (Mt 6.14-15; Hb 12.15; Tg 3.11,14). Veja Efésios 4.31-32, onde Paulo diz que a amargura, o ressentimento, o rancor, a hostilidade e a má vontade são completamente incompatíveis com a fé cristã e devem ser eliminados" (p. 1657). A atitude demonstrada por Jacó após encontrar-se com Deus revela um coração que experimentou uma renovação espiritual. Deus não mudou apenas sua maneira de pensar, mas suas emoções e o desejo de fazer a vontade de Deus. Que Deus opere em nosso interior para que o perdão e a reconciliação sejam atitudes naturais, pois somos filhos de Deus (2Co 5.18-21).
(Ensinador Cristão p42)
Até Ele tocar em nossa resistência para quebrar nosso orgulho e presunção. Se isso te acontecer, aguente firme pois vai doer um pouco, porém será terapêutico e Deus estará tratando com sua alma. Não tente resistir, o aguilhão pode entrar mais profundo e a dor ser ainda maior.
REDE BRASIL👇
LIÇÃO Nº 11 – JACÓ: DE ENGANADOR A HOMEM DE HONRA
Em Harã, Jacó precisou se desvencilhar da condição de suplantador.
INTRODUÇÃO
- Na continuidade do estudo do legado dos patriarcas, estudaremos hoje os vinte anos em que Jacó esteve em Padã-Arã.
- Em Harã, Jacó precisou se desvencilhar da condição de suplantador.
I – JACÓ, O SOBRINHO DE LABÃO
- Chegando a Harã, Jacó logo foi querendo saber onde morava a família de Labão, seu tio.
- Jacó revela sua firme disposição de cumprir a vontade divina. Isaque dissera que deveria se casar com uma das filhas de Labão (Gn.28:2) e, por isso, já foi logo tratando de saber onde morava seu tio.
- Nesta procura, encontrou-se com Raquel, sua prima, que era pastora de ovelhas (aliás, é a única “pastora” assim denominada nas Escrituras, e o era, literalmente, vez que inexiste ministério feminino na Bíblia Sagrada).
- Jacó, ao conhecer Raquel, como estava no local onde todos levavam as ovelhas para beber água, mesmo tendo sido informado de que somente se poderia revolver a água do poço quando chegassem todos os rebanhos, revolveu a pedra a fim de que Raquel, mesmo antes da hora, pudesse dar de beber a suas ovelhas (Gn.29:10).
- Nesta sua atitude, Jacó mostra-nos como deve proceder um pai de família, como se espera de um chefe de família segundo o modelo bíblico: a iniciativa, a prontidão, a geração de um sentimento de confiança e proteção.
- Nos dias em que estamos a viver, há uma nítida tentativa de se retirar da figura masculina a iniciativa, o arrojamento. Deus criou macho e fêmea e eles são diferentes, não há como querer dizer que são iguais e que as dissemelhanças entre eles seja fruto de uma “construção social”, como vivem a clamar o movimento feminista que hoje já se tornou a chamada “ideologia de gênero”.
- Homem e mulher se completam, foram assim criados por Deus (Gn.1:27) e não há como se alterar esta realidade. A negativa de tal fato na chamada “ideologia de gênero” nada mais é que o suprassumo da rebeldia contra o Senhor, o clímax do discurso desvanecedor decorrente da recusa de glorificação a Deus, que tão só o obscurecimento do coração insensato da humanidade sem Deus e a consequente injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça (Rm.1:18,21,22).
- A adoção desta “ideologia de gênero” levou a situações inusitadas, absurdas e inadmissíveis a ponto de ter gerado uma reação, nos últimos anos, com o abandono da chamada “agenda woke”, das “políticas DEI” (diversidade, equidade e inclusão).
- Recentemente, a abertura dos chamados arquivos “Epstein” nos Estados Unidos da América, revelaram quanta podridão moral e espiritual está vinculada a este tema, um dos pilares da agenda anticristã que pretende nortear o nosso mundo, sintetizada na Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas, que nada mais é que a pauta, a plataforma de governo que será implantada pelo Anticristo.
OBS: Esta podridão pode ser bem verificada com relação à “transgenitalização”, a operação de mudança de sexo em crianças, em troca de e-mails entre o pedófilo suicida Jeffrey Epstein e um dos principais pesquisadores deste tema, como bem explica a jornalista Paula Schmitt na matéria “Epstein, Pritzker e os degenerados”, disponível em https://www.poder360.com.br/opiniao/epstein-pritzker-e-os-degenerados/ .
PROFESSORA MANUELA BARROS👇
https://www.youtube.com/watch?v=r_4ujk31ocI
LIÇÃO Nº 11 – JACÓ: DE ENGANADOR A HOMEM DE HONRA
TEXTO ÁUREO
“Então, disse: Não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel, pois, como príncipe, lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste.” (Gn 32.28) O Texto Áureo apresenta o momento decisivo da transformação espiritual de Jacó. Seu nome significava “aquele que segura o calcanhar” ou “suplantador” (Gn 25.26), refletindo aspectos de seu caráter marcado pela astúcia e manipulação.
A mudança de nome para Israel não foi apenas uma alteração de identidade, mas uma declaração divina de transformação interior. Nas Escrituras, a mudança de nome frequentemente acompanha uma nova missão e uma nova relação com Deus (Abrão para Abraão; Sarai para Sara).
Segundo Stanley Horton, a transformação do crente é resultado do encontro pessoal com Deus, que redefine sua identidade e propósito. A experiência de Peniel (Gn 32.24-30) demonstra que a verdadeira mudança não ocorre por esforço humano, mas pela intervenção divina.
Aspectos Teológicos
1. Doutrina da Regeneração
A mudança de Jacó aponta para a regeneração operada por Deus no coração humano.
2. Doutrina da Santificação
A experiência em Peniel não eliminou instantaneamente todas as fraquezas de Jacó, mas iniciou uma nova etapa de amadurecimento espiritual.
3. Doutrina da Graça
A transformação ocorreu apesar dos erros acumulados por Jacó, revelando a graça soberana de Deus.
VERDADE PRÁTICA
"Somente Deus pode transformar o caráter e a vida do ser humano."
A Bíblia ensina que a natureza humana está corrompida pelo pecado (Rm 3.23). Nenhuma reforma moral é suficiente para produzir a transformação profunda exigida por Deus.
Jacó tentou resolver seus problemas através da inteligência, da manipulação e do planejamento humano. Contudo, somente quando encontrou Deus em Peniel experimentou verdadeira mudança.
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https://www.youtube.com/watch?v=xsFtPY1Wna8&t=14s
LIÇÃO 10 - A EXPERIÊNCIA TRANSFORMADORA DE JACÓ - PR. ELSO RODRIGUES👇
https://www.youtube.com/watch?v=gg-_c9ZB4-c&t=7s
LIÇÃO Nº 10 – A EXPERIÊNCIA TRANSFORMADORA DE JACÓ
INTRODUÇÃO
Na lição, definiremos os termos “experiência” e “transformadora”; explicaremos como se deu a fuga de Jacó; seu sonho em Betel; a surpresa de Jacó após o sonho e a coluna em Betel; falaremos sobre a surpresa de Jacó após o sonho; e por fim; notaremos as lições espirituais da coluna em Bete.
I – DEFINIÇÕES
1.1 Experiência. O dicionarista Houaiss (2011, p. 1287) define o termo experiência como “ato de experimentar, conhecimento adquirido por prática, estudo ou observação” ou ainda “forma de conhecimento abrangente, não organizado, ou de sabedoria, adquirida de maneira espontânea durante a vida”.
1.2 Transformação. Ainda segundo o dicionarista Houaiss, o termo deriva-se do verbo transformar, e significa “aquilo que se transforma, que toma uma nova forma, que se tona diferente do que era”. Pode significar também “se converter” ou “mudar”. (2011, p. 2750). A experiência transformadora de Jacó fala se de sua mudança de caráter. Ela não ocorreu em uma única ocasião, mas, teve início quando estava fugindo da presença do seu irmão Esaú.
II – A FUGA DE JACÓ PARA HARÃ
“Como era de esperar, Esaú odiou Jacó por haver lhe tomado a bênção e planejou matar o irmão assim que Isaque morresse (Gn 27.41), mas Rebeca descobriu seu plano (Gn 27.42). Depois de tramar para Jacó receber a bênção, agora planeja uma estratégia para salvar a vida do filho. Suas palavras sobre perder os meus dois filhos num só dia se referem ao fato de que a morte de Isaque seria seguida imediatamente da morte de Jacó (Gn 27.45b). Rebeca sabia onde Jacó poderia permanecer em segurança. Ele teria de ir para a casa de Labão, tio de Jacó, em Harã (Gn 27.43; cf. Gn 24.29,50; 25.20). Rebeca manteria Esaú sob observação na esperança de que o tempo o faria esquecer a farsa do irmão. Quando fosse seguro voltar, ela chamaria Jacó (Gn 27.45a) [...]. Em seguida, Isaque despediu Jacó com suas bênçãos, pedindo a Deus para lhe dar filhos (Gn 28.3) e a posse da terra de Canaã que o Senhor havia prometido aos descendentes de Abraão (Gn 28.4). Jacó partiu para Pada-Arã, à casa de Labão, filho de Betuel, o arameu, irmão de Rebeca, mãe de Jacó e Esaú (Gn 28.5).” (Adeymo, 2012, p. 53).
III – O SONHO DE JACÓ E O INÍCIO DE SUA TRANSFORMAÇÃO
No caminho para a casa de Labão, Deus deu a Jacó um sonho maravilhoso a fim de animá-lo e firmar sua fé para que não vacilasse nos longos e duros anos vindouros. Na visão, a escada simbolizava que existia uma comunicação entre o céu e a terra. Jacó tinha o céu aberto. Deus ouviria suas orações e o ajudaria. Os anjos subiam e desciam pela escada como mensageiros e ministros do governo de Deus sobre a terra. [...] O Senhor confirmou a Jacó as promessas da aliança que seu pai havia feito ao abençoá-lo. Prometeu-lhe que o acompanharia, guardaria e traria de volta à terra prometida. Estaria com ele de forma ativa e contínua. Isto não significava que o Senhor aprovaria tudo quanto Jacó fizesse, mas que o acompanharia para levar a cabo completamente seu elevado propósito nele.” (Hoff, 2012, p. 86). Vejamos:
3.1 O sonho de Jacó (Gn 28.12-17). O sonho de Jacó não foi natural, mas sobrenatural. Tratou-se de uma manifestação divina por meio da qual Deus lhe trouxe revelação e direção. A Bíblia registra diversos outros episódios em que Deus falou através de sonhos, concedendo orientação, advertências, promessas e revelações proféticas. Vejamos alguns exemplos:
• Deus aparece em sonho a Abimeleque, advertindo-o acerca de Sara, esposa de Abraão (Gn 20.6-7).
• Deus aparece em sonho a Salomão e lhe oferece aquilo que desejasse pedir; Salomão pede sabedoria (1Rs 3.5-15).
• Os magos do Oriente são avisados em sonho para não retornarem a Herodes, o Grande (Mt 2.12).
• José do Egito recebe sonhos proféticos acerca de seu futuro e de sua exaltação (Gn 37.5-10).
• Faraó sonha com as vacas magras e gordas, bem como com as espigas secas e cheias (Gn 41.1-32).
• Nabucodonosor recebe sonhos proféticos revelados e interpretados por Daniel (Dn 2.1-45; 4.4-27).
• José recebe orientações divinas em sonhos, sendo avisado para fugir para o Egito (Mt 1.20-24; 2.13; 2.19-22).
• A esposa de Pôncio Pilatos relata ter sofrido muito em sonho (Mt 27.19).
• Daniel também recebeu sonhos e visões proféticas (Dn 7.1-28).
Esses textos mostram que Deus utilizou sonhos como meio de comunicação em diferentes épocas e circunstâncias, especialmente para revelar Sua vontade, proteger Seu povo e anunciar acontecimentos futuros.
3.2 A escada que tocava o céu (Gn 28.12a). Jacó estava fugindo de casa, sozinho, inseguro e vivendo as consequências de seus erros. Mas, no sonho, ele viu uma escada, cujo topo tocava no céu. Aquela escada revela que havia uma ligação entre o céu e a terra e que Deus não estava distante nem indiferente aos temores de Jacó. É interessante observar que, milênios depois, quando Natanael vai ter com Jesus, o Senhor lhe diz: “Na verdade, na verdade vos digo que, daqui em diante, vereis o céu aberto e os anjos de Deus subirem e descerem sobre o Filho do Homem” (Jo 1.51). Jacó estava tendo uma experiência, que, no futuro, seria vivenciada pelo próprio Filho de Deus, não em sonhos, mas, na vida real, durante o Seu ministério terreno.
3.3 Os anjos de Deus subindo e descendo por ela (Gn 28.12b). Os anjos são mensageiros de Deus, e são enviados em favor daqueles que hão de herdar a salvação (Hb 1.14). A Bíblia revela diversos exemplos onde os anjos aparecem em sonhos para trazer anúncios aos servos de Deus. Vejamos alguns:
• O Anjo de Deus aparece em sonho a Jacó, orientando-o a retornar à sua terra (Gn 31.11-13).
• Um anjo aparece em sonho a José, esposo de Maria, explicando a origem divina da gravidez (Mt 1.20-24).
• Após a morte de Herodes, um anjo volta a aparecer em sonho a José, dizendo que já era seguro retornar (Mt 2.19,20).
Embora no sonho de Jacó os anjos não tenham lhe falado nada, mas, a presença deles revelam que Jacó não estava só!
3.4 O Senhor no topo da escada (Gn 28.13). Sem dúvida, a presença de Deus no topo daquela escada naquele sonho, foi a maior demonstração do Seu cuidado e proteção. Jacó poderia seguir a sua caminhada seguro, pois o Todo Poderoso estava lhe guardando e lhe guiando naquela trajetória. “Se a visão dos anjos de Deus, no sonho, já era impactante, mais ainda deve ter sido para Jacó ver que o Senhor Deus se apresentava no topo da escada!” (Renovato, 2026, p. 113). Pela primeira vez, Jacó teve a convicção que Deus estava com ele. O Mesmo Deus que apareceu a Abraão (Gn 12.1-3; 13.14-17; 15.4-16; 17.1-22; 18.17-33) e a Isaque (Gn 26.1-5), agora se revela a Jacó (Gn 28.13-15). Era o início de uma longa jornada de transformação e de experiência com o Deus, Todo Poderoso.
3.5 As promessas de Deus a Jacó (Gn 28.13-15). “O Senhor se identifica claramente a Jacó como Senhor, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque. Ao dizer isso, traz à memória de Jacó aquilo que Deus havia feito por seus antepassados e convida Jacó a seguir os passos deles. Depois de se identificar, Deus repete a promessa da terra que havia feito a Abraão e Isaque: a terra em que agora estás deitado, eu ta darei (Gn 28.13b; Gn 17.8; Gn 26.3). Também repete a promessa de uma descendência numerosa: a tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente e para o Oriente, para o Norte e para o Sul. Por fim, repete também a promessa misteriosa de que a família de Abraão abençoará muitas outras; em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra (Gn 22.14; Gn 22.18)” (Adeymo, 2012, p. 54).
IV - A SURPRESA DE JACÓ APÓS O SONHO
Despertado do sono, Jacó faz as seguintes declarações:
4.1 “Na verdade o Senhor está neste lugar, e eu não sabia” (Gn 28.16). Jacó estava fugindo de casa, cansado, solitário e dormindo em um lugar comum, usando uma pedra como travesseiro. Ele não imaginava que ali teria uma experiência tão profunda com Deus. Essa declaração revela sua surpresa ao perceber que Deus estava presente mesmo em um momento difícil e em um lugar aparentemente sem importância. “Esse episódio na jornada atribulada de Jacó nos mostra que, muitas vezes, Deus está perto de nós, e não o percebemos. Por vezes, as tribulações da vida são tantas que nos fazem pensar que Deus não está conosco, não nos vê; que nos abandonou, diante de tantos problemas sem solução. Esquecemo-nos de que, se formos fiéis ao Senhor, obedecendo à sua voz e cumprindo os seus preceitos, Ele é fiel para cumprir o que planejou para nós” (Renovato, 2026, p. 115).
4.2 “Quão terrível é este lugar” (Gn 28.17a). Jacó ficou tão impactado pela manifestação divina naquele lugar, que chamou aquele lugar de “terrível”. A palavra “terrível” aqui não significa algo ruim ou assustador no sentido negativo, mas algo grandioso, reverente, impressionante e santo. Diversos textos bíblicos também usam esta expressão para descrever o próprio Deus ou experiências divinas e sobrenaturais. Vejamos alguns exemplos:
• “[...] porque o Senhor teu Deus está no meio de ti, Deus grande e terrível” (Dt 7.21).
• “Ah! Senhor, Deus dos céus, Deus grande e terrível [...]” (Ne 1.5).
• “[...] Não os temais; lembrai-vos do Senhor, grande e terrível...” (Ne 4.14).
• “Mas o Senhor está comigo como um valente terrível” (Jr 20.11).
4.3 “Este não é outro lugar, senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus” (Gn 28.17c). Jacó reconheceu que aquele lugar simples havia se tornado um local de encontro com De
us. Depois disso, ele chamou aquele lugar de Betel. “‘Betel’ significa ‘a casa de Deus’ pode representar qualquer lugar onde Deus está presente num sentido muito especial.” (Stamps, 1995, p. 77,78). A presença de Deus transforma ambientes comuns em lugares especiais. Mais importante do que a estrutura física é a manifestação divina. Onde Deus fala, consola, transforma e se revela, ali se torna espiritualmente uma “casa de Deus”. Ao ver a escada ligando a terra ao céu e os anjos subindo e descendo, Jacó entendeu que aquele sonho representava acesso à presença divina. Havia uma ligação entre o céu e a terra.
V – A COLUNA DE BETEL
“Em resposta a essa experiência, Jacó tomou a pedra que havia usado como travesseiro e erigiu em coluna, sobre cujo topo entornou azeite (28:18). O ato de derramar azeite sobre a pedra constituiu uma unção de modo a separá-la para Deus. Jacó provavelmente teria oferecido um sacrifício nessa ocasião, se houvesse algum animal para sacrificar. Mas, uma vez que estava viajando, não tinha nenhum animal consigo. No entanto, o Senhor aceita nossas ofertas, por mais simples que sejam, quando vêm do coração. Jacó chama o lugar onde dormiu de Betel, a "casa de Deus", para comemorar o que aconteceu ali (28:19). Também faz um voto expresso na forma condicional. Se o Senhor o proteger e prover para ele no futuro e se a promessa em 28:15 se cumprir, então o Senhor será o meu Deus; e a pedra, que erigi por coluna, será a Casa de Deus; e, de tudo quanto me concederes, certamente eu te darei o dízimo (Gn 28.20-22)” (Adeymo, 2012, p. 54).
EBD SLIDE👇
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PROFESSOR CARAMURU👇
A história dos filhos gêmeos de Isaque - Esaú e Jacó - é um exemplo clássico de que a predileção dos pais na criação dos filhos traz dissenções familiares, traumas emocionais e transtornos de personalidade que têm início na infância e podem afetar as relações na vida adulta. A criação dos filhos no caminho do Senhor deve ser marcada pelo aprendizado dos princípios e valores bíblicos que moldam a maneira de pensar, interpretar a realidade e se comportar (Ef 6.1-4). Esse processo se dá pela instrução, diálogo e, sobretudo, pelo exemplo dos pais nas relações familiares. No contexto da casa de Isaque, a formação do caráter dos filhos foi afetada pela má condução dos pais na educação a começar pela predileção em relação aos filhos. Depois, pela ousadia de Rebeca em enganar seu esposo para privilegiar um dos meninos. Como se não bastasse, o filho mais novo engana o pai e o irmão mais velho para roubar a bênção relacionada à primogenitura.
E nesse contexto, temos um filho mais velho que sequer compreendia a importância do direito à primogenitura e resolve trocá-lo por uma refeição, pensando apenas em satisfazer a sua necessidade carnal imediata. Esse ato lhe custaria muito caro, pois no dia acordado pelo pai em que Esaú deveria receber a bênção patriarcal, o trágico aconteceu. Seu irmão mais novo se antecipa e rouba-lhe a bênção. Conforme discorre o Comentário Bíblico Beacon (CPAD), "A parcialidade parental de um filho acima do outro por pai e mãe (Gn 25.28) conduziría a um desarranjo de entendimento entre eles. Isaque ignorava Rebeca e ela foi incapaz de falar com ele sobre seu erro. [...] A bênção patriarcal era uma forma de última vontade e testamento. Bênçãos orais eram consideradas tão irrevogáveis para todas as partes como um contrato escrito. Isaque desejou que a prosperidade para o filho brotasse da riqueza da terra, mas também lhe deu o domínio sobre as outras nações (v. 29), como também sobre a própria família. O recebedor da bênção seria protegido pela justiça divina; quem tivesse contato com ele recebería maldição por amaldiçoá-lo e bênção por ser gracioso com ele. Quando a bênção foi dada, Jacó saiu da tenda" (pp. 83-84).
INTRODUÇÃO
Nesta lição, veremos que Gênesis 27 está no centro da narrativa de rivalidade entre Esaú e Jacó, que já foi apresentada em 25.19‑34 (venda da primogenitura) e prolonga-se até o 33 (reconciliação). O capítulo em que esta lição baseia-se mostra que a promessa de Deus concernente ao “filho menor” (Jacó) realiza-se, mas não em um clima de pureza ética, senão no meio de mentira, engano e tragédia familiar. Assim, estudaremos, na aula de hoje, como a bênção da aliança passa para Jacó, mas por meio de um engano que revela a falha moral dos protagonistas e, ao mesmo tempo, e o significado da eletividade anunciada em Gênesis 25.23.
I – REBECA COMO “AUTORA INTELECTUAL” DO PLANO
1.1 Rebeca ouve o diálogo entre Isaque e Esaú acerca da bênção da primogenitura (Gn 27.5). Em vez de dialogar com o marido ou buscar orientação de Deus, decide “corrigir” a situação manipulando a cena. Ela convoca Jacó, desenha o engano (vestir as roupas de Esaú, usar pele de cabrito para imitar a pelagem dele, preparar o prato favorito de Isaque) e assegura a execução do plano (vv. 5-17). Nesse sentido, Rebeca é a principal instigadora moral do roubo, pois, sem ela, o engano não aconteceria.
1.2 Favoritismo e “ajuda” a Deus. O texto indica que Rebeca tem em memória a profecia de que “o maior servirá ao menor” (Gn 25.23), o que lhe dá um “fundo teológico” para sua decisão. Ao mesmo tempo, o texto deixa claro o seu favoritismo por Jacó: “E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebeca amava Jaco” (Gn 25.28), que se mistura com a leitura que ela faz da vontade de Deus. Rebeca, em vez de confiar na soberania de Deus, tenta apressar a promessa por meio de mentira e engano, substituindo a fé pela manipulação.
1.3 A responsabilidade de culpa e proteção de Jacó. Quando Jacó hesita por medo da maldição, Rebeca assume a culpa dizendo: “E disse-lhe a sua mãe: Meu filho, sobre mim seja a tua maldição; somente obedece à minha voz, e vai, traze-mos” (Gn 27.13). Isso mostra que ela não, apenas, incentivou ao pecado, mas também colocou‑se diante de Deus como responsável, tal como uma “mediadora” inválida entre a vontade de Deus e a conduta de Jacó. Mais tarde, ao perceber o ódio mortal de Esaú por Jacó, é ela quem convence Isaque a enviar Jacó para Harã, pensando proteger a vida do filho e, ao mesmo tempo, preservar a linhagem da aliança. Assim, Rebeca atua tanto como promotora de pecado quanto como salvadora prática, embora o pecado continue gerando ruptura na família.
II – AS CONSEQUÊNCIAS DO PECADO EM GÊNESIS 27
2.1 Esaú tenta matar Jacó (Gn 27.41‑46). Esaú, “ferido de ciúme”, jura matar Jacó (v. 41), o que se assemelha ao ódio de Caim por Abel (Gn 4.8) e torna o conflito fraternal, ainda, mais grave. Rebeca, que antes promoveu o engano, agora, usa a mesma habilidade persuasiva para proteger Jacó (v. 42‑45), pedindo que Isaque o envie para Harã sob pretexto de encontrar esposa, numa tentativa de salvar a vida de Jacó e evitar a tragédia familiar.
2.2 Consequências do pecado e a provisão divina. A cena de Gn 27 ilustra que “o pecado acha o pecador” (Nm 32.23): “depois disso, Rebeca nunca mais verá o filho”, morre sem narrativa elogiosa (35.8); Isaque vive o resto da vida na sombra; Esaú carrega o ódio e o ressentimento; Jacó é exilado e sofre na casa de Labão. Ao mesmo tempo, Deus usa a separação de Jacó para moldar seu caráter, preparar a formação do povo de Israel (nascimento de filhos em Padã‑Aram) e posicionar a linhagem de Judá e, finalmente, a de Cristo.
2.3 Distinção entre bênção e ética. A bênção em si é positiva e verdadeira: Jacó recebe orvalho, fertilidade, domínio sobre povos e uma posição de liderança na linhagem da aliança (Gn 27.28‑29), o que se vincula à promessa feita a Abraão (Gn 12.2‑3; 22,17‑18). No entanto, o modo como ela é obtida é condenável: engano, mentira e manipulação são, claramente, errados, e a Bíblia não endossa o método, pois a bênção de Deus não santifica o pecado; pode haver bênção e castigo ao mesmo tempo sobre a mesma pessoa (Jacó será abençoado, mas passará décadas de exílio, luta e sofrimento).
2.4 O sentido tipológico da primogenitura. A bênção de Jacó é vista como um tipo da bênção messiânica: a autoridade sobre povos, a vinculação entre bênção e maldição, e a promessa de que “os que te abençoarem serão abençoados” ecoam o papel de Cristo como herdeiro de todas as promessas: “Ora as promessas foram feitas a Abraão e à sua posteridade. Não diz: E às posteridades, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua posteridade, que é Cristo” (Gl 3.16). Dessa forma, ao interpretar esse “descendente” singular como sendo Cristo, Paulo estabelece que a verdadeira herança prometida a Abraão, a justificação pela fé e a salvação, concretiza-se, exclusivamente, através de Jesus, assim, Paulo argumenta contra os que defendiam a necessidade de seguir a Lei de Moisés para obter a justificação, pois a promessa feita a Abraão, focada em Cristo, é superior e anterior à Lei de Moisés, que só viria 430 anos mais tarde. Portanto, a Lei não pode anular ou substituir o pacto original baseado na fé. A tragédia humana de Gênesis 27 aponta, assim, para a necessidade de uma redenção que não dependa de astúcia nem de engano, mas de um sacrifício verdadeiro: “Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles. Porque, assim, o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos” (Hb 2.10-11).
III – O SENTIDO DA ESCOLHA GRACIOSA EM ROMANOS 9
3.1 Não se trata de escolha individual, pois ambos, Jacó e Esaú, herdaram a bênção da salvação. O texto de Romanos 9 não trata de uma eleição individual incondicional para salvação, mas de escolhas soberanas de Deus no contexto de Seu plano histórico e nacional para Israel. A escolha de Jacó sobre Esaú (Rm 9.11-13), citada de Malaquias 1.2-3, refere-se à preferência divina pela nação de Israel (descendentes de Jacó) em detrimento de Edom (descendentes de Esaú), para cumprir promessas Abraâmicas e trazer o Messias, sem depender de etnia ou obras. Paulo lamenta a rejeição de muitos judeus à fé em Cristo (Rm 9.1-5) e refuta a possível interpretação de que as promessas de Deus tenham falhado, pois Israel será salvo: “E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, e desviará de Jacob as impiedades. E este será o meu concerto com eles, quando eu tirar os seus pecados. Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos, por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados, por causa dos pais” (Rm 11.26-28).
3.2 A representatividade da linhagem de Jacó. Paulo usa exemplos como Abraão, Isaque e Jacó para mostrar que a eleição sempre foi seletiva dentro de grupos, não garantindo salvação por descendência física, mas por fé. Dessa forma, Jacó representa a linhagem escolhida para bênçãos nacionais e o Messias; Esaú [Edom], a nação rejeitada para esse propósito específico, pois a eleição é condicional à fé e obediência, alinhada ao propósito divino de chamar todos, mas respeitando o livre-arbítrio humano, ou seja, a decisão de arrependimento. Essa escolha por Jacó não anula sua responsabilidade humana, além disso, Jacó representa uma coletividade. Isso prefigura a salvação como iniciativa divina gratuita, escolhendo Jacó (nação) para herdar a promessa (Rm 11.29-32).
3.3 O cumprimento da eleição divina. A bênção cumpre a profecia de Gênesis 25.23 (“o maior servirá ao menor”), mostrando que a escolha de Deus não depende da astúcia de Jacó, mas realiza-se mesmo por vias torcidas. Quando Isaque tenta abençoar Esaú, Rebeca e Jacó usam engano, mas a palavra de bênção, uma vez dita, não pode ser anulada (v. 33), sinalizando que a vontade de Deus está operando por trás das decisões humanas, uma vez que Ele não revoga a promessa por causa da conduta pecaminosa dos patriarcas, embora puna e corrija o pecado. No Novo Testamento, Jacó é visto como figura de um “povo eleito” chamado pela graça, tal como a Igreja (Rm 9.10‑13: “Amei Jacob, e aborreci Esaú”). A bênção dele é, em sentido mais relevante, plenamente, cumprida em Cristo: Jesus é o verdadeiro herdeiro da benção, em quem se cumprem todas as promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó.
3.4 A eleição divina não elimina a responsabilidade humana. A narrativa de Jacó e Esaú, bem como a interpretação paulina em Romanos 9, demonstra que a soberania de Deus jamais deve ser entendida como negação da responsabilidade humana. Embora Deus tenha anunciado antecipadamente que “o maior servirá ao menor” (Gn 25.23), isso não absolveu Jacó, Rebeca, Esaú ou Isaque de suas escolhas e consequências. Cada personagem age segundo suas próprias intenções: Isaque tenta favorecer Esaú; Rebeca manipula os acontecimentos; Jacó mente deliberadamente; Esaú despreza valores espirituais ao tratar a primogenitura com irreverência (Gn 25.34). Assim, o cumprimento do propósito divino não transforma o pecado em virtude, nem torna Deus autor do mal. Paulo mantém essa tensão em Romanos ao afirmar que Deus é soberano em Sua eleição, mas o homem continua responsável por sua resposta diante da graça: “Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia” (Rm 11.32). Portanto, a escolha graciosa de Deus opera dentro da história humana sem destruir a liberdade moral das pessoas. Em Jacó, percebe-se que a graça divina não aprova sua astúcia, antes inicia um longo processo de disciplina e transformação espiritual, mostrando que o eleito também precisa ser quebrantado, corrigido e conduzido à dependência de Deus.
CONCLUSÃO
A bênção “roubada” inicia o processo de transformação de Jacó. Embora Deus cumpra Sua promessa apesar das falhas humanas, o engano traz consequências dolorosas e conduz Jacó a um caminho de disciplina, dependência e amadurecimento espiritual, culminando em Peniel, onde ele é transformado em “Israel”. Assim, Gênesis 27 ensina que a graça de Deus escolhe, perdoa e transforma, mas não elimina as consequências do pecado; a verdadeira bênção se consolida na submissão à vontade divina.
LIÇÃO Nº 9 – JACÓ E ESAÚ, IRMÃOS EM CONFLITO
Jacó: o homem espiritual; Esaú, o homem natural.
INTRODUÇÃO
- Na sequência do estudo do legado dos patriarcas, iniciaremos o estudo do terceiro patriarca, Jacó.
- O conflito entre Jacó e Esaú fala-nos do conflito entre o homem espiritual e o homem natural.
I – O NASCIMENTO DE ESAÚ E JACÓ
- Na continuidade do estudo do trimestre, passaremos a estudar a vida do terceiro patriarca, Jacó, cujo nome depois seria mudado para Israel.
- A porção do livro de Gênesis que os estudiosos costumam denominar de “ciclo de Jacó”, abrange Gn.28:10 até 36:43, porção em que a personagem central passa a ser, precisamente, o terceiro patriarca.
- Isaque orou instantemente por vinte anos para que Deus abrisse a madre de sua mulher Rebeca, que era estéril (Gn.25:20,21,26) e Deus ouviu a sua oração.
- Rebeca engravidou e logo notou que havia gêmeos em seu ventre, que lutavam entre si (Gn.25:22), tendo, então, o Senhor, em resposta à oração de Rebeca, dito que havia duas nações no seu ventre e que o maior serviria o menor (Gn.25:23).
- Portanto, antes mesmo do seu nascimento, Jacó já fora escolhido por Deus para ser o herdeiro da promessa de Abraão (Ml.1:2; Rm.9:13).
- Deus usou da Sua soberania para escolher Jacó para ser o terceiro patriarca. Tal escolha, porém, não significa, em absoluto, que haja uma predestinação incondicional, que Deus seleciona previamente quem será salvo e quem não o será.
- Aqui, a escolha dizia respeito à formação da nação de onde viria o Salvador e, como a nação era formada diretamente por Deus, tinha Ele o pleno direito de escolher quem quisesse, sem que isto representasse parcialidade ou injustiça.
- Já a ideia da predestinação incondicional é incompatível com a assertiva bíblica de que Deus não faz acepção de pessoas (Dt.10:17; At.10:34), algo que é inerente ao próprio caráter do Senhor.
- Deus havia escolhido Abrão para dele fazer uma nação de onde viesse o Salvador e, consoante já tivemos ocasião de estudar, o texto bíblico não diz porque Abrão foi o eleito.
- De igual modo, não diz porque, querendo que Rebeca tivesse gêmeos, entre eles escolheu o menor e não o maior para herdar a promessa dada a Abraão.
- Tais fatos apenas corroboram a soberania divina, que se está diante do “Deus Todo-Poderoso”, como será a forma peculiar com que o Senhor Se revelará aos patriarcas (Ex.6:3).
- Esta escolha é soberana, porquanto decorre única e exclusivamente de Sua condição de Senhor de todas as coisas (Sl.24:1), mas também demonstra que tudo é feito dentro do norte estabelecido por Deus, qual seja, o de proporcionar a salvação de todos os homens.
- A vontade de Deus é que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade (I Tm.2:5). Assim, o fato de ter escolhido Jacó e não Esaú para que fosse o herdeiro da promessa em absoluto pode ser interpretado como uma prévia escolha de Esaú para perdição, como se entende dentro da doutrina da predestinação incondicional.
- Tanto Deus não escolheu previamente alguns para a perdição que, no episódio da torre de Babel, poupou a todos os homens, embora todos tivessem se rebelado contra ele.
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LIÇÃO Nº 8 – ISAQUE, HERDEIRO DA PROMESSA
INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos o episódio no qual Isaque tenta ir para o Egito, pois a fome assolava a terra de Canaã. No entanto, Deus não permitiu; é nesse momento dramático que o Senhor reafirmou as promessas que fez a Abraão. Para isso, veremos Isaque na terra dos filisteus, enfrentando a inveja dos habitantes da terra de Gerar e, por fim, pontuaremos as promessas de Deus para Isaque.
I – ISAQUE NA TERRA DOS FILISTEUS
Isaque vivenciou uma situação semelhante à de seu pai Abraão, que o obrigou a procurar outro local para sobreviver devido à fome que assolava aquela região. Em situações como essa, o caminho mais provável seria ir para o Egito, porém o Senhor indicou outra região (Gn 26.2). Notemos o breve percurso de Isaque na terra dos filisteus.
1.1 Isaque desce para a terra dos filisteus. O território de Israel próximo ao Neguebe (Gn 24.62; 25.11), onde Isaque residia, é uma terra árida. A escassez de alimento devido à falta de chuva não é uma situação incomum para os habitantes dessa região. Por isso, o Egito seria a melhor opção para quem estava fugindo da seca e da fome (Gn 12.10), já que o rio Nilo é a maior fonte de água no Egito, o que o tornava muito próspero. No entanto, Deus proibiu Isaque de descer ao Egito: “E apareceu-lhe o SENHOR, e disse: Não desças ao Egito; habita na terra que eu te disser” (Gn 26.2). Aos olhos de Isaque, a terra dos faraós seria a melhor opção, porém para Deus não. Coube ao filho de Abraão obedecer e seguir a direção do Senhor. A confiança e a obediência a Deus são a melhor escolha mesmo diante de situações difíceis (Gn 26.15; 1Sm 15.22; Sl 37.5; 56.3; Pv 3.5-6).
1.2 Isaque na terra dos filisteus nega que Rebeca é sua mulher. Quando Isaque chegou à terra de Gerar, região dos filisteus, ele mentiu, pois temia ser morto pelos habitantes daquela região: “E perguntando-lhe os homens daquele lugar acerca de sua mulher, disse: É minha irmã; [...]” (Gn 26.7). Esse mesmo expediente foi usado por Abraão (Gn 12.12). Em ambos os casos, a mentira foi descoberta e trouxe males e constrangimentos: “[...] e tu terias trazido sobre nós um delito.” (Gn 12.17; 26.10). A Bíblia condena severamente a mentira (Ex 20.16; Lv 19.11; Pv 12.12; 6.16-17; 19.5; Ef 4.25; Cl 3.9). As consequências da mentira são tão graves que a Palavra do Senhor adverte: “[...] e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, o que é a segunda morte.” (Ap 21.8). Sendo assim, nada justifica a mentira e o engano.
1.3 Isaque prospera na terra dos filisteus. Deus abençoou Isaque grandiosamente, de modo que seu patrimônio econômico e material despertou a inveja dos filisteus. Duas grandes lições podemos extrair da prosperidade de Isaque entre os filisteus: a primeira está na obediência dele a Deus: “E apareceu-lhe o SENHOR, e disse: [...] habita na terra que eu te disser.” (Gn 26.2). A segunda é que Isaque começou a prosperar quando deixou o engano e passou a viver uma vida íntegra (Gn 26.12). O texto bíblico destaca: “E semeou Isaque naquela mesma terra, e colheu naquele mesmo ano cem medidas, porque o SENHOR o abençoava” (Gn 26.12). A bênção de Deus na vida de qualquer cristão passa por essas duas verdades: obediência e vida íntegra (Sl 37.25; Pv 3.9-10; 10.4; Mt 6.33).
II – ISAQUE DIANTE DA INVEJA DOS FILISTEUS
Quando os filisteus viram a prosperidade de Isaque, invejaram-no. Esse sentimento mau deu origem a atitudes perversas e destruidoras. Os poços que Abraão tinha aberto foram fechados com entulhos; além disso, os pastores de gado da terra de Gerar passaram a contender com Isaque quando este abria novos poços para dar de beber aos rebanhos. Vejamos como Isaque reagiu diante dessa situação:
2.1 Isaque preferiu se retirar ao invés de gerar contenda (Gn 26.16-17). A prosperidade de Isaque despertou a inveja violenta dos filisteus (Gn 26.14) e o temor do rei Abimeleque; a solução foi pedir ao patriarca que saísse da terra: “Apartate de nós; porque muito mais poderoso te tens feito do que nós.” (Gn 26.16). Isaque foi convidado a sair, não por nenhum prejuízo causado aos moradores de Gerar, mas porque a bênção de Deus estava com ele (Gn 26.13). Diante dessa situação injusta, o caminho escolhido por Isaque foi o de não contender. Essa atitude reflete o conselho de Salomão: “Honroso é para o homem o desviar-se de contendas, mas o tolo insensato se mete em rixas” (Pv 20.3 – ARA). A Palavra de Deus afirma: “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12.18). A Palavra do Senhor também nos adverte: “E ao servo do Senhor não convém contender [...]” (2Tm 2.24). Seguir o exemplo de Isaque é o melhor caminho para preservar a bênção de Deus em nossas vidas.
2.2 Isaque perseverou, mesmo diante de sabotagem (Gn 26.15). Os filisteus de Gerar não apenas invejaram Isaque pela sua prosperidade material, mas agiram de má-fé e por vingança de quem se sente inferior. “[...] Fizeram uma ação vil, perniciosa, e de grande prejuízo para Isaque, demonstrando sua índole maldosa” (Renovato, 2026, p. 90). Mesmo sendo vítima dessas ações perversas, Isaque continuou trabalhando, abrindo poços e cuidando de sua família. Outros personagens bíblicos sofreram injustiças: José, filho de Jacó, foi vendido (Gn 37.28); Daniel foi lançado na cova dos leões (Dn 6.4-16); Neemias teve de lidar com as ameaças de Tobias e Sambalate (Ne 6.2); no entanto, nenhum deles desanimou. Dessa forma, a perseverança em momentos de crise é fundamental para conservar as bênçãos de Deus (Js 1.9; Rm 5.3-4; Hb 10.36; Tg 1.12; Cl 4.2).
2.3 Isaque recomeçou sem reclamar (Gn 26.18). Entre as várias virtudes que podemos elencar da vida do patriarca Isaque, uma delas é a resiliência, ou seja, a capacidade de superar obstáculos ou situações estressantes. Diante das investidas dos filisteus, Isaque tinha a opção de reclamar, maldizer, injuriar ou de retribuir a injustiça com o mal; no entanto, não foram essas as atitudes do patriarca — ele preferiu recomeçar (Gn 26.18,21). Muitos, em momentos como esses, caem na tentação de amaldiçoar o próximo, a situação ou a própria vida. A recomendação do texto sagrado é direta: “[...] amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem.” (Mt 5.44). Vários textos bíblicos corroboram essa assertiva (Ec 10.20; Lc 6.27,35; 23.34; Rm 12.14,20; At 7.59; 1Co 4.12; 1Pe 2.23). O recomeço sem rancor e ódio é uma oportunidade dada por Deus para novas conquistas.
2.4 Isaque evitou disputas desnecessárias (Gn 26.20). Como visto, os filisteus de Gerar causaram muitos problemas a Isaque. Primeiro, entulharam todos os poços que Abraão havia cavado, e todos foram reabertos por Isaque; depois, porfiaram com Isaque pelos poços que mandou cavar (poço de Eseque, “da contenda”; e poço de Sitna, “inimizade”). Finalmente, cavou um poço diante do qual não houve mais contenda, e o chamou de “poço do alargamento” — “agora nos alargou o Senhor”. Foi morar em Berseba (Gn 26.18-23), e seus servos cavaram mais um poço (Gn 26.25) (Renovato, 2026, p. 93). Se Isaque tivesse se prendido às disputas com os filisteus, dificilmente teria chegado a Berseba (Gn 26.33), onde encontrou paz. Esse evento vivenciado por Isaque traz uma importante lição: prender-se a brigas e disputas desnecessárias pode nos levar a perder as bênçãos de Deus (2Tm 2.23-24; Pv 12.16; 15.18; 17.14; Tt 3.9).
2.5 Isaque firma aliança com Abimeleque. A prosperidade de Isaque fez com que Abimeleque, rei dos filisteus, reconhecesse que Deus estava com ele: “[...] havemos visto, na verdade, que o SENHOR é contigo [...]” (Gn 26.28). Devido a isso, Abimeleque propôs uma aliança para uma convivência pacífica. Um tratado semelhante foi realizado também com Abraão (Gn 21.22-32). A prosperidade de Isaque era resultante da bênção de Deus. A Palavra de Deus declara: “A bênção do SENHOR é que enriquece, e ele não acrescenta dores” (Pv 10.22). Aprendemos com isso que a verdadeira prosperidade passa por uma vida de fidelidade e comunhão com o Senhor (Dt 8.18; 28.11; Js 1.8; Sl 1.3; 122.6; Fp 4.19).
III – ISAQUE E AS PROMESSAS DE DEUS
A fome que atingia a terra de Canaã levou Isaque a se encaminhar para o Egito; no entanto, Deus não permitiu que isso ocorresse. É neste momento crucial na vida do patriarca que o Senhor fez promessas, confirmando o pacto realizado com Abraão:
3.1 A promessa da presença divina (Gn 26.3). A primeira promessa feita a Isaque durante o período da fome que assolava a terra foi a da presença de Deus. O Senhor disse a Isaque: “[...] eu serei contigo” (Gn 26.3). Isso dava a Isaque a certeza de que Deus estava garantindo a promessa feita para assegurar a sobrevivência da semente de Abraão (Gn 22.17). Isso nos mostra que a presença de Deus é vital para o crente em Cristo; sem ela, é impossível sobrevivermos. Moisés, sabendo disso, orou: “[...] se a tua presença não for conosco, não nos faças subir daqui” (Êx 33.15). O salmista Davi também acrescenta: “Busquem o SENHOR e o seu poder; busquem continuamente a sua presença” (Sl 105.4 – NAA). É diante do Senhor que temos paz e alegria (Sl 16.11) e proteção (Sl 91.1).
3.2 A promessa da terra (Gn 26.3). Diante de uma fome que obrigava à peregrinação para outras terras, o local mais promissor era o Egito; Deus, porém, impediu Isaque de descer para essa nação. A reafirmação da promessa foi realizada nesse período crítico: “[...] porque a ti e à tua semente darei todas estas terras [...]” (Gn 26.3). O Senhor estava relembrando a aliança feita a Abraão (Gn 13.14-17; 17.8). Isso reforça que, mesmo em momentos de escassez e dificuldade, Deus nos fortalece trazendo à memória as promessas que Ele fez (Sl 46.1; 121.1-2; Is 40.29).
3.3 A promessa de uma descendência numerosa (Gn 26.4). Depois de o Senhor garantir a possessão da terra aos descendentes do patriarca Isaque, Ele faz a promessa de uma numerosa descendência: “E multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus [...]” (Gn 26.4). Esta palavra também foi dita a Abraão (Gn 17.6). Deus estava mostrando a continuidade do plano divino. Deus assume o compromisso de cumprir suas promessas, mas também espera que seu povo viva em obediência a Ele. Abraão havia obedecido e, com isso, beneficiou Isaque e seus descendentes (Gn 26.24c). Nós também não devemos ser descuidados em nosso relacionamento com Deus, não apenas para nosso próprio bem, mas para o bem de nossos filhos (Adeyemo, 2016, p. 174).
CONCLUSÃO
A história do patriarca Isaque foi marcada por momentos de várias dificuldades: enfrentou a fome na terra de Canaã, a inveja e as injustiças dos filisteus. No entanto, o caminho da obediência e da confiança em Deus são os mais seguros em meio às adversidades da vida.
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LIÇÃO Nº 8 – ISAQUE, HERDEIRO DA PROMESSA
Com Isaque, Deus prossegue a formação da nação de Israel.
INTRODUÇÃO
- Na sequência do estudo do legado dos patriarcas, estudaremos hoje o segundo patriarca, Isaque.
- Com Isaque, Deus prossegue a formação da nação de Israel.
I – ISAQUE, O CUMPRIMENTO DA PROMESSA
- Na sequência deste estudo sobre o legado dos patriarcas, estaremos a estudar hoje o segundo patriarca, Isaque, que é o protagonista do primeiro livro da Bíblia no trecho de Gn.25:19 – 27:46, trecho que é conhecido pelos estudiosos como sendo “o ciclo de Isaque”.
- Abraão teve Isaque quando tinha cem anos de idade (Gn.21:5), ou seja, trinta anos após ter sido chamado por Deus em Ur dos caldeus para que fosse o início de uma nova nação, na qual fossem benditas todas as famílias da terra (Gn.12:1-3).
- Isaque é, portanto, o primeiro herdeiro conforme a promessa (Cf.Gl.3:29), o primeiro a nascer já debaixo da aliança firmada entre Deus e Abrão (Gn.15:18), marcado pela circuncisão (Gn.17:1-14), tanto que a contagem dos quatrocentos anos para que se começasse a formar a nação de Israel inicia com seu nascimento (Cf. Gn.15:13) assim como é Isaque o primeiro descendente de Abraão a ser circuncidado ao oitavo dia de nascido (Gn.21:4).
- Isaque, assim, de pronto, já se apresenta como figura de Cristo Jesus, por ser o “filho da promessa”, por ser aquele que havia sido prometido por Deus para dar concretude e certeza à aliança que Deus havia firmado com Abraão.
- Nosso Senhor e Salvador, também, é a “semente da mulher” prometida no Éden, Aquele que veio confirmar a promessa da redenção da humanidade, torná-la concreta. Ademais, assim como Isaque veio já sob a aliança estabelecida e marcada pela circuncisão, o Senhor Jesus já Se fez carne por obra e graça do Espírito Santo, no qual estamos selados para a redenção (Ef.1:13; 4:30).
- Abraão deu a seu filho o nome de Isaque, cujo significado é “riso”. A palavra “riso” aqui tem dois sentidos: tanto Abraão quanto Sara riram quando o Senhor lhes disse que teriam um filho apesar de sua velhice (Gn.17:17; 18:12), riso que continha uma incredulidade no que havia sido dito pelo Senhor; entretanto, ao se ver cumprida a promessa, Abraão e Sara muito se alegraram, ficaram jubilosos e o “riso”, portanto, significava aqui a alegria decorrente deste milagre operado por Deus (Gn.21:6,7).
- Uma vez mais, vemos que, no seu próprio nome, Isaque está a figurar a pessoa de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, porquanto, como diz o título de famosa composição musical de Johann Sebastian Bach (1685-1750), “Jesus é a alegria dos homens”.
- Ao nos trazer a salvação, Jesus nos dá uma indizível alegria. Não é por outro motivo que o salmista, repetido pelo escritor aos hebreus, diz que o Senhor foi ungido com “óleo de alegria” (Sl.45:7; Hb.1:9).
- A incredulidade, típica do homem escravizado pelo pecado, transforma-se em alegria quando recebemos a Cristo e uma alegria tal que faz com que cada salvo produza alegria para os outros, pois a alegria, ou gozo, é uma das qualidades do fruto do Espírito (Gl.5:22).
- Há, ainda, uma outra semelhança entre Isaque e Cristo Jesus. Ambos são resultado de uma operação sobrenatural, de uma intervenção divina direta na humanidade.
- Isaque foi concebido quando Sara, uma mulher estéril, já havia cessado o costume das mulheres (Gn.11:30; 18:11), enquanto o Senhor Jesus foi gerado por obra e graça do Espírito Santo no ventre de uma mulher virgem (Lc.1:28-35). Ambos são eloquente e inequívoca demonstração da vontade de Deus em salvar a humanidade.
- Isaque cresceu e foi desmamado (Gn.21:8) e, para celebrar o seu desmame, Abraão fez um grande banquete. Neste dia, porém, que deveria ser somente de festa e alegria, Sara percebeu que Ismael, o filho de Abraão com Agar, zombava de Isaque e, ante esta circunstância, Sara exigiu que Abraão despedisse tanto Agar quanto Ismael, proposta que desagradou a Abraão mas que foi confirmada pelo Senhor (Gn.21:8-13).
Lição 8 - Lições Bíblicas Adultos do 2º Trimestre de 2026 - CPAD👇
Lição 08: Isaque: Herdeiro da Promessa |
O primeiro grande exemplo desse conceito no Antigo Testamento é Isaque. SEREI CONTIGO (Gn 26.3-4) Deus apareceu a Isaque e transferiu para ele as promessas feitas a Abraão (12.1-3,7; 13.14-17; 15; 17.1-8,15-22; 22.15,16,19), assim como foi seu pai, ele precisou aprender a viver segundo as promessas de Deus. Uma parte importante da promessa segundo o concerto, era o relacionamento pessoal com Deus, descrito nas palavras: Eu sou contigo . Deus levantou Abraão como um modelo da obediência que procede da fé (Rm 1.5; 16.26). Ele tinha feito um esforço sincero para guardar as leis e os mandamentos do Senhor. Por causa disso, Deus o abençoou Isaque. Nós precisamos seguir o exemplo da fé e da obediência de Abraão, se queremos participar das promessas de Deus segundo o concerto e da sua salvação (Lv 26.14,15,46; Dt 11.1). Fé e obediência são duas faces da mesma moeda na vida espiritual. A fé é a confiança que nos leva a crer, enquanto a obediência é a atitude prática que comprova essa confiança. Uma fé verdadeira gera obediência e fortalece a própria fé. Tudo que recebemos de Deus é pela fé, hoje muitos não são abençoados por causa da incredulidade. Obedecer a Deus é mais do que seguir regras ou ordens: é amar a Deus a ponto de confiar plenamente n’Ele, mesmo quando não compreendemos todos os detalhes. Obedecer é viver em resposta ao Seu amor, reconhecendo que Seus caminhos são mais altos que os nossos (Is 55:9). Nossa maior herança é a promessa de herdarmos a vida eterna ao lado do nosso Deus. Uma das questões mais desafiadoras sobre a obediência é que Deus não deseja uma obediência parcial, Jesus nos adverte em Lucas 6:46: “Por que vocês me chamam ‘Senhor, Senhor’ e não fazem o que eu digo?” A obediência verdadeira a Cristo não pode ser apenas superficial ou seletiva; ela deve ser completa. A obediência parcial pode ser comparada a um contrato quebrado. Se um acordo é violado em apenas uma cláusula, o contrato inteiro perde sua validade. Da mesma forma, quando escolhemos obedecer apenas em certas áreas e ignoramos outras, estamos quebrando nossa aliança com Deus, (Tg 2:10) nos lembra que “quem guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, torna-se culpado de todos.” Deus quer que tenhamos a certeza absoluta da Vida Eterna ao seu lado. Não podemos viver nossa vida cristã nos perguntando e nos preocupando a cada dia se realmente somos salvos. Devemos viver neste mundo esperando a eternidade, por isso abrimos mão de muitas coisas em prol da vida eterna (Jo 12.25). Esta é a maior herança que podemos receber. A vida de Isaque nos mostra que nada é fácil. Mesmo com a prosperidade de Deus, precisamos fazer a nossa parte em fazer as coisas acontecerem.
CPAD/EBD/LIÇÃO 08 - ISAQUE: HERDEIRO DA PROMESSA - PR. ELSO RODRIGUES👇
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LIÇÃO Nº 7 – UMA PROVA DE FÉ: A ENTREGA DE ISAQUE
INTRODUÇÃO
Nessa lição teremos a oportunidade de refletir sobre a provação de Deus na experiência do patriarca Abraão, compreender que o sacrifício exigido por Deus, era para demonstra tanto a soberania de Deus, como fazer Abraão compreender que o amor a Deus nunca pode ser substituído por suas bençãos. Abraão nos ensina como encarar e tratar as provas de nossa vida para a glória de Deus.
I – PROVAÇÃO DIVINA NA VIDA DE ABRAÃO
A despeito de sua comunhão com Deus, o patriarca Abraão passou por uma experiência nunca antes vivida. Nessa passagem bíblica, encontramos o pai da fé sendo provado. Deus fez um teste com Abraão, não para fazê-lo tropeçar e assistir a sua queda, mas para aprofundar sua capacidade de obedecer a Deus e verdadeiramente desenvolver seu caráter.
1.1 Definição de provação. Segundo o Aurélio (2004, p. 1649) o termo prova significa: “Aquilo que atesta a veracidade ou autenticidade de alguma coisa”. No hebraico o termo é “nasah” que significa: “testar, tentar, provar, examinar, pôr a prova, fazer uma tentativa”. Na maioria dos contextos a palavra “nasah” tem a ideia de testar ou provar a qualidade de algo ou alguém, às vezes por meio de adversidades ou dificuldades. A tradução “tentar” em geral significa “provar”, “testar”, “pôr a prova”, e não no sentido que a palavra também admite de “atrair para cometer erro” (Harris, et all, 1998, p. 1373 – grifo nosso).
1.2 Diferenças entre provação e tentação. “E aconteceu depois destas coisas, que tentou Deus a Abraão” (Gn 22.1). A expressão “tentou” no hebraico “nasah” aparece aproximadamente quarenta vezes no Antigo Testamento e de forma frequente se refere a Deus testando a fé e a fidelidade de seres humanos, incluindo Abraão (Gn 22.1); a nação de Israel (Êx 15.25; 16.4; 20.20; Dt 8.2,16; 13.3; Jz 2.22; 3.1,4); Ezequias (2Cr 32.31); e Davi (Sl 26.2) (PALAVRA-CHAVE, 2011, p. 800). Embora, a ideia de testar ou pôr a prova, sugere algumas vezes tentar ou atrair alguém ao pecado, dependendo do contexto. Abaixo destacaremos a diferença entre provação e tentação:
1.2.1 A tentação tem um aspecto negativo. No aspecto negativo, a tentação é totalmente diferente da provação. Enquanto àquela visa o aperfeiçoamento e o crescimento do crente, esta visa a queda, destruição e o afastamento de Deus. É importante lembrar que este tipo de tentação jamais tem origem em Deus, mas no diabo que incita a concupiscência do homem (Gn 3.1,6; 1Cr 21.1; Tg 1.13; 2Pe 2.9). Quando o desejo do mal se levanta na mente, não pára aí. A cobiça dá à luz o pecado, e o pecado produz a morte “a morte é assim o produto amadurecido ou terminado do pecado” (Moffatt, apud Moody, sd, p. 7).
1.2.2 A provação tem um aspecto positivo. A provação é o “sofrimento, angústia ou tribulação que tem por objetivo levar o crente a uma experiência mais profunda com Deus. A provação nas Escrituras, também é vista como aquilo que atesta a veracidade de algo. É o processo pelo qual se afere a legitimidade de uma intenção ou fato (Ml 3.10; At 1.3 Rm 5.8; 1 Jo 4.1)” (Andrade, 2006, p. 307). Na “escola da fé”, precisamos, regularmente, passar por provas. De outro modo, jamais ficaremos sabendo onde nos encontramos em termos espirituais.
II – PROPÓSITOS DE DEUS NA PROVAÇÃO DE ABRAÃO
A ordem para que oferecesse o seu filho em sacrifício dá-se em uma linguagem que faz com que a prova seja ainda mais penosa; aqui, cada palavra é uma espada. Assim como o fogo refina o minério para extrair metais preciosos, Deus nos refina através das circunstâncias difíceis. O sacrifício exigido por Deus, tinha consigo o objetivo de fazer Abraão aprender lições espirituais. O Senhor estava querendo aperfeiçoar quatro virtudes que Abraão já possuía, vejamos quais foram:
2.1 Deus provou o seu amor (Gn 22.2). Não restam dúvidas de que Abraão amava a Deus, pois ele é chamado de seu amigo (2Cr 20.7; Is 41.8; Tg 2.23). Todavia, este amor precisava ser aperfeiçoado mediante as provações. Esse pedido exigiu muito de Abraão pelos seguintes motivos: (a) Isaque era o seu filho “toma agora o teu filho”, abrir mão de Ismael foi menos difícil (Gn 21.9-14); (b) o seu único filho “o teu único filho, Isaque”; (c) que ele devotava grande afeição “a quem amas”; (d) por quem esperou vinte e cinco anos (Gn 12.2,4; 21.5); (e) este filho seria seu sucessor e herdeiro das promessas (Gn 15.4); (f) Deus estava lhe pedindo em sacrifício “e oferece-o ali em holocausto”. Como servos do Senhor, devemos amá-lo acima de qualquer coisa (Dt 6.5; Mt 10.37,38; Mc 12.30).
2.2 Deus provou a sua obediência (Gn 22.2,3). Por que Deus pediu que Abraão oferecesse sacrifício humano? As nações pagãs realizavam esta prática, mas Deus a condenava como um terrível pecado (Lv 20.1-5). Embora Abraão não tenha entendido o motivo da ordem de Deus, obedeceu imediatamente. Parece que enquanto caminhava para o monte Moriá meditava sobre o conflito entre a ordem de sacrificar Isaque e as promessas de perpetuar a aliança por meio dele. Todavia, preferiu obedecer à voz divina sem questionar (Gn 22.18). “Obedecer a Deus costuma ser uma luta porque pode significar abrir mão de algo que realmente desejamos” (APLICAÇÃO PESSOAL, 1995, p. 37).
2.3 Deus provou a sua fé (Gn 22.5-8). Abraão tinha convicção que Deus lhe faria uma grande nação por meio de Isaque seu filho, como Deus mesmo havia prometido (Gn 12.2; 15.4,5). Para isto precisaria demonstrar essa confiança para si mesmo, estando disposto a sacrificar o seu filho, acreditando que de alguma forma, Deus interviria naquela situação (Gn 22.5). “Porque Abraão já conhecia a fidelidade de Deus, e mesmo o caráter terno, da personalidade de Deus e das promessas de Deus, ele estava confiante de que Deus cumpriria sua promessa, de uma forma ou de outra” (Copan, 2016, p. 51).
2.4 Deus provou a sua perseverança (Gn 22.9,10). Abraão e Isaque viajaram aproximadamente 80 a 100 km de Berseba até o monte Moriá, durante cerca de três dias (Gn 22.3,4). Este foi um momento difícil para Abraão, que estava a caminho de sacrificar o filho amado, Isaque. Sua perseverança estava sendo submetida à prova de obedecer até as últimas consequências. O Senhor o deixou subir ao monte, edificar o altar, pôr a lenha, colocar Isaque sobre o altar, levantar o cutelo e somente na hora final, no limite da perseverança, o Senhor apareceu para intervir (Gn 22.6-13).
III – A PROVISÃO DE DEUS NA PROVAÇÃO
Deus por meio dessa circunstância mostra-nos alguns de seus atributos, pelos quais ficará conhecido não só a Abraão como também aos seus descendentes. Vejamos quais atributos de Deus podem ser vistos no monte do sacrifício: 3.1 O Deus da provisão. Quando interrogado pelo seu filho Isaque, sobre a falta da vítima para o holocausto, Abraão respondeu “Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho” (Gn 22.8). Providência: “É a resolução prévia tomada por Deus, visando a consecução de seus planos e decretos, a preservação de quanto Ele criou e a salvação” (Andrade, 2006, p. 307). Deus revela-se na história como o Deus da providência, nos levando a crer em sua intervenção por mais difícil que seja a provação. “E chamou Abraão o nome daquele lugar: o Senhor proverá; donde se diz até ao dia de hoje: No monte do Senhor se proverá” (Gn 22.14). A declaração: “No monte do Senhor se proverá” nos ajuda a compreender algumas verdades sobre a provisão do Senhor: (a) é preciso adorar a Deus mesmo tendo falta de alguma coisa (Gn 22.5; Hc 3.17,18); (b) devemos estar no altar como Abraão, senão não obteremos a sua provisão (Gn 22.9; Jr 33.3; Mt 6.6); e, (c) é preciso esperar, pois Deus só intervém no momento certo providenciando o necessário (Gn 22.10-13; Fp 4.6; 1Pe 5.7).
3.2 O Deus todo poderoso. Deus já tinha se declarado a Abraão como o Todo poderoso (Gn 17.1). Diante dessa experiência anterior, Abraão se mantém firme diante de um novo desafio, pois tinha a fé para crer que o Onipotente providenciaria o necessário à sua maneira e na hora exata como disse o escritor aos hebreus (Hb 11.17,18).
3.3 O Deus gracioso. No hebraico “Jeová Jiré”, é uma expressão profética da providência divina de um sacrifício substituto, o carneiro (v. 13) (Stamps, 2012, p. 64). Moriá derivada da palavra hebraica “raah”, “fornecer, ver, mostrar”. Assim na própria palavra Moriá “provisão”, temos uma sugestão de salvação e libertação” (Copan, 2016, p. 52). Ao substituir Isaque por um cordeiro, Deus está proclamando sua graça que seria revelada de maneira plena por meio de seu Filho, que é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29). Profeticamente Cristo é visto por Abraão no momento da provisão (Jo 8.56). Isaque não chegou a morrer, mas, “figuradamente” (Hb 11.19); morreu e foi ressurreto dentre os mortos. Jesus, porém, morreu de fato e foi sepultado, mas foi ressurreto de modo triunfante, consumando a maior de todas as provisões, o perdão dos pecados.
IV – A MORTE DE SARA
Depois de contemplar a fidelidade de Deus no monte da provisão, a narrativa bíblica nos conduz agora a um momento de
profunda dor na vida de Abraão. O patriarca que venceu a prova da entrega de Isaque precisaria também enfrentar o sofrimento silencioso da perda de Sara.
4.1 A realidade da morte na experiência humana (Gn 23.1,2). Depois de experimentar uma das maiores vitórias de sua fé no monte Moriá, Abraão agora enfrenta uma das dores mais profundas de sua caminhada: a morte de Sara. O texto bíblico diz: “E foi a vida de Sara cento e vinte e sete anos [...] e morreu Sara em Quiriate-Arba” (Gn 23.1,2). A Escritura mostra que até os homens e mulheres mais piedosos não estão isentos das dores da existência humana. Gênesis constantemente revela a fragilidade da vida humana mesmo em meio às promessas divinas, mostrando que os patriarcas viviam sustentados pela esperança e não pela ausência do sofrimento. Abraão “veio para prantear Sara e chorá-la” (Gn 23.2), demonstrando que a fé não elimina os sentimentos humanos.
4.2 Abraão demonstrou fé mesmo em meio ao luto (Gn 23.3-9). Mesmo profundamente entristecido, Abraão não se entregou ao desespero, mas levantou-se para agir com dignidade e esperança. Ele comprou a caverna de Macpela para sepultar Sara (Gn 23.1620), demonstrando que continuava crendo nas promessas de Deus acerca da terra de Canaã. O patriarca compreendia que aquela terra pertencia ao plano divino para sua descendência. Os homens de fé são moldados justamente nos momentos de transição, dor e incerteza, aprendendo a confiar em Deus mesmo quando não conseguem compreender completamente os caminhos divinos.
4.3 A esperança das promessas divinas permanece acima da morte. A morte de Sara não representou o fim da aliança de Deus com Abraão. Embora a matriarca tivesse partido, a promessa continuava viva através de Isaque, o filho da promessa (Gn 21.12). O texto bíblico mostra que os patriarcas viviam olhando para algo maior do que esta vida terrena, pois “esperavam a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus” (Hb 11.10). Sara morreu, mas a promessa não morreu com ela. Isso aponta profeticamente para Cristo, em quem a morte foi vencida definitivamente (1Co 15.54-57). O Deus que sustentou Abraão no luto continua sustentando os seus servos hoje, mostrando que nenhuma perda é capaz de anular aquilo que Ele prometeu.
CONCLUSÃO
Aprendamos com Abraão que a provisão de Deus é garantida para os que nele confiam sem reservas, obedecendo mesmo
nas provas mais difíceis, como no sacrifício de Isaque. E aprendamos também, através da morte de Sara, que a fidelidade do Senhor permanece firme mesmo nos momentos de dor e perda. Assim, o casal patriarcal nos ensina que viver pela fé é confiar em Deus tanto nos altares da entrega quanto nos vales do sofrimento.
Abraão e Isaque Cantado Com Letras ( Alceu Pires )👇
LIÇÃO Nº 7 – UMA PROVA DE FÉ: A ENTREGA DE ISAQUE
O sacrifício de Isaque é o ápice da fé de Abraão.
INTRODUÇÃO
- Na sequência do estudo do legado dos patriarcas, encerraremos o estudo a respeito de Abraão.
- O sacrifício de Isaque é o ápice da fé de Abraão.
I – O DESAFIO DA FÉ
- No capítulo 22 do livro do Gênesis, encontramos um dos mais dramáticos relatos das Escrituras Sagradas, uma incompreensão aos olhos humanos que, entretanto, revela a sublimidade e o ponto culminante da vida de fé do patriarca Abraão.
- É graças a este fato, aliás, que Abraão assume, em definitivo, a condição de "pai da fé", que lhe é reconhecida pelas três grandes religiões monoteístas do planeta.
- O episódio do capítulo 22 do livro do Gênesis é conhecida pelos estudiosos da Bíblia como sendo o "sacrifício de Isaque", sendo que os judeus o denominam de "Akedah", que quer dizer, atadura ou atar, visto que Isaque não foi sacrificado, mas atado junto ao altar e salvo na última oportunidade.
- O capítulo 22 do livro do Gênesis começa com uma expressão forte: " E aconteceu depois destas coisas, que tentou Deus a Abraão".
- A expressão "tentou Deus a Abraão" é melhor traduzida como "Deus pôs Abraão à prova" (como consta da Nova Versão Internacional, da Versão Almeida Revista e Atualizada, da Nova Almeida Atualizada, Nova Versão Transformadora) ou "Deus provou a Abraão" (Versão Almeida Revista e Corrigida Fiel) ou, ainda, “Deus experimentou a Abraão” (Tradução Brasileira), pois, como diz o apóstolo Tiago, Deus não tenta a pessoa alguma (Tg.1:13).
- Esta, entretanto, não foi a única prova por que Abraão passou. Como ensinou o grande mestre e filósofo judeu Maimônides (1135-1204), Abraão teve de suportar dez provas: 1 - teve de peregrinar como um estrangeiro desde a sua chamada; 2 - a fome que encontrou em Canaã, depois da promessa de que Deus lhe faria uma grande nação; 3 - a violação de direitos humanos elementares quando os egípcios levaram Sara a Faraó; 4 - a luta contra quatro reis conquistadores; 5 - a tomada de Agar como esposa, depois que perdeu toda a esperança de ter um filho com Sara; 6 - a circuncisão em idade avançada por ordem divina; 7 - a atrocidade perpetrada por Abimeleque , que prendeu Sara; 8 - a despedida de Agar; 9 - a separação de Ismael e 10 - o sacrifício de Isaque (TORÁ: a lei de Moisés. Trad. de apud Meir Matzliah Melamed, nota a Gn.12:15, p.30-1).
- Muito se tem discutido a respeito da natureza desta prova imposta ao patriarca Abraão, tendo em vista que, pelo conceito da lógica humana, seria, realmente, impensável que Deus pudesse vir a pedir Isaque em sacrifício.
- Assim, há aqueles que não admitem sequer a possibilidade de que Deus estivesse, mesmo, querendo Isaque em sacrifício, ainda que Deus o tivesse pedido explicitamente, porque uma tal ordem, dizem, contrariaria todo o caráter divino.
- Contudo, assim não pensamos, pois são as Escrituras que afirmam que de Deus saiu esta ordem e Deus é soberano, podendo, pois, exigir tal coisa de Seu servo, ainda que, explicite-nos o texto, o Seu propósito fosse o de pôr à prova Abraão e não o de ter Isaque como oferta.
- Aliás, é assim que se expressa Flávio Josefo: "... Deus lhe concedeu o que desejava, mas quis antes experimentar a sua fidelidade..." (JOSEFO, Flávio. Antiguidades Judaicas I.13.39. In: História dos hebreus. Trad. de Vicente Pedroso, v.1, p.35).
Lição 06 O nascimento de Isaque
O 'concerto' de Deus é uma relação de amor e lealdade entre o Senhor e o seu povo escolhido. [...] No 'concerto', a resposta do homem contribui para o cumprimento do 'concerto'; contudo, a ação do homem não é causativa. A garça de Deus sempre vai adiante e produz a resposta do homem." (p. 76). Partindo dessa premissa, podemos compreender que as promessas feitas a Abraão exigiam do patriarca a fé perseverante, mesmo quando o tempo e as circunstâncias castigavam o seu corpo e a sua mente, porém, em seu espírito a promessa de Deus pulsava. Do mesmo modo, somos chamados a praticar a mesma fé de Abraão, pois, assim como o patriarca, também temos um concerto eterno firmado com o nosso Senhor Jesus Cristo. Devemos honrar esta aliança e, assim, desfrutaremos das promessas de Deus.
(Ensinador Cristão p38)
PROFESSOR CARAMURU👆
LIÇÃO Nº 6 – O NASCIMENTO DE ISAQUE
Deus cumpre Sua promessa na vida de Abraão e de Sara, nascendo Isaque.
INTRODUÇÃO
- Na sequência do estudo do legado dos patriarcas, estudaremos o nascimento de Isaque e as consequências dele decorrentes.
- Deus cumpre Sua promessa na vida de Abraão e de Sara, nascendo Isaque.
I – O CUMPRIMENTO DA PROMESSA
- Em Ur dos caldeus, o Senhor chama Abrão e promete fazer dele uma grande nação (Gn.12:1) e que nele seriam benditas todas as famílias da Terra (Gn.12:3).
- Quando o Senhor mostrou a Abrão, cinco anos depois, quando ele deixou Harã, para onde tinha ido com seu pai Terá, ao chegar a Canaã, o Senhor disse que aquela era a terra prometida e que seria dada à sua semente (Gn.12:7).
- Abrão, porém, sabia que sua mulher era estéril (Gn.11:30) e, por certo, deve ter imaginado que a promessa de Deus não passaria por sua mulher, o que explica, por exemplo, tanto o fato de ter levado Ló, seu sobrinho que adotara como filho, em sua peregrinação, o que não estava na ordem divina, como a mentira contada a Faraó e, até mesmo, a sua passividade quando o monarca do Egito tomou Sarai para si.
- A péssima experiência no Egito fê-lo compreender que Sarai estava, de alguma forma, envolvida na promessa e, logo após seu retorno a Canaã, a contenda com seu sobrinho Ló também mostrou ao patriarca que Ló não fazia parte desta promessa.
- A promessa foi renovada por Deus após a guerra em que o patriarca libertou não só seu sobrinho como também os povos das cidades das planícies, quando a bênção dada por Melquisedeque, rei de Salém e a própria aparição de Deus ao patriarca consolidaram as palavras proferidas na chamada em Ur e na chegada a Canaã.
- É importante observar como o Senhor vai tratando com Abrão. Reafirma o que disse e vai, aos poucos, mostrando a Seu servo como isto se dará, progressivamente.
- Assim o Senhor continua agindo ao longo dos séculos, pois não muda (Ml.2:6; Tg.1:17). Não é Deus de confusão (I Co.14:33), mas, como Seus pensamentos e caminhos não são os nossos (Isa.55:8,9), sempre age de forma progressiva, revelando no momento certo como aquilo que disse estará ocorrendo. Não é, à toa, que, via de regra, operava numa “sombra”, numa “escuridade”, em “trevas” (Ex.20:21; Dt.4:11; 5:22,23; I Rs.8:12).
- Ante a eliminação da “hipótese Ló”, Abrão começa a pensar que seu herdeiro seria seu mordomo Eliezer e busca esta confirmação junto a Deus, que, então, lhe diz que o herdeiro seria alguém que sairia das suas entranhas (Gn.15:2,3).
- Entretanto, Abrão ainda não compreendera bem o desígnio divino e, animado pela própria Sarai, procurou conjugar a palavra divina com a lógica humana, adotando a “solução Agar”, tendo, então, um filho seu biológico, como dissera o Senhor, mas que não era filho biológico de Sarai.
- O resultado de tal atitude, como já estudado neste trimestre, foi o silêncio divino por treze anos e, quando da retomada do diálogo, a afirmação divina de que Ismael, o filho de Agar com Abrão, não era, em absoluto, o filho da promessa, mas, sim, aquele que haveria de nascer de Sarai, cujo nome, na oportunidade, foi mudado para Sara.
- Abrão, cujo nome fora mudado para Abraão, riu-se desta afirmação divina e o Senhor não só reafirmou o que dissera quando ainda disse que a criança deveria chamar-se Isaque, cujo significado é “riso”.
- Renovada a promessa, a que se acresceu o pacto da circuncisão, o Senhor aparece também a Sara, para confirmar a promessa e ela, a exemplo de seu marido, também riu, sendo repreendida por tal atitude.
REDE BRASIL👇
Ciro Zibordi 👇
Lembrem-se da mulher de Ló
Não sabemos o nome dessa mulher. Mas ela entrou para a história pelos seus ATOS que precisam ser analisados por todos nós, visto que foi recomendado por Jesus.
• ESCAPAR
• NÃO OLHAR PARA TRÁS
• FUGIR PELA CAMPINA E IR para os MONTES.
O julgamento para ela foi imediato.
O que aprendemos com a Mulher de Ló?
Talvez a lição principal que muitos afirmam é que ela OLHOU PARA TRÁS não é? Mas, todos sabemos que essa ordem negativa tem também um aspecto positivo. Ela equivale a OLHAR PARA FRENTE! Ora, então inferimos disto que, ela não apenas olhou para trás. Ela DEIXOU DE OLHAR para FRENTE. Ela deixa claro com seu GESTUAL que não interessava a salvação que Deus lhe proporcionara e isto significava olhar para frente. Seu CORAÇÃO ainda estava em SODOMA (Mesmo que a cidade estivesse em plena DESTRUIÇÃO) e ela deixa isso claro em sua atitude. "Pois, onde estiver o teu tesouro, ali também estará o teu coração". (Mateus 6:21). Isto lhe custou a vida.
Nossa caminhada é SEMPRE para FRENTE.
Nosso OLHAR é sempre para CRISTO, (Olhai para mim e sereis salvos (Is. 45.22) Ele é Nosso Alvo e nossa esperança.
Não somos daqueles que RETROCEDEM. Não somos daqueles que OLHAM para trás. Nosso alvo é a pátria celestial. Nada, absolutamente NADA pode nos afastar de conquistarmos nossa HERANÇA em Cristo Jesus, a quem OLHAMOS FIRMEMENTE pois Ele é o Autor da nossa Fé (Hb. 12.2) Enquanto estivermos com OS OLHOS FIXOS em JESUS, Não temeremos a destruição vindoura.
Prossigamos Pois em Frente, Sempre!
Lição 4 A confirmação de uma promessa
(Ensinador Cristão p38)
LIÇÃO Nº 4 – A CONFIRMAÇÃO DE UMA PROMESSA
INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos sobre a confirmação da promessa de Deus na vida de Abraão. Veremos por que a mudança do nome foi um sinal utilizado por Deus para confirmar a Sua promessa. Analisaremos que Abrão viveu em uma época denominada “Dispensação da Promessa” e, por fim, destacaremos a aliança de Deus com Abraão que estava baseada em muitas promessas, dentre as quais, estão Cristo e a igreja.
I – A FORÇA DO NOME NA CULTURA HEBRAICA
A relevância dada ao nome nas culturas antigas não é a mesma de hoje. Em nossa cultura, o nome de uma criança é escolhido conforme a moda, a combinação ou ao quanto seja agradável aos ouvidos. Nos tempos dos patriarcas, um nome era dado considerando condições, circunstâncias, eventos específicos e, até mesmo, o desejo de que a criança vivesse o significado empregado no seu nome. Para entendermos o porquê a confirmação da promessa de Deus a Abrão tem como sinal a mudança do seu nome, precisamos compreender a importância que Deus e os povos antigos davam ao nome de alguém.
1.1 Nome. A palavra “nome” do hebraico “shem” ocorre diversas vezes na Escritura. No Antigo Testamento o nome pode carregar a memória ou a menção de algo ou alguém. “Originalmente, o termo hebraico shem significava “sinal” ou “senha”, de tal modo que o nome era um meio de identificação de uma pessoa ou coisa. Assim, um nome era um sinal da linguagem que embojava em si mesmo o sentido específico da pessoa ou coisa nomeada, ou seja, o nome servia de comentário breve sobre o indivíduo, na esperança de que ele viveria à altura das expectações envolvidas no seu nome” (Champlin, 2013, p. 516). O nome era visto como um sinal, senha ou comentário. Mudar o nome de Abrão era refazer sua própria história ou mudar as expectativas em torno dela.
1.2 Significados e usos dos nomes. Muitos nomes na Escritura foram dados ou mudados por ocasião de algum acontecimento relevante. A Escritura confere grande importância aos nomes. Vejamos algumas motivações para determinados nomes:
• Eventos marcantes no nascimento da criança lhe determinava seu nome. Foi o caso de Jacó, que significa “usurpador” (Gn 27.36); Benoni, “filho da minha dor”, sempre que alguém o chamasse, seria remetido ao acontecimento do parto (Gn 35.18); Icabô, “foi-se a glória de Israel” (1Sm 4.21,22); Jabez, “dor ou tristeza” (1Cr 4.9).
• Características físicas também determinavam o nome. Esaú, “cabeludo” (Gn 25.25); Edom, “vermelho” (Gn 25.25,30); Labão, “branco”, provável referência à pele ou cabelo (Gn 24.29); Coré, “calvo” aponta para uma característica física marcante (Nm 16.1). • Exaltar o nome de Deus. Maalalel, “louvor a Deus” (Gn 5.12); Elioenai “meus olhos voltam-se para Yahweh” (1Cr
3.23); Josué, “Yahweh é salvação” (Js 1.1); Israel, “príncipe de Deus” (Gn 32.28).
• Exaltar divindades pagãs. Baal-Hanã significa “baal é gracioso” (Gn 36.38); Esbaal “homem de baaal” ou “baal existe”, nome do filho mais novo de Saul que evidencia a influência do paganismo sobre o rei de Israel (1Cr 8.33); Zorobabel, “nascido na Babilônia” (Ed 3.8-10).
1.3 O nome Abrão. Abrão recebe esse nome de seus pais que eram idólatras (Js 24.2). Não seria absurdo presumir, considerando a vida pagã da sua parentela, que esse nome reverenciasse a alguma das divindades do panteão Caldaico. Segundo o Pastor Elienai Cabral: “o nome original ‘Abrão’ (Gn 11.26) significava ‘pai elevado’ ou ‘pai das alturas’ [...] Seu nome ‘Abrão’ tinha relação com o paganismo de seu pai Terá” (2002, p. 19). Quanto à sua vida pregressa: “Lemos no livro de Josué que, nessa época, em Ur dos Caldeus, Abrão adorava outros deuses, e ele era um astrólogo, por assim dizer. Segundo a tradição interpretativa dos rabinos, a palavra “Abrão” significa “pai elevado”, ou “pai que olha para cima”, o que sugere que Abrão ficava olhando as estrelas para tentar adivinhar o futuro. Assim, podemos presumir que ele era um pagão, quando Deus lhe apareceu” (Nicodemus, 2023, p. 24). Quando Deus muda o nome de Abrão, estava desfazendo seu vínculo com o paganismo e mudando os comentários ao seu respeito. Não seria mais atrelado à qualquer atividade da sua vida antiga, mas serviria ao Deus Todo Poderoso (Gn 17.1) e seria chamado de pai de multidões ainda quando tinha apenas um filho (Gn 16.15). Esses são os passos de fé do patriarca Abraão.
II – A DISPENSAÇÃO PATRIARCAL
2.1 Dispensação. Conforme o teólogo e escritor Scofield, é “um período de tempo durante o qual os homens são testados quanto à sua obediência a alguma revelação específica da vontade de Deus” ou ainda, conforme o Pastor Claudionor de Andrade: “Período de tempo no qual Deus se revela de modo distinto e particular ao ser humano” (1998, p. 124). De modo geral, considera-se sete dispensações: (a) Inocência; (b) Consciência; (c) Governo humano; (d) Promessa; (e) Lei; (f) Graça; (g) Milênio (Champlin, 2013, p. 187). Em todos esses períodos da história o homem foi salvo pela graça por meio da fé (Gn 6.8; 15.6; Sl 32.1,2; Hc 2.4; Gl 2.16; Ef 2.8). Por isso, “As dispensações [...] têm de ser vistas como etapas da revelação de Deus, e não como modos distintos de o homem se salvar. Pois só há um único meio de nos salvarmos: aceitar integralmente a graça que nos oferece o Senhor. Em todas as dispensações, a graça sempre foi abundantemente dispensada” (Champlin, 2013, p. 187).
2.2 Dispensação Patriarcal. Até a instituição da lei e formação da nação de Israel, Deus não fez alianças com nações, mas com indivíduos específicos. Abraão viveu num período denominado de “Dispensação Patriarcal”, porque foi uma época em que a liderança espiritual estava concentrada no chefe de família, o patriarca (Gn 18.19). “A Dispensação Patriarcal representa o período de tempo no qual Deus deu a Abraão as várias porções da aliança que leva seu nome, e os anos nos quais ele e sua descendência viviam exclusivamente debaixo da mesma”. Também é conhecida como “Dispensação da Promessa” porque “teve início com a aliança de Deus com Abraão” (Olson 1981, p. 64). Ela durou aproximadamente 430 anos, desde a chamada de Abraão até a saída de Israel do Egito (Gl 3.17; Êx 12.40; Hb 11.9,13).
2.3 Abraão, um modelo de fé. Mesmo antes da revelação especial de Cristo, a salvação nunca foi por obras, mas por fé, pois está escrito que por ela Abel, Enoque, Noé, Abraão, Isaque, Jacó, José e todos os demais alcançaram aceitação diante de Deus (Hb 11.1-40). O escritor aos Hebreus, na denominada “galeria dos heróis da fé”, indica que todos esses foram modelos de fé cada qual em seu tempo (dispensação). Abraão, contudo, foi escolhido para ser um modelo de fé para a sua dispensação e para as próximas (Rm 4.16,17; Gl 3.7,9,14,16,29). Deus exigiu que Ele andasse em Sua presença e fosse perfeito (Gn 17.1), assim como exigiria de Israel o mesmo padrão de fé para que fosse modelo para as demais nações (Êx 19.5,6).
III – A ALIANÇA ABRAÂMICA
Depois da sua primeira chamada em Ur dos Caldeus (At 7.2,3), Deus apareceu ainda sete vezes a Abraão (Gn 12.13,7; 13.14-17; 15.1-21; 17.1-21; 18.1-33; 22.1-18). O Senhor renovou o velho patriarca diversas vezes reafirmando as suas promessas. Mas, como vimos, é na aparição registrada em Gênesis 17 que Deus confirma sua promessa deixando um sinal indelével: a mudança do seu nome e do nome de sua esposa (Gn 17.5-8). As promessas de Deus a Abraão foram muitas, elas se cumpririam no seu presente, no seu futuro e abrangeria sua descendência tanto na carne quanto na fé.
3.1 Promessas a Abraão cumpridas no seu presente. (a) Deus prometeu abençoá-lo (Gn 12.2); (b) fazer dele uma bênção; (Gn 12.2); (c) ser benigno com quem o fizesse bem a Abraão e mal a quem o fizesse mal (Gn 12.3); (d) lhe entregar Canaã (Gn 13.5); (e) ser seu escudo e galardão (Gn 15.1); e (f) ser o seu Deus (Gn 17.7).
3.2 Promessas a Abraão cumpridas no seu futuro. (a) fazer grande o seu nome (Gn 12.2); (b) fazê-lo grandemente frutífero como as estrelas do céu e a areia do mar (Gn 13.16; 15.5; Rm 4.16-25); (c) fazê-lo pai de uma grande nação (Gn 12.2; 18.18); (d) ser progenitor de reis (Gn 17.6); (e) pai de muitas nações (Gn 17.4); e (f) fazê-lo uma benção a todas as famílias da terra (Gn 12.2,3; 18.18).
3.3 Promessas para os herdeiros de Abraão por Isaque. (a) a possessão da terra de Canaã (Gn 12.7; 13.14; 15.18-21; 17.7,8) Yahweh seria o seu Deus (Gn 17.8); possuir a porta dos seus inimigos (Gn 22.17); um descendente (semente) que seria a razão das bençãos a todas as famílias da terra, esse descendente é Cristo (Gn 22.18; Gl 3.16; Gn 3.15).
3.4 Promessas para os herdeiros de Abraão por Ismael. Uma descendência incontável de Ismael (Gn 16.10); os ismaelitas se tornariam uma grande nação (Gn 21.13); repleta de príncipes (Gn 17.20).
3.5. Promessas para os herdeiros de Abraão na fé. (a) herança das promessas de Abraão em Cristo (Gl 3.29); (b) entrada na descendência espiritual de Abraão (Gl 3.7); (c) participação na promessa da salvação para todas as nações (Gn 12.3); (d) a justificação que é uma bênção de Abraão porque ela é feita por meio de Jesus (Rm 3.24 5.1), que é descendente de Abraão (Mt 1.1; Gl 3.16); (e) o recebimento do Espírito Santo (Gl 3.14b); a nova pátria (Hb 11.16). CONCLUSÃO
Mudar o nome de alguém é mudar a sua própria história. Deus continua mudando nomes, mudando histórias. Até nisso somos filhos de Abraão, na fé, pois ele foi o primeiro personagem bíblico a ter o seu nome mudado. Ter o nome mudado é ter o presente e o futuro redirecionados para a glória de Deus. Ele foi chamado para ser exemplo de fé em sua época, para ensinar sua família e receber promessas que se cumpriram, estão se cumprindo e ainda hão de se cumprir. Deus é fiel!
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"AJUDAR A DEUS"REFLEXÃO DEVOCIONAL
Mas o que acontece é que, quando Deus faz uma promessa, Ele não diz quanto tempo vai passar até ela se cumprir. Então, temos aí uma tensão entre a PROMESSA E O CUMPRIMENTO dela. No meio desses dois, está o fator TEMPO. É aqui que reside nossa problemática. Quando Deus faz uma promessa, dentro de nós cresce uma esperança de que aquilo que Ele prometeu se torne real. Imagine, um casal que não tem filhos, herdeiros, agora recebe uma promessa de que, não apenas seria uma família, mas seria uma família global, uma nação que, embora geograficamente pequena, mas seria gigante em sua importância. Ora, é claro que as expectativas de Sara e Abraão estavam elevadíssimas com essa possibilidade. Mas, o tempo, ah, o tempo sempre vem nos lembrar que, embora a promessa tenha sido feita, a nossa fé, esperança e resiliência precisam estar em evidência até o momento do cumprimento dela.
Se isso não acontecer, se não tivermos paciência para esperar, entrará em nossas vidas o desespero e ele, geralmente é bem caótico. Quando estamos desesperados por algo que não alcançamos, temos a tendência de recorrer a outros meios. Sim, somos especialistas em "gambiarras, jeitinho brasileiro" ou soluções paliativas. Não entendemos que Deus não precisa de nossa ajuda para essas coisas.
Como alguém disse: “A condição para um milagre é a dificuldade. A condição para um grande milagre é a impossibilidade”. Deus quer fazer do jeito dele, e o jeito dele é sempre melhor exatamente para a glória ser Dele. Ora, Ele não tinha dito que o filho de Abraão seria de uma “barriga de aluguel”. Sara e Abraão tinham que passar pelo teste do tempo. Eles falharam nesse ponto, ocasionando vários desdobramentos futuros dentro da geopolítica mundial como estamos observando hoje com todos os descendentes de Ismael pelo mundo.
Portanto, façamos o correto. Esperemos pelo cumprimento das promessas de Deus sem criarmos arranjos para que seus propósitos sejam cumpridos. Creia no poder de Deus para agir dentro das impossibilidades que fazem parte do cumprimento da promessa. Assim, quando Deus realizar, ficaremos “como os que sonham”, sorrindo como Sara, alegres pelo cumprimento de suas promessas. Deus é fiel sempre! Creiamos.
Enomir Santos
LIÇÃO Nº 3 – A IMPACIÊNCIA NA ESPERA DO CUMPRIMENTO DA PROMESSA
Abrão não aguardou o momento de Deus.
INTRODUÇÃO
- Na sequência do estudo do legado dos patriarcas, veremos a impaciência que prejudicou a jornada de fé de Abrão.
- Abrão não aguardou o momento de Deus.
I - A CONFIRMAÇÃO DAS PROMESSAS DE DEUS A ABRÃO
- Sem dúvida, perplexos ficaram os povos da terra de Canaã com a demonstração de poderio e de humildade do patriarca que, vencedor de uma grande guerra, mantém-se submisso a seu único Deus, cujo nome é exaltado através de Melquisedeque, bem como rejeita a oferta de riquezas efetuada pelo rei de Sodoma. De maneira surpreendente, volta para sua habitação, rejeitando a fama, as riquezas deste mundo ou qualquer posição social elevada.
- O capítulo 15 do livro do Gênesis começa, então, com mais uma manifestação divina na vida de Abrão. Afirma o texto que, "depois destas coisas, veio a palavra do Senhor em visão".
- Como é importante estarmos em comunhão com o Senhor, sabermos que Deus tem observado cada gesto nosso e que, ao rejeitarmos o mundo e o que ele oferece, o Senhor está sempre disposto a mostrar o Seu agrado com nossa busca contínua de santificação.
OBS: "...Esta generosidade de Abraão foi tão agradável aos olhos de Deus que Ele afirmou que ela não ficaria sem recompensa; pelo que Abraão respondeu: ' E como, Senhor, vossos benefícios me poderia dar alegria, pois que não deixarei a ninguém, depois de mim, que deles possa gozar e possuí-los? '. Ele então ainda não tinha filhos. Deus prometeu-lhe que daria um filho e que a sua posteridade seria tão grande, que igualaria o número das estrelas. Ordenou-lhe em seguida que lhe oferecesse um sacrifício e eis a ordem que ele observou. Tomou uma novilha de três anos, uma cabra e um carneiro da mesma idade, que ele cortou em pedaços e uma rola e uma pomba que ofereceu inteiras, sem partir. Antes de erguer o altar, quando as aves adejavam em torno das vítimas, para se alimentar de seu sangue, ele ouviu uma voz do céu que predisse que seus descendentes sofreriam durante quatrocentos anos grande perseguição no Egito, mas que triunfariam enfim sobre seus inimigos, venceriam os cananeus e se tornariam senhores de seu país.…”.( JOSEFO, Antiguidades Judaicas I. 10.28. In: História dos hebreus. Trad. de Vicente Pedroso. História dos Hebreus, v.1, p.33).
- Deus inicia Sua fala com a expressão "Não temas". Esta expressão é uma segurança para a vida do cristão. Reproduzida por 365 vezes na Bíblia Sagrada (uma para cada dia do ano), é a expressão divina de garantia aos fiéis, àqueles que confiam no Senhor, é a certeza de que vale a pena esperar em Deus e confiar em Suas promessas. Abrão poderia estar se perguntando o que seria de sua vida dali para a frente. Apesar da conquista militar, tinha observado que não era assim que Deus lhe daria aquela terra que a sua semente havia sido prometida e, muito mais do que isto, que semente era esta que até o momento não havia surgido, sendo sua mulher estéril e ele já avançado em dias ? Todavia, diante destas interrogações, Deus simplesmente diz ao patriarca; "não temas". Séculos e milênios mais tarde, a um grupo de discípulos apavorados, que se sentiam sós e perdidos no meio do mar, Jesus repete a mesma expressão: "sou eu, não temais" (Mt.14:27). Da mesma forma, quando estamos atemorizados, sem direção, abalados no rumo que tem tomado nossas vidas apesar das promessas do Senhor, a voz de Deus vem ao nosso encontro e nos repete : "não temas".
OBS: Como dizem os poetas sacros Erik Janson e F. da Silva: "Solta o cabo da nau, toma os remos na mão e navega com fé em Jesus e então tu verás que bonança se faz, pois com Ele seguro serás."(estribilho do hino 467 da Harpa Cristã).
- Não temer, não ter medo é confiar em Deus, é crer que as Suas promessas se realizarão apesar de todas as circunstâncias contrárias, apesar de tudo o que está à nossa volta não confirmar em coisa alguma o que Deus tem prometido para nossas vidas se nos mantivermos fiéis.
- Não temer era, para Abrão, ter a convicção que, apesar de não ter se tornado senhor de Canaã, mesmo após aquela estupenda vitória militar, aquela terra seria dada à sua semente, apesar de ele não ter nem um filho sequer, e mais, não ter a mínima possibilidade humana de o ter já que sua mulher era estéril.
OBS: Como afirma este outro hino sacro traduzido/adaptado pelo pastor Paulo Leivas Macalão (1903-1982): "Terra e céus ardendo, os montes 'stão tremendo, mas nas promessas crendo, Deus sempre as vai cumprir." (estribilho do hino 377 da Harpa Cristã).
- Mas Deus não se limita a pedir a Abrão para que não temesse, mas afirma ao patriarca que Ele era "o seu escudo, o seu grandíssimo galardão"(Gn.15:1). Deus é o nosso escudo, ou seja, é a nossa garantia, a nossa defesa, a nossa retaguarda.
PROFESSORA MANUELA BARROS👇
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Mas o que acontece é que, quando Deus faz uma promessa, Ele não diz quanto tempo vai passar até ela se cumprir. Então, temos aí uma tensão entre a PROMESSA E O CUMPRIMENTO dela. No meio desses dois, está o fator TEMPO. É aqui que reside nossa problemática. Quando Deus faz uma promessa, dentro de nós cresce uma esperança de que aquilo que Ele prometeu se torne real. Imagine, um casal que não tem filhos, herdeiros, agora recebe uma promessa de que, não apenas seria uma família, mas seria uma família global, uma nação que, embora geograficamente pequena, mas seria gigante em sua importância. Ora, é claro que as expectativas de Sara e Abraão estavam elevadíssimas com essa possibilidade. Mas, o tempo, ah, o tempo sempre vem nos lembrar que, embora a promessa tenha sido feita, a nossa fé, esperança e resiliência precisam estar em evidência até o momento do cumprimento dela.
Se isso não acontecer, se não tivermos paciência para esperar, entrará em nossas vidas o desespero e ele, geralmente é bem caótico. Quando estamos desesperados por algo que não alcançamos, temos a tendência de recorrer a outros meios. Sim, somos especialistas em "gambiarras, jeitinho brasileiro" ou soluções paliativas. Não entendemos que Deus não precisa de nossa ajuda para essas coisas.
Como alguém disse: “A condição para um milagre é a dificuldade. A condição para um grande milagre é a impossibilidade”. Deus quer fazer do jeito dele, e o jeito dele é sempre melhor exatamente para a glória ser Dele. Ora, Ele não tinha dito que o filho de Abraão seria de uma “barriga de aluguel”. Sara e Abraão tinham que passar pelo teste do tempo. Eles falharam nesse ponto, ocasionando vários desdobramentos futuros dentro da geopolítica mundial como estamos observando hoje com todos os descendentes de Ismael pelo mundo.
Portanto, façamos o correto. Esperemos pelo cumprimento das promessas de Deus sem criarmos arranjos para que seus propósitos sejam cumpridos. Creia no poder de Deus para agir dentro das impossibilidades que fazem parte do cumprimento da promessa. Assim, quando Deus realizar, ficaremos “como os que sonham”, sorrindo como Sara, alegres pelo cumprimento de suas promessas. Deus é fiel sempre! Creiamos.
Enomir Santos.
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LIÇÃO Nº 3 – A IMPACIÊNCIA NA ESPERA DO CUMPRIMENTO DA PROMESSA
INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos o capítulo 16 do livro de Gênesis, que registra a ocasião em que Abrão, seguindo o costume da terra e o conselho de sua esposa Sarai, numa tentativa de “ajudar” a Deus a cumprir com a Sua promessa, possui a escrava egípcia Agar, que gera a Ismael. Esta atitude precipitada de Abrão gerou uma série de conflitos familiares que perduram até os dias de hoje. Definiremos o termo “impaciência”; citaremos outros exemplos bíblicos de pessoas que não tiveram paciência de esperar o cumprimento da promessa de Deus; Veremos como ocorreu a proposta de Sarai para Abrão e o consequente nascimento de Ismael; e, finalmente, elencaremos recomendações bíblicas sobre a paciência.
I – DEFINIÇÕES E EXEMPLOS DE IMPACIÊNCIA NA BÍBLIA
1.1 Definição. O dicionarista Houass (2011, p. 1578) define o termo “impaciência” como: “qualidade, estado ou condição de impaciente; falta de paciência; incapacidade para sofrer sem se desesperar ou para suportar algo molesto ou incômodo; pressa em atingir algum objetivo; estado de preocupação, irritação, aborrecimento ou irritabilidade”. Foi esta a atitude de Abrão e Sarai: impaciência para esperar o cumprimento da promessa de Deus. Deus havia feito a promessa a Abrão (Gn 15.4), que o seu servo Eliezer não seria o seu herdeiro, e sim, um filho gerado por ele. No entanto, ele não teve paciência para esperar o tempo de Deus.
1.2 Exemplos de pessoas impacientes na Bíblia. Além do patriarca Abrão, a Bíblia registra outros exemplos de pessoas que não souberam esperar o tempo de Deus. Vejamos alguns:
1.2.1 O povo de Israel. Enquanto Moisés demorava no monte, o povo perdeu a paciência e pressionou a Arão para fazer um ídolo para ir adiante do povo na peregrinação com destino a Terra de Canaã. Resultado: esta atitude provocou a ira de Deus e a morte dos idólatras (Êx 32.1-35).
1.2.2 O rei Saul. Não teve paciência para esperar o profeta Samuel que iria oferecer sacrifício ao Senhor, e ele mesmo sacrificou (1Sm 13.8-14). Resultado: foi rejeitado por Deus e o reinado não perpetuou através de sua linhagem. Estes e outros textos da Bíblia nos ensinam que a impaciência geralmente revela a falta de confiança no tempo de Deus e o foco no imediato, não no que é eterno. As consequências pela falta de paciência são inevitáveis.
II – A ATITUDE PRECIPITADA DE ABRÃO E SARAI E AS CONSEQUÊNCIAS DA IMPACIÊNCIA DE AMBOS
O capítulo 16 de Gênesis, relata um momento de impaciência de Abraão e Sarai diante da promessa de Deus. Como Sarai não podia ter filhos, ela decide entregar sua serva egípcia, Agar, a Abraão para gerar um filho em seu lugar. Abraão aceita, e Agar engravida e dá à luz a Ismael. Essa atitude precipitada de Sarai trouxe diversas consequências para a família do patriarca Abrão, e foi registrada nas Sagradas Escrituras para que possamos evitar cometer os mesmos erros que eles cometeram. Vejamos como se deu esta atitude impaciente e precipitada do nosso pai na fé: 2.1 A esterilidade de Sarai e sua decisão precipitada (Gn 16.1). “Apesar de saber que lhe cabia prover um herdeiro a Abrão, Sarai não lhe dava filhos (Gn 16.1). Era dez anos mais jovem que Abrão (Gn 17.17), mas já estava com 75 anos e “já lhe havia cessado o costume das mulheres” (Gn 18.11), ou seja, havia passado da idade de ter filhos. Sarai atribuía sua esterilidade ao Senhor que me tem impedido de dar à luz filhos (Gn 16.2a). Como qualquer outra mulher (com algumas possíveis exceções em tempos modernos), Sarai desejava ter uma família e, portanto, elaborou um plano para obtê-la” (Adeymo, 2010, p. 35).
2.2 A decisão precipitada de Sarai (Gn 16.2,3). “Seguindo um costume da terra, Sarai ofereceu a Abrão sua serva egípcia Agar, para que Abraão gerasse filho através dela. “Entre o povo da Mesopotâmia, o costume, quando a esposa era estéril, era deixar que a sua serva tivesse filhos com o esposo. Esses filhos eram considerados filhos legítimos daquela esposa. (1) Apesar de existir então esse costume, a tentativa de Abrão e Sarai de terem um filho através da união de Abrão com Agar não teve a aprovação de Deus (Gn 2.24). (2) O NT fala do filho de Agar como sendo o produto do “esforço humano segundo a carne”, e não “segundo o Espírito” (Gl 4.29). Segundo a carne, equivale ao planejamento puramente carnal, humano, natural. Noutras palavras, nunca se deve tentar cumprir o propósito de Deus usando métodos que não são segundo o Espírito, mas esperando com paciência no Senhor e orando com fervor” (Stamps, 1995, p. 55, grifo nosso).
2.3 A gravidez de Agar e o conflito com Sarai (Gn 16.4-6). “Não tardou e as consequências do ato precipitado de Sarai se manifestaram. A primeira delas foi a ingratidão de Agar para com sua senhora. Mesmo sendo honrada pelo ato generoso, embora errado, de ter sido colocada nos braços de Abrão, para que este pudesse ter um filho e a promessa de Deus se cumprisse, a serva egípcia se comportou como uma competidora. Ela passou a desprezar sua senhora, certamente lhe causou inveja e malestar. Talvez tenha dito a Sarai: “Está vendo? Ele me ama mais do que a você!” ou “Eu sou mais abençoada por Deus que você!”, “Você é estéril, e eu estou grávida!”. Palavras como essas, se foram ditas, podem ter feito doer grandemente o coração de Sarai. Provavelmente, ela se arrependeu de ter tido a ideia de entregar sua serva a Abrão. Mas já era muito tarde” (Renovato, 2026, p. 35).
III – A FUGA DE AGAR, O ENCONTRO COM O ANJO DO SENHOR E O NASCIMENTO DE ISMAEL
Após a gravidez de Agar, começam os conflitos no lar do patriarca Abrão. Sarai começou a ser menosprezada por sua serva Agar. Então, Abrão deu carta branca a Sarai para fazer o que ela bem entendesse com sua serva. Sarai, então a afligiu e ela fugiu de sua face e o anjo do Senhor a encontrou no caminho. Vejamos:
3.1 A fuga de Agar e o encontro com o Anjo do Senhor (Gn 16.7–9). Depois de afligida por Sarai, Agar fugiu de sua face e encontrou-se com o anjo do Senhor. “O “anjo do Senhor” (às vezes chamado “o anjo de Deus”) é mencionado mais de 60 vezes na Bíblia e é o porta-voz pessoal de Deus e seu representante diante da humanidade. Em certas ocasiões no Antigo Testamento, o anjo praticamente é identificado com o próprio Deus, como no encontro de Jacó em Betel, com Moisés na sarça ardente e no livramento do Egito (Gn 31.13; Êx 3.2; Jz 2.1). Na época de Abraão, o anjo apareceu a Agar no deserto e disse-lhe que voltasse para sua senhora Sarai; prometeu também que Deus multiplicaria grandemente seus descendentes (Gn 16.712) (Gardner, 2016, p. 129).
3.2 A promessa a respeito de Ismael (Gn 16.10–12). O Anjo do Senhor fala a Agar e promete que sua descendência será extremamente numerosa, impossível de contar (Gn 16.10). Em seguida, anuncia o nascimento de seu filho, que deverá se chamar Ismael, porque Deus ouviu o seu sofrimento (Gn 16.11). Também descreve o caráter e o destino de Ismael: ele seria um homem indomável, comparado a um jumento selvagem; viveria em conflito com todos, e todos estariam contra ele, habitando em tensão e oposição com seus irmãos (Gn 16.12). “Agar deve ter sentido grande surpresa e alívio, ao ouvir as palavras do Anjo. Refeita do impacto das promessas, a serva de Sarai, cheia de ânimo, expressou sua alegria. “E ela chamou o nome do Senhor, que com ela falava: Tu és Deus da vista, porque disse: Não olhei eu também para aquele que me vê? Por isso, se chama aquele poço de Laai-Roi; eis que está entre Cades e Berede” (Gn 16.13-14) (Renovato, 2026, p. 37).
3.3 O nascimento de Ismael (Gn 16.15–16). Abrão era da idade de oitenta e seis anos quando Ismael nasceu (Gn 16.16). “O nome Ismael significa Deus ouve e significa que Deus viu o modo injusto de Abrão e Sarai tratarem Agar, e que também agiu a respeito disso. Aquele nome dado antecipadamente foi um julgamento sobre Abrão, e revela que Deus abomina toda e qualquer injustiça entre os seus” (Stamps, 1995, p. 56). Os acontecimentos deste capítulo mostram claramente que escolhas erradas geram problemas persistentes. O erro de Abrão criou conflitos entre ele e Sarai (Gn 16.5; Gn 21.8-21; 25.6), entre Sarai e Agar (Gn 16.5-6) e entre os filhos, Isaque e Ismael, e seus descendentes (Gn 21.8-10).
IV – RECOMEDAÇÕES BÍBLICAS ACERCA DA PACIÊNCIA
Assim como a Bíblia adverte acerca do perigo da impaciência, ela também nos exorta a esperar com paciência. Vejamos alguns exemplos:
4.1 No Antigo Testamento.
• “Descansa no Senhor e espera nele...” (Sl 37.7).
• “Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera, pois, no Senhor” (Sl 27.14).
• “Somente em Deus espera silenciosa a minha alma... Ó minha alma, espera somente em Deus...” (Sl 62.1,5).
• “Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças...” (Is 40.31).
• “Por isso o Senhor esperará, para ter misericórdia de vós... bem-aventurados todos os que nele esperam” (Is 30.18).
4.2 No Novo Testamento.
• “Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa” (Hb 10.36).
• “...sejais imitadores daqueles que, pela fé e paciência, herdam as promessas” (Hb 6.12).
• “Sede, pois, irmãos, pacientes... fortalecei o vosso coração...” (Tg 5.7,8).
• “Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos” (Rm 8.25).
• “Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança, porque fiel é o que prometeu” (Hb 10.23).
CONCLUSÃO
A impaciência de Abrão e Sarai acarretaram drásticas consequências não só para suas famílias, mas, também, para toda
humanidade, pois, ainda hoje existe rivalidade por parte dos descendentes de Isaque e de Ismael. Esperar em Deus não é fácil, mas, nunca é tempo perdido. Por isso, não devemos nos precipitar que querer “ajudar” a Deus a cumprir com as Suas promessas. O que Ele prometeu, Ele cumprirá, no tempo determinado, pois Ele não falha, não atrasa e não chega incompleto. Cada promessa tem o seu tempo certo e a maneira certa para se cumprir
LIÇÃO Nº 2 – A FÉ DE ABRÃO NAS PROMESSAS DE DEUS
A fé de Abrão teve contínuo desenvolvimento.
INTRODUÇÃO
- Na continuidade do estudo sobre o legado dos patriarcas, estudaremos o hoje o início da jornada de fé de Abrão.
- A fé de Abrão teve contínuo desenvolvimento.
I – A DESCIDA DE ABRÃO AO EGITO
- Na lição passada, deixamos Abrão num estágio de plena comunhão com Deus. Após ter seguido para Canaã, de ter visto uma terra habitada por pessoas más (Gn.15:16), Deus lhe aparece e promete dar aquela terra à semente de Abrão.
- Apesar de todas as circunstâncias contrárias, Abrão crê na palavra do Senhor, adora-O e, depois, parte para Betel (que não tinha ainda este nome, como vimos) e ali invoca o nome do Senhor.
- Era um homem que estava em plena comunhão com o Senhor, que crescia espiritualmente, pois, como diz Matthew Henry, grande comentarista bíblico, Deus estava Se revelando a Abrão gradativamente.
- Entretanto, quando havia esta comunhão e esta crescente intimidade entre Abrão e Deus, surge um sério problema na vida do patriarca: a fome.
- Dizem as Escrituras, em Gn.12:10, que havia fome naquela terra. Desta fome, Abrão não foi poupado e, assim, surge, na vida do patriarca próspero e com grande patrimônio, um problema inesperado. Estava em terra estranha, habitada por gente que não era boa, sem residência fixa, com uma promessa de que aquela terra seria dada à sua semente, sendo que nem um filho sequer Abrão tinha e, agora, vê-se ameaçado o seu patrimônio.
- O fato de Deus não ter impedido que Abrão sofresse as consequências da fome sobre a terra de Canaã é mais um episódio que desmente os teólogos da prosperidade, que, desde os tempos do patriarca Jó, propalam que o servo de Deus jamais pode passar por dificuldades econômico-financeiras.
- Deus é o dono de todo o ouro e de toda a prata, não há dúvida alguma sobre isto, mas está muito mais interessado em que aprendamos a depender d’Ele inteiramente, a termos comunhão com Ele do que venhamos a ter riquezas e abundância de bens nesta vida, correndo, inclusive, o risco de nos apegarmos a estas coisas e, por conta disto, a exemplo do mancebo de qualidade (Mt.19:16-22), virmos a perder a nossa salvação. Para que Abrão pudesse continuar crescendo espiritualmente, necessário se fazia que viesse a lição da dependência também nos assuntos materiais.
- Lamentavelmente, entretanto, Abrão não aprendera, ainda, esta lição. Sobrevindo a dificuldade econômico-financeira, não invocou a Deus, como fizera em Betel, nem esperou que o Senhor lhe aparecesse, como fizera em Siquém, mas decidiu “descer para o Egito”, então o país mais promissor do mundo, que começava a se apresentar como nova potência mundial, onde a abundante água do rio Nilo, o maior rio do mundo, não permitia que houvesse dificuldades econômico-financeiras.
- Era uma decisão acertadíssima do ponto-de-vista humano, uma grande demonstração de sabedoria e inteligência humanas, mas um verdadeiro desastre sob o aspecto espiritual. Com efeito, Deus não participou desta decisão, Abrão decidiu ir para uma terra que não era a mostrada nem a prometida por Deus e, ainda mais, sem consultar ao seu Senhor.
LIÇÃO Nº 2 – A FÉ DE ABRÃO NAS PROMESSAS DE DEUS
INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos sobre a fé de Abraão nas promessas de Deus. Veremos que a sua fé o legitimou como pai de todos os que creem (Rm 4.16). Analisaremos que as promessas de Deus não só o alcançaram, mas também a toda sua descendência, tanto física quanto espiritual e, por fim, destacaremos aprendizados da sua jornada de fé até o cumprimento das promessas.
I – ABRAÃO, O PAI DA FÉ
1.1 Pai na fé. O nome “Abrão” (’abrãm) significa literalmente “Pai [Deus] é alto”. Quando Deus estabeleceu a sua aliança com ele (Gn 17.1,2), disse: “Teu nome será Abraão (‘abrãhãm), porque por pai de numerosas (‘ab-hamôn) nações eu te constituí” (v.5). A mudança do nome faz com que ’ãb “pai”, se aplique agora ao próprio Abrão. Posteriormente ele será considerado pai dos fiéis tanto no sentido da atitude subjetiva de fé (Gl 3.7; Rm 4.16) como em relação à sua herança objetiva de justiça (Gl 3.29; Rm 4.11,13) (Harris; Archer; Waltke, 2012, p.6). Jesus disse que todo aquele que vive na prática da mentira é filho do diabo, porque o diabo é pai da mentira. Assim, todo o que vive pela fé é filho de Abraão, porque ele é pai da fé. 1.2 Abrão é pai de todo aquele que crê. “E creu ele no Senhor, e foi-lhe imputado isto por justiça” (Gn 15.6). Este versículo fala da “atitude subjetiva da fé”, que se refere à resposta pessoal do indivíduo, o ato de crer em Deus e confiar em sua promessa. São as disposições internas de confiar e se manter firme no que Deus disse: “A fé [...] é um ato da inteligência e da vontade [...] consiste na confiança que se tem no testemunho que Deus dá de si mesmo” (Davis, 1990, p. 222). Abrão confiou na Palavra de Deus e, por isso, foi aceito e declarado justo. É somente pela fé que nós, como Abrão, somos considerados justos (Gn 15.6; Rm 3.28; 4.5; 5.1; Gl 2.16) e somos aceitos por Deus (Jo 1.12; At 10.43; Ef 2.8,9; Hb 11.6). Portanto, no sentido subjetivo da fé, Abrão é pai de todos os que creem porque teve primeiro a mesma experiência de fé que todo crente tem quando lhe é pregado o Evangelho (Gl 3.8).
1.3 Abrão creu em Deus. Abrão levantou a bandeira da fé monoteísta (crença em um só Deus) quando a grande maioria das pessoas de sua época era politeísta (crença em vários deuses) ou henoteísta (crença em um Deus supremo e em outros deuses menores). Viveu em Ur dos Caldeus (Gn 11.28), região da Mesopotâmia (c. 2.000 a.C.). Lá era adorado um panteão com diversos deuses (Swindoll, 2015, p. 11). Na biblioteca de Nínive, no século VII a.C., foram catalogados aproximadamente 2.500 deuses dos tempos de Abrão. Os principais eram: Anu, deus do céu e sua esposa Inana, deusa do amor e da fertilidade; Enlil, deus do ar e sua esposa Ninlil; Enki, senhor das águas profundas e da sabedoria, e sua esposa Damgal; Sin era o deuslua e sua esposa Nigal; Shamash, deus-sol e sua esposa Aya; Sumutu, filho de Sin, deus do poder, da justiça e da guerra. Há ainda deuses: da tempestade, do submundo, das pragas, das enfermidades, das febres, da ciência, da escrita, da vegetação, da caça, dentre outros (Champlin, 2013, p. 425). Abrão e seus parentes eram idólatras antes de conhecerem a Deus (Js 24.2). Deus o chamou (Gn 12.1ss), ele creu e obedeceu (Gn 12.4) e sua obediência de fé seria imputada como justiça (Rm 4.3; Gl 3.6). Isso o faz ser considerado pai da fé, pois foi o primeiro a seguir uma jornada de fé que povos e nações mais tarde também seguiriam.
II – COMO FILHOS DE ABRAÃO, SOMOS SEUS HERDEIROS 2.1 Abrão é pai de todos que recebem bênçãos pela fé. Quando Abraão creu em Deus, ele obedeceu em tudo. Como resposta à sua fé, Deus o justificou (Rm 4.1-5) e confirmou todas as promessas que lhe tinha feito. Essas promessas incluíam especialmente a vinda do Filho de Deus como seu descendente (Gn 22.18). Por isso nós somos herdeiros das promessas feitas a Abraão, porque a promessa principal é Cristo, e Ele é a nossa maior bênção (Rm 8.32; Gl 3.14; Ef 1.3; Cl 3.4). Deus disse que abençoaria Abraão, o faria uma bênção (Gn 12.2) e que por meio dele, todas as pessoas da terra seriam abençoadas (Gn 12.3b). Paulo explica que a bênção de Abraão chega aos gentios por meio de Jesus Cristo (Gl 3.14). Portanto, podemos dizer com segurança que as bênçãos que herdamos de Abraão são o próprio Cristo e todos os benefícios recebidos por Ele por meio da fé: a justificação (Gn 15.6; Rm 4.3), a promessa do Espírito Santo (Gl 3.14b), a entrada na descendência espiritual de Abraão (Gl 3.7,29) e a participação na promessa da salvação para todas as nações (Gn 12.3). Essas bênçãos constituem a “herança objetiva de justiça”, isto é, as bênçãos prometidas a Abraão e concedidas aos que creem em Cristo. Observemos: 2.1.1 Jesus é descendente de Abraão. Jesus é filho de Abraão (Mt 1.1). Comentando (Gn 22.18), onde é dito: “E em tua semente serão benditas todas as nações da terra”, Paulo disse: Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua posteridade. Não diz: e às posteridades como falando de muitas, mas como de uma só: e à tua posteridade, que é Cristo” (Gl 3.16). O apóstolo declara Cristo como “descendente de Abraão por excelência, e todos os que estão nEle são igualmente filhos de Abraão” (Guthrie, 2011, p. 128). “Semente” é o mesmo que “posteridade”. São termos sinônimos.
2.1.2 Quem crê em Cristo se torna descendência de Abraão. Se alguém é descendente, é herdeiro. E só há uma forma de um gentio entrar na descendência de Abraão: pela fé no seu descendente (Gl 3.29), porque ele, Abraão, é pai de todos os que creem (Rm 4.11,16).
2.1.3 Recebemos bênçãos de Abraão por meio de Cristo. A promessas de Deus a Abraão é profunda: “em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). O apóstolo Paulo afirmou que as bênçãos espirituais aos crentes passam por Abraão, porque Jesus Cristo vem dele: “Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé, nós recebamos a promessa do Espírito” (Gl 3.14).
2.1.4 A justificação é uma bênção de Abraão. A grandeza de Abraão está em Cristo. O Filho de Deus, sendo seu descendente, elevou o nível das suas promessas. Abraão foi justificado pela fé (Gn 15.6), Deus prometeu abençoar todas as nações através dele (Gn 12.3), Paulo explicou que essa bênção é a justificação pela fé (Gl 3.8,14), como a justificação é por meio de Cristo e Cristo veio por meio de Abraão (At 13.39; Gl 3.14) é por isso que a justificação é uma bênção de Abraão (Gl 3.29).
III – A FÉ DE ABRAÃO NAS PROMESSAS DE DEUS
A fé de Abrão o levou a viver diversas fases até que chegasse o cumprimento das promessas de Deus. Sua jornada de fé se tornou para nós um manual de como viver, confiar e alcançar as promessas: “Embora cada pessoa tenha uma jornada de fé única, Abraão abriu uma trilha para o restante de nós; sua jornada de fé nos fala sobre nossa própria jornada” (Swindoll, 2015, p. 8). Há uma construção natural de impossibilidades que se levanta diante dos olhos de quem recebe promessas de Deus, e que precisa ser superada. A história de Abrão nos ensina quais são essas impossibilidades e como superá-las pela fé:
3.1 Contradição. Abrão viveu contradições das promessas. Deus disse que ele seria pai de “uma grande nação” (Gn 12.2) e que teria muitos filhos como as estrelas e a areia da praia (Gn 15.5; 22.17). Contudo, sua esposa era estéril (Gn 11.30).
3.2 Precipitação. Havia fome na terra de Canaã (Gn 12.10). Estar no centro da vontade de Deus não isentou Abrão de viver dificuldades. Sem consultar ao SENHOR, ele “desceu para o Egito” (Gn 12.10). Sua precipitação custou muito a ele e a sua esposa mais tarde.
3.3 Medo. Abrão temeu não alcançar as promessas de Deus, então Deus lhe disse: “Não temas, Abrão” (Gn 15.1). Ele demonstrou preocupação por não ter sequer um filho (Gn 15.2,3) e pediu a Deus esclarecimentos de como herdaria a terra prometida (Gn 15.7,8).
3.4 Dedução. Abrão passou a querer entender como teria um herdeiro visto que sua esposa era estéril. Ele deduzia: “só pode ser mesmo Eliézer o meu herdeiro” (Gn 15.3). Deus lhe respondeu: “Este não será o teu herdeiro; mas aquele que de ti será gerado, esse será o teu herdeiro” (Gn 15.4). No capítulo seguinte é dito que sua mulher não lhe gerava filhos (Gn 16.1). Sarai entendeu que Deus estava impedindo-a de gerar (Gn 15.2) e dá a Abrão Hagar para ter filhos dela (Gn 15.3). Com toda certeza, o pensamento de Sarai foi: “Deus disse que sairá de ti o herdeiro, não necessariamente de mim. Deita-te com minha serva, eu adoto o filho dela como meu e a promessa estará cumprida”. Entender os caminhos de Deus nunca será uma opção (Is 55.8,9). Essa manobra trouxe efeitos negativos.
3.5 Tempo. Toda promessa passa pelo teste do tempo. Abrão tinha setenta e cinco anos quando recebeu a promessa (Gn 12.4) e cem anos quando Isaque nasceu (Gn 21.5). Foi um verdadeiro teste de fé de vinte e cinco anos de espera (Rm 4.18). Mas Deus pode restituir até mesmo o tempo perdido (Jl 2.25a). Quando Isaque nasceu, Abraão ainda desfrutou da presença do seu filho por setenta e cinco anos (Gn 25.7) e viu seus netos Jacó e Esaú na fase da adolescência (Gn 25.26).
3.6 Velhice. Abraão e Sara já eram idosos quando Deus apareceu para confirmar as promessas (Gn 18.11). Por ser já muito velho, Abrão não tinha mais vigor para ter filhos (Gn 18.12; Rm 4.19a) e a Sara já havia “cessado o costume das mulheres”, isto é, entrado na fase da menopausa (Gn 18.11). Mas, Abraão foi “fortificado na fé, dando glória a Deus” (Rm 4.20).
CONCLUSÃO
Uma das formas de atestarmos a relevância de um personagem bíblico e de sua história é pela quantidade de espaço que a Bíblia dedica a ele. Na galeria dos heróis da fé, a Bíblia dedica doze versículos para falar do testemunho da fé de Abraão (Hb 11.8-19). Contradição, precipitação, medo, dedução, tempo e velhice são algumas das provas que ele superou crendo nas promessas de Deus. Que a vida desse grande herói da fé possa nos inspirar a crer nas promessas de Deus em nossas vidas.
Dr. Caramuru👇
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LIÇÃO Nº 1 – ABRAÃO: SEU CHAMADO E SUA JORNADA DE FÉ
INTRODUÇÃO
Nesta lição, abordaremos alguns aspectos importantes da vida do patriarca Abraão. Inicialmente, estudaremos o seu chamado; em seguida, destacaremos a sua obediência a Deus; e, por fim, analisaremos como sua trajetória revela uma vida marcada por contínuo aprendizado na caminhada com o Senhor.
I - INFORMAÇÕES SOBRE O PATRIARCA ABRAÃO
A história de Abraão ocupa um lugar central na revelação bíblica, pois marca o início de uma nova etapa na história da salvação. Chamado por Deus para deixar sua terra, sua parentela e a casa de seu pai, Abrão inicia uma jornada que exigia confiança absoluta na promessa divina, mesmo sem conhecer o destino final. Esse chamado não representava apenas uma mudança de lugar, mas uma ruptura com a segurança do passado e um passo de fé em direção ao propósito de Deus. Contudo, sua caminhada não foi isenta de dificuldades, pois ao longo do percurso enfrentou crises, fome, conflitos e até momentos de fraqueza espiritual. Ainda assim, por meio dessas experiências, Deus moldou o caráter do patriarca e revelou que a verdadeira fé se constrói na obediência, na dependência do Senhor e na perseverança diante das provações. Vejamos algumas informações sobre a vida deste patriarca de Israel.
1.1 Origem e identidade de Abraão (Gn 11.26–28; 17.5). Abrão nasceu em Ur dos Caldeus (Gn 11.27–28), importante centro urbano da antiga Mesopotâmia, pertencente à região da Suméria. Segundo Cabral (2002, p. 5), Ur possuía intensa movimentação mercantil e atividade social significativa, características que indicam o ambiente cultural no qual Abrão foi criado. O nome Abrão, mencionado inicialmente na narrativa bíblica, significa “pai elevado” ou “pai das alturas” (Gn 11.26). Posteriormente, no contexto da aliança estabelecida por Deus com o patriarca, seu nome foi mudado para Abraão, cujo significado é “pai de uma multidão” (Gn 17.5). Essa mudança não possui apenas valor nominal, mas carrega profundo sentido teológico e profético, pois aponta para o cumprimento da promessa divina de que ele se tornaria o pai de uma numerosa descendência.
1.2 Ascendência e família de Abraão (Gn 11.10–31; 12.5). Abraão era descendente direto de Sem, filho de Noé, pertencendo assim à linhagem semita apresentada na genealogia de Gênesis 11.10–26. Ele era filho de Terá, figura que ocupa posição importante na transição entre as genealogias pós-diluvianas e o início da história patriarcal. A inclusão dessa genealogia no relato bíblico não é meramente informativa, mas demonstra a continuidade da história da redenção iniciada após o dilúvio, culminando posteriormente na linhagem messiânica apresentada no Novo Testamento (Lc 3.36). No âmbito familiar, Abrão era casado com Sarai (Gn 11.29). A Escritura destaca que ela era estéril (Gn 11.30). Posteriormente, no contexto da aliança divina, Deus também mudou o nome de Sarai para Sara, cujo significado é “princesa” (Gn 17.15). Assim como ocorreu com Abraão, essa mudança de nome expressa a participação dela no cumprimento do propósito divino, indicando que a promessa da descendência seria concretizada por meio dela.
II - DEUS CHAMA ABRAÃO
O chamado de Abraão marca um dos momentos mais importantes da história bíblica. Deus se revela a Abrão e ordena que ele deixe sua terra, sua parentela e a casa de seu pai para seguir em direção a uma terra que ainda lhe seria mostrada (Gn 12.1-4). Esse chamado exigia uma ruptura profunda com sua vida anterior, pois Abrão nasceu em Ur dos Caldeus, uma cidade importante da antiga Suméria, marcada pela prosperidade comercial e pela presença da idolatria (Gn 11.27-28). Portanto, obedecer ao chamado de Deus significava abandonar não apenas um lugar, mas também um contexto cultural e religioso que se opunha ao propósito divino.
2.1 A fé de Abrão diante do chamado (Gn 12.1). A ordem divina foi clara, Abrão deveria sair de sua terra, de sua parentela e da casa de seu pai para uma terra que Deus ainda lhe mostraria (Gn 12.1). Humanamente falando, essa decisão envolvia grande risco, pois Abrão não possuía qualquer informação detalhada sobre o destino da jornada. Sua única referência era a promessa de Deus. Ainda assim, ele decidiu obedecer. A Escritura afirma que Abrão partiu “como o Senhor lhe havia dito” (Gn 12.4). Essa atitude revela que a fé verdadeira se manifesta na obediência. Abrão confiou na palavra divina mesmo sem conhecer todos os detalhes do caminho, demonstrando que a fé caminha baseada na confiança no Deus que chama.
2.2 A promessa para Abrão (Gn 12.2-3). Junto com o chamado, Deus apresentou uma promessa extraordinária. O Senhor declarou que faria de Abrão “uma grande nação”, engrandeceria o seu nome e faria dele uma bênção para todas as famílias da terra (Gn 12.2-3). Essa promessa possui um alcance muito maior do que a vida do próprio patriarca, pois aponta para a formação do povo de Israel e, de maneira profética, para a vinda do Messias. O contraste com a história de Babel é evidente. Enquanto os homens tentaram fazer um nome para si mesmos (Gn 11.4), Deus afirma que Ele mesmo engrandeceria o nome de Abrão por causa de sua obediência.
2.3 As bênçãos de Deus para Abrão. A promessa divina revelava que Deus não apenas chama, mas também abençoa e sustenta aqueles que confiam nele. O Senhor prometeu proteger Abrão, abençoar aqueles que o abençoassem e amaldiçoar os que o amaldiçoassem (Gn 12.3). Contudo, a bênção recebida por Abrão tinha um propósito maior: ele deveria ser um instrumento de bênção para outras pessoas. Essa promessa alcança seu cumprimento pleno em Cristo, pois todos os que creem participam da mesma promessa feita ao patriarca. Assim, Abraão se torna o modelo de fé para todos aqueles que confiam nas promessas de Deus.
III – A OBEDIÊNCIA DE ABRÃO A DEUS
Depois de receber o chamado divino, Abrão demonstrou que sua fé não era apenas teórica, mas prática. A Escritura afirma que ele partiu conforme o Senhor lhe ordenara (Gn 12.4). Essa atitude revela que a verdadeira fé se expressa por meio da obediência. Mesmo sem conhecer plenamente o destino da jornada, Abrão decidiu confiar na palavra de Deus e seguir o caminho que lhe foi apresentado. Entretanto, sua caminhada também revelou momentos de fragilidade e processos de aprendizagem espiritual, mostrando que a fé amadurece ao longo da jornada.
3.1 Atendendo ao chamado (Gn 12.4-5). Abrão respondeu positivamente ao chamado divino e iniciou sua jornada rumo à terra que Deus prometera mostrar. A Bíblia afirma que ele saiu de Harã levando consigo sua esposa Sarai, seu sobrinho Ló e todos os bens que haviam adquirido (Gn 12.4-5). Essa decisão demonstra que Abrão confiou na promessa de Deus mesmo sem possuir todas as respostas. Ele deixou para trás segurança, estabilidade e sua terra natal para caminhar pela direção do Senhor. Esse episódio ensina que a fé verdadeira não depende de garantias humanas, mas da confiança na palavra de Deus.
3.2 Um descuido na obediência (Gn 11.31; 12.5). Apesar de sua disposição em obedecer, Abrão não seguiu o chamado divino de forma totalmente completa. Deus havia ordenado que ele deixasse sua parentela, porém Abrão levou consigo seu sobrinho Ló (Gn 12.5). Esse detalhe revela que, muitas vezes, a obediência humana pode ser parcial. A presença de Ló posteriormente geraria conflitos entre os pastores de ambos e exigiria uma separação entre eles (Gn 13.7-9). Esse episódio mostra que carregar “bagagens” que Deus nos pede para deixar pode trazer dificuldades no caminho da fé.
IV - UMA VIDA DE APRENDIZADO COM DEUS
A estrada da maturidade da fé é um teste constante, no qual as pressões da vida cooperam em forma de “provações” (Tg 1.2), as quais quando enfrentadas com fé e perseverança, nos tornam “maduros e completos” (Tg 1.4). Deus permite circunstâncias adversas a fim de que aprendamos algumas lições. Eis algumas lições que Abraão aprendeu:
4.1 Aprendeu renunciar (Gn 12.1-3). Não foi fácil para Abraão sair de sua terra, de sua parentela e da casa do seu pai. Na verdade, apesar da exigência divina de lhe pedir tal renúncia, ele levou consigo seu pai e também seu sobrinho (Gn 11.31; At 7.2-4). No caminho, seu pai faleceu e seu sobrinho lhe trouxe grandes problemas (Gn 11.32; 13.7; 14.12-14). Abraão aprendeu que não é bom caminhar com aquilo que Deus pede para nos desvencilharmos (Mt 10.37; 16.24,25).
4.2 Aprendeu a depender (Gn 12.10-20). Ao chegar na terra que por Deus foi mostrada e nela encontrar dificuldades, Abraão deveria buscar a Deus sobre como deveria agir nessa situação. Na verdade, a sua própria voz falou mais alto e ele desceu ao Egito afim de garantir sua sobrevivência. Esta descida quase resultou num grande desastre familiar, senão fosse a intervenção divina. Abraão reconheceu que agiu precipitadamente e saiu do Egito retornando para o lugar que Deus lhe dissera (Gn 13.1-4). É melhor estar na dificuldade com Deus do que na facilidade fora da vontade divina (1Pe 3.17).
4.3 Aprendeu a confiar plenamente na promessa de Deus (Gn 22.1–14). Um dos momentos mais marcantes da vida de Abraão ocorreu quando Deus lhe pediu que oferecesse seu filho Isaque em sacrifício no monte Moriá (Gn 22.1-2). Esse pedido representava uma prova profunda de fé, pois Isaque era o filho da promessa, aquele por meio de quem Deus havia declarado que a descendência de Abraão seria estabelecida (Gn 21.12). Mesmo diante dessa situação extremamente difícil, Abraão demonstrou confiança absoluta na palavra de Deus. A Escritura relata que ele se levantou de madrugada e seguiu para o lugar indicado pelo Senhor, revelando prontidão em obedecer (Gn 22.3). Segundo o testemunho do Novo Testamento, Abraão cria que Deus era poderoso até para ressuscitar seu filho dentre os mortos (Hb 11.17-19). No momento decisivo, Deus proveu um cordeiro para o sacrifício (Gn 22.13-14), ensinando ao patriarca que o Senhor sempre provê para aqueles que confiam plenamente em sua palavra. Essa experiência fortaleceu ainda mais a fé de Abraão e reafirmou que a verdadeira confiança em Deus permanece firme mesmo diante das provas mais difíceis.
CONCLUSÃO
A vida de Abraão revela que a fé verdadeira é demonstrada na obediência a Deus, mesmo quando o caminho não está totalmente claro. Ao longo de sua jornada, o patriarca enfrentou desafios, falhou em alguns momentos, mas também aprendeu a confiar cada vez mais na promessa divina. Sua história mostra que Deus forma o caráter de seus servos através das provações. Assim, Abraão permanece como exemplo de fé para todos os que decidem caminhar confiando na palavra do Senhor.
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Professora Emanuela Barros👇
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LIÇÃO Nº 13 – A TRINDADE SANTA E A IGREJA DE CRISTO
INTRODUÇÃO
- Na conclusão do estudo da Doutrina da Trindade, analisaremos a atuação da Santíssima Trindade na Igreja de Cristo.
- Toda a Santíssima Trindade atua na e pela Igreja.
I – A IGREJA DE CRISTO, O POVO DE DEUS NA TERRA
- Na conclusão do estudo da Doutrina da Trindade, analisaremos a atuação da Santíssima Trindade na Igreja de Cristo.
- As Escrituras revelam-nos que, com a vitória de Cristo sobre a morte e o inferno, forma-se um povo diferente, especial, zeloso e de boas obras, a saber, a Igreja.
- A palavra “igreja” surge, pela vez primeira, nas Escrituras, no evangelho segundo Mateus (Mt.16:18), quando é declarada pelo próprio Jesus que, assim, revela o “mistério de Cristo”, como o apóstolo Paulo chamou a “igreja” na epístola aos efésios. É a palavra grega “ekklesia” (εκκλησια), cujo significado é “reunidos para fora”, “chamados para fora”.
- A palavra “ekklesia”, porém, já havia sido utilizada na Versão Grega do Antigo Testamento (a chamada Septuaginta) para traduzir a palavra hebraica “qahal” (קָהָל), que as nossas versões em língua portuguesa costumam registrar como “congregação”, nome pelo qual era conhecida a reunião do povo de Israel, principalmente no tempo da peregrinação no deserto, quando Moisés costumava chamar todo o povo para algumas reuniões solenes à frente do tabernáculo que, por isso mesmo, era denominada de “tenda da congregação” (Nm.10:1-3).
- Notamos, pois, de início, que a palavra “igreja” fala de uma “reunião”, ou seja, um grupo de pessoas. Igreja não é um indivíduo, não é uma pessoa solitária, mas, sim, um grupo de pessoas, um conjunto de pessoas.
- Desta forma, ficamos sabendo, já pela etimologia da palavra, que a salvação proporcionada por Jesus Cristo cria um novo grupo de pessoas, um novo povo. Não se pode, pois, biblicamente falando, ser salvo e permanecer isolado, solitário na vida sobre a face da Terra.
- Este novo povo, esta “igreja”, vem, portanto, realizar, concretizar aquilo que Israel, a “propriedade peculiar de Deus dentre todos os povos” (Ex.19:5,6) era apenas uma figura, um símbolo, uma sombra (Hb.10:1).
- Temos aqui, de imediato, a falsidade da “doutrina do desigrejamento”, que está tendo a adesão de muitas pessoas na atualidade, que defende que, para servir a Jesus, não se necessita estar vinculado a nenhum grupo, pode-se servir a Deus individualmente, como um “desigrejado”, situação que se potencializou após a pandemia do COVID-19.
- Mas “igreja” não é apenas uma “reunião”, mas é o conjunto dos “reunidos para fora”, ou seja, daqueles que foram chamados, convocados, para sair do lugar onde estavam, da sua habitação, como, aliás, acontecia toda vez que Moisés tocava as duas trombetas de prata no deserto, sinal de que todo o povo deveria sair das suas habitações e comparecer até a frente do tabernáculo.
- A “igreja”, pois, não é um povo que se formou por vontade própria, mas que foi resultado de um chamado, de uma ação divina. Por isso, Jesus diz que edificaria a Sua igreja e o apóstolo Paulo a denomina de “lavoura de Deus” e “edifício de Deus” (I Co.3:9).
- A igreja não é uma criação humana, mas, sim, divina, é algo que se construiu pela vontade do Senhor. É uma “reunião” que não é obra de homem algum, mas do próprio Deus.
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Lição 12 O Filho e O Espirito
Jesus continuou a andar cheio do Espírito Santo. Por isso, sempre que o Diabo buscou oportunidade para tentá-lo ainda mais, os resultados foram os mesmos. Jesus 'como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado' (Hb 4.15; 2.10-18). Se estivermos cheios do Espírito Santo na luta contra nossa carne e contra o Aversário, também poderemos vencer nossas tentações com a ajuda do Espírito. Cristo veio para nos salvar dos nossos pecados, e não deles" (2021, p. 399).
(Ensinador Cristão p42)
https://www.youtube.com/watch?v=Xtsqo_Sk168
LIÇÃO Nº 12 – O FILHO E O ESPÍRITO
O Filho também enviou o Espírito Santo
INTRODUÇÃO
- Na sequência deste bloco do trimestre, em que estamos a estudar as relações entre as Pessoas Divinas, analisaremos a relação entre o Filho e o Espírito Santo.
- O Filho também enviou o Espírito Santo.
I – O FILHO TAMBÉM ENVIOU O ESPÍRITO SANTO
- Na sequência do estudo da Doutrina da Trindade, neste bloco dedicado à análise das relações entre as Pessoas Divinas, debruçar-nos-emos sobre as relações entre o Filho e o Espírito Santo.
- A primeira questão que se discutirá é se o Espírito Santo foi também enviado pelo Filho, que é a questão conhecida em teologia como “Filioque”, expressão latina que significa “e o Filho”.
- No Primeiro Concílio de Constantinopla, em 381, que foi convocado para enfrentar o “macedonianismo”, heresia ensinada por Macedônio I, bispo de Constantinopla de 342 até 346 e, depois, de 351 até 360, cujas datas de nascimento e morte são desconhecidas, que negava a divindade do Espírito Santo, chegou-se à conclusão, com base nas Escrituras, que o Espírito Santo era Deus.
- Assim, foi alterado o Credo, um resumo das principais crenças cristãs, que havia sido elaborado no Primeiro Concílio de Niceia, em 325, que ficou conhecido como “Credo Niceno”, a fim de que ficasse clara a divindade do Espírito Santo, já que, no Credo aprovado em Niceia, se tinha apenas a frase: “E também no Espírito Santo” (DFAD 2.ed.. Apêndice. Os Credos Ecumênicos, p.210).
- Na fórmula aprovada no Primeiro Concílio de Constantinopla, teve-se a seguinte redação: “E no Espírito Santo, o Senhor e Vivificador, o que procede do Pai, o que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorificado, o que falou por meio dos profetas;” (DFAD 2.ed. Apêndice. Os Credos Ecumênicos, p.211).
- Diante desta redação, ficava bem clara a divindade do Espírito Santo, pois Ele é chamado “Senhor”, bem como que Ele é adorado e glorificado assim como o Pai e o Filho, ou seja, é estabelecida, sem qualquer margem de dúvida, a coigualdade entre o Espírito Santo e as demais Pessoas Divinas.
- Nesta redação, ainda, é explicitado que o Espírito Santo atuou, primeiramente, por meio dos profetas, invocando-se, aqui, nitidamente, o texto de Hb.1:1, segundo o qual Deus primeiramente Se revelou pelos profetas e, por fim, por meio do Filho.
- Esta invocação do texto de Hb.1:1 também deixa claro que, no texto aprovado, se entendia que o Espírito Santo fora enviado pelo Pai, tanto que os profetas falaram pelo Espírito, o que está de acordo com outros textos como Mc.12:36; Lc.2:26; I Pe.1:12 e II Pe.1:21.
- O Espírito Santo, então, teria sido enviado pelo Pai, e falou por meio dos profetas, até que, então, veio o Filho, igualmente enviado pelo Pai.
- Quando o Senhor Jesus voltou ao céu, pediu ao Pai que mandasse o Espírito Santo (Jo.14:16), e Seu pedido foi atendido, tanto que o Espírito Santo desceu sobre os discípulos no dia de Pentecostes (At.2:4), daí porque ter Cristo chamado o revestimento de poder (At.1:8), o batismo com o Espírito Santo (At.1:1:5), de promessa do Pai (Lc.24:49; At.1:4).
- Assim, tinha-se, pelo que se verifica, a ideia de que o Espírito Santo procedia do Pai, assim como o Filho.
- O Pai era a Primeira Pessoa da Trindade porque enviou as outras duas Pessoas Divinas, mas não foi enviado por nenhuma delas, ou, como afirmou, de modo muito feliz, o Catecismo Maior de Pio X: “25) Por que o Pai é a primeira Pessoa da Santíssima Trindade? O Pai é a primeira Pessoa da Santíssima Trindade, porque não procede de outra Pessoa, mas é o princípio das duas outras Pessoas, que são o Filho e o Espírito Santo.”
- O Filho procedia do Pai por “eterna geração” (Sl.2:7; At.13:33; Hb.1:5; 5:5), enquanto o Espírito Santo, por “aspiração” ou “espiração” (Jo.14:26; 15:26).
- A “eterna geração”, que não se confunde com criação, é a escolha do Filho como sendo Aquele que realizaria a obra salvífica, fazendo-Se homem e morrendo pelos pecadores, oferecendo a Si mesmo como sacrifício perfeito para redenção da humanidade. Desde a eternidade, Ele foi escolhido para ser o Cordeiro que tiraria o pecado do mundo (I Pe.1:18-20; Ap.13:8).
PROFESSORA EMANUELA👆
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Lição 11 - O Pai e o Espírito Santo |
Dentre todos os seus nomes, o favorito de Deus é Pai: Sabemos que Ele ama este nome, porque é o que Ele mais usa. Enquanto esteve na Terra, Jesus chamou Deus de Pai mais de duzentas vezes. Em suas primeiras palavras registradas, Jesus explicou: "Não sabeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?" (Lc 2.49,). Em sua última e triunfante oração, Ele proclamou: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito" (Lc 23.46). Só no Evangelho de João, o Senhor Jesus repetiu este nome 156 vezes. Deus gosta de ser chamado de Pai. Além do que, Jesus não nos ensinou a começar nossa oração com a frase "Aba nosso"?
É difícil para nós entendermos o quanto foi revolucionário haver Jesus chamado Jeová de Aba. O que hoje é uma prática habitual, nos dias de Jesus era algo incomum. Joachim Jeremias, erudito no Novo Testamento, descreve quão raramente o termo era usado:
“Com a ajuda de meus assistentes, examinei a literatura devocional do antigo judaísmo... O resultado desses exames foi que, em lugar algum dessa vasta literatura, foi achada a invocação de Deus como "Aba Pai". Aba era uma palavra comum; uma palavra familiar e corriqueira. Nenhum judeu teria ousado tratar Deus dessa maneira. Não obstante, Jesus o fez em todas as suas orações a nós legadas, com uma única exceção: o brado da cruz ‘Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?’ Na oração do Senhor, Jesus autorizou os discípulos a repetirem a palavra Aba depois dEle, dando-lhes o direito de partilharem sua condição de Filho. Autorizou-os a falar com o seu Pai celeste de um modo mais confiante e familiar.”
As duas primeiras palavras da oração do Senhor são plenas de significado: "Pai nosso" lembra-nos que somos bem-vindos à Casa de Deus porque fomos adotados pelo dono.
Somos uma partícula que surge na arena da existência e logo desaparece. Apesar da pequenez do ser humano, nosso pensamento caminha na esfera da imaginação mais rápido do que a luz, e é mais fértil do que o solo mais rico. Perambulamos apreensivos durante algumas dezenas de anos em nossa breve trajetória existencial usando o aparelho psíquico para tentar desvendar o desconhecido, em especial a vida. Perguntar é nosso destino.
Sabemos muitas coisas sobre o mundo que nos cerca, escrevemos milhões de livros sobre o universo físico e biológico, mas sabemos pouquíssimo sobre nós mesmos, sobre a nossa psique. O que é pensar? Quais os limites e alcances dos pensamentos? Quem somos? O que somos? O que é existir? O que é a morte? Quais as conseqüências do caos do córtex cerebral enfrentado num túmulo? Quem é o Autor da existência? Deus é real, ou uma construção articulada pelo mundo das idéias? Se Deus existe, por que se esconde atrás da cortina do tempo e do espaço? Por que não mostra sua face, aliviando a inquietação dos ateus e corrigindo as rotas dos religiosos?
Embora milhões de pessoas não percebam, a oração do Pai-Nosso toca frontalmente em todas essas questões. Apesar de ser o texto mais recitado e conhecido da história, talvez seja o menos compreendido. Um texto aparentemente simples, mas bombástico para quem esquadrinha o que está em suas entrelinhas. Deus Pai é o Senhor soberano, o Criador de todas as coisas e o sustentador do universo ( Gl 1:3 ). Ele é todo-poderoso, onisciente e onipresente. Como a primeira Pessoa da Trindade, Ele é distinto, mas unificado com o Filho e o Espírito Santo, personificando o amor e a santidade perfeitos. O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Trindade, plenamente Deus e igual ao Pai e ao Filho. Ele é um ser pessoal, não apenas uma força. O Espírito Santo sempre existiu com o Pai e o Filho. O Espírito Santo nos ajuda a compreender Jesus, nos consola, nos guia e nos convence da nossa necessidade de Deus. Quando cremos em Jesus, o Espírito Santo habita em nós, transformando nossos corações e mentes. Ele também nos concede dons espirituais para servir aos outros e produz qualidades como amor e alegria em nossas vidas. O Espírito Santo é essencial para compreendermos e experimentarmos a presença e a obra de Deus em nossas vidas. A oração do Pai-Nosso foi uma dessas excelentes paradas estratégicas de Jesus para pensar os segredos que tecem a vida e refletir sobre os seus mais importantes projetos. Ele interrompeu todas as suas atividades para discursar profundamente sobre o Autor da vida e o ser humano. O tempo parou para que ele analisasse os ditames da vida. Jesus instigou seus ouvintes a expandirem sua capacidade de observar, interiorizar, deduzir, criticar e agir. Não queria gerar servos tímidos, frágeis, submissos, mas pensadores livres que mudassem a geografia da história, pelo menos da própria história.
LIÇÃO Nº 11 – O PAI E O ESPÍRITO SANTO
O Pai mandou o Espírito Santo a pedido do Filho.
INTRODUÇÃO
- Na sequência do estudo da Doutrina da Trindade, passaremos ao quarto bloco do trimestre, onde estudaremos o relacionamento do Espírito Santo com as demais Pessoas Divinas.
- O Pai mandou o Espírito Santo a pedido do Filho.
I – O ESPÍRITO SANTO: O CONTROLADOR, AVALIADOR E CHECADOR
- Na sequência do estudo da Doutrina da Trindade, passaremos ao quarto e último bloco do trimestre, em que estudaremos o relacionamento entre as Pessoas Divinas, mais precisamente do relacionamento do Espírito Santo com o Pai e com o Filho, já que, ao estudarmos tanto o Pai quanto o Filho, acabamos por já estudar o relacionamento entre ambos.
- Na própria nomenclatura das Pessoas Divinas, vemos que há uma intuitiva relação entre o Pai e o Filho. Se há Filho, evidentemente tem de se ter um Pai, de forma que uma Pessoa leva natural e logicamente à outra e, de pronto, se procura estabelecer a relação entre elas.
- Quando da explícita revelação da Trindade, por ocasião do batismo de Jesus por João no rio Jordão, que inaugura o ministério público terreno de Nosso Senhor e Salvador, a voz do céu proclama que Jesus era o Seu Filho amado em que Se comprazia (Mt.3:17), de pronto já estabelecendo esta relação entre as duas Pessoas Divinas.;
- Assim, ao se analisar tanto o Pai quanto o Filho, como fizemos no trimestre, já estabelecemos a relação entre Eles.
- Daí porque, agora, neste quarto bloco do trimestre, dedicarmo-nos, apenas, ao estudo do relacionamento entre essas duas Pessoas Divinas e a terceira, o Espírito Santo, lembrando, porém, que as Pessoas Divinas relacionam-Se entre Si de igual maneira, pois, como bem sabemos, são Elas coiguais, consubstanciais e coeternas.
𝗖𝗢𝗠𝗘𝗡𝗧𝗔𝗥𝗜𝗦𝗧𝗔 - Pr. Douglas Baptista 👇
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O Batismo no Espírito Santo
• Pedro conclui com um chamado ao arrependimento e à recepção do dom do Espírito: “Arrependei-vos... e recebereis o dom do Espírito Santo. Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe...” (v.38-39). Esse texto é o golpe mais direto contra o cessacionismo. Embora Agostinho de Hipona, em sua fase tardia, tenha ensinado que os dons cessaram com os apóstolos, o testemunho de Atos e a experiência da Igreja ao longo da história (especialmente nos movimentos de avivamento) apontam o contrário. Teólogos pentecostais como Amos Yong e Frank Macchia afirmam que o batismo no Espírito permanece disponível como empoderamento para missão, santificação pessoal e transformação comunitária.
• Hoje, o crente que busca o batismo no Espírito deve entender que se trata de uma capacitação divina para testemunhar com ousadia e viver em santidade. O mesmo vento que encheu o cenáculo continua soprando sobre corações sedentos. O fogo ainda purifica e consagra, e as línguas continuam sinalizando uma nova era de comunicação com Deus. A promessa é viva, universal e necessária para a Igreja cumprir seu papel profético no mundo. O que falta, muitas vezes, não é o Espírito, mas uma geração disposta a esperar em unidade e oração como fizeram os 120 no cenáculo.
O Batismo no Espírito Santo
(REFLEXÃO E INFOGRÁFICO)
• Pedro conclui com um chamado ao arrependimento e à recepção do dom do Espírito: “Arrependei-vos... e recebereis o dom do Espírito Santo. Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe...” (v.38-39). Esse texto é o golpe mais direto contra o cessacionismo. Embora Agostinho de Hipona, em sua fase tardia, tenha ensinado que os dons cessaram com os apóstolos, o testemunho de Atos e a experiência da Igreja ao longo da história (especialmente nos movimentos de avivamento) apontam o contrário. Teólogos pentecostais como Amos Yong e Frank Macchia afirmam que o batismo no Espírito permanece disponível como empoderamento para missão, santificação pessoal e transformação comunitária.
• Hoje, o crente que busca o batismo no Espírito deve entender que se trata de uma capacitação divina para testemunhar com ousadia e viver em santidade. O mesmo vento que encheu o cenáculo continua soprando sobre corações sedentos. O fogo ainda purifica e consagra, e as línguas continuam sinalizando uma nova era de comunicação com Deus. A promessa é viva, universal e necessária para a Igreja cumprir seu papel profético no mundo. O que falta, muitas vezes, não é o Espírito, mas uma geração disposta a esperar em unidade e oração como fizeram os 120 no cenáculo.
LIÇÃO Nº 10 – ESPÍRITO SANTO – O CAPACITADOR
A Pessoa Divina do Espírito Santo capacita a realizarmos a obra de Deus na face da Terra.
INTRODUÇÃO
- Na sequência do estudo da Doutrina da Trindade, hoje estudaremos o papel do Espírito Santo como agente capacitador da obra de Deus.
- O Espírito Santo é a Pessoa Divina que nos torna capazes a realizar as tarefas determinadas por Deus ao homem que O serve.
I – O ESPÍRITO SANTO COMO CAPACITADOR
- Na sequência dos estudos a respeito da Doutrina da Trindade, estudaremos hoje o Espírito Santo como “agente capacitador da obra de Deus”.
- “Agente” é aquele que faz algo, que toma uma atitude, pratica uma ação. “Agente capacitador” é aquele que faz com que alguém se torne capaz a realizar algo, ou seja, tenha a habilidade de fazer algo, esteja apto a realizar algo.
- O Espírito Santo é, pois, a Pessoa Divina que nos torna aptos a realizar a obra de Deus, que nos habilita a fazer tudo quando o Senhor tem determinado o homem fazer sobre a face da Terra.
OBS: Em 2011, um documento do Sínodo dos Bispos da Igreja Romana bem caracterizou esta incapacidade humana e a necessidade de um agente capacitador em trecho que convém aqui transcrever: “…Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que vos tenho ordenado» (Mt. 28, 19-20). Com estas palavras, Jesus Cristo, antes de subir aos céus e se sentar à direita de Deus Pai (cf. Ef. 1, 20), enviou os seus discípulos para anunciar a Boa Nova ao mundo. Eles representavam um pequeno grupo de testemunhas de Jesus de Nazaré, testemunhas da sua vida terrena, do seu ensinamento, da sua morte e, especialmente, da sua ressurreição (cf. Act. 1, 22). A missão era enorme, superior às suas capacidades. O Senhor Jesus, para os incentivar, promete-lhes a vinda do Paráclito, que o Pai enviará em seu nome (cf. Jo. 14, 26) e os «guiará em toda a verdade» (Jo. 16, 13). Assegura-lhes, além disso, a sua perene presença: «e eis que Eu estou sempre convosco, até ao fim do mundo» (Mt. 28, 20). Depois do Pentecostes, quando o fogo do amor de Deus pousou sobre os apóstolos (cf. Act. 2, 3), unidos em oração «juntamente com algumas mulheres e Maria, mãe de Jesus» (Act. 1, 14), o mandamento do Senhor Jesus começou a realizar-se. O Espírito Santo, que Jesus Cristo concede em abundância (cf. Jo. 3, 34), está na origem da Igreja, que, por sua natureza, é missionária. De facto, logo que receberam a unção do Espírito, o apóstolo São Pedro «levantou-se e falou em voz alta» (Act. 2, 14) anunciando a salvação no nome de Jesus, «que Deus constituiu Senhor e Cristo» (Act. 2, 36). Transformados pelo dom do Espírito, os discípulos espalharam-se por todo o mundo conhecido e difundiram o «evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus in » (Mc. 1, 1). O seu anúncio chegou às regiões do Mediterrâneo, da Europa, da África e da Ásia. Guiados pelo Espírito, dom do Pai e do Filho, os seus sucessores continuaram essa missão, que permanece actual até ao fim dos tempos. Enquanto existe, a Igreja deve anunciar o Evangelho da vinda do Reino de Deus, o ensinamento do seu Mestre e Senhor e, sobretudo, a pessoa de Jesus Cristo. …” ( Lineamenta da XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. A nova evangelização para a transmissão da fé cristã. Disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/synod/documents/rc_synod_doc_20110202_lineamenta-xiii-assembly_po.html Acesso em 12 mar. 2011) (destaques em negrito nossos).
- Quando o Espírito Santo é apresentado como Pessoa Divina, tradicionalmente é Ele apresentado como sendo a Pessoa Divina incumbida, primacialmente, da santificação.
- O Catecismo da Igreja Católica, por exemplo, diz que, no estudo do mistério da Santíssima Trindade, tem-se como objetivo demonstrar “…como é que, pelas missões divinas do Filho e do Espírito Santo, Deus Pai realiza o seu «desígnio de benevolência» de criação, redenção e santificação…” (§ 235 CIC). E, ao falar na santificação, está a pensar precipuamente no Espírito Santo, como bem explana o Catecismo Maior de Pio X: “… 136) Que obra é atribuída especialmente ao Espírito Santo? Ao Espírito Santo atribui-se especialmente a santificação das almas.…”.
- Não é diferente o entendimento do Catecismo Maior de Westminster: “… Santificação é a obra da graça de Deus, pela qual os que Deus escolheu, antes da fundação do mundo, para serem santos, são nesta vida, pela poderosa operação do seu Espírito, aplicando a morte e a ressurreição de Cristo, renovados no homem interior, segundo a imagem de Deus, tendo os germes do arrependimento que conduz à vida e de todas as outras graças salvadoras implantadas em seus corações, e tendo essas graças de tal forma excitadas, aumentadas e fortalecidas, que eles morrem, cada vez mais para o pecado e ressuscitam para novidade de vida. (Ef 1.4; 1Co 6.11; 2Ts 2.13; Rm 6.4-6; Fl 3.10; Ef 4.23-24; At 11.18; 1Jo 3.9; Jd 1.20; Ef 3.16-19; Cl 1.10-11; Rm 6.4-6).…” (grifo nosso) (resposta à pergunta nº 75).
Professora Emanuela Barros👇
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LIÇÃO Nº 9 – ESPÍRITO SANTO – O REGENERADOR
INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos sobre a doutrina da regeneração; pontuaremos sobre a necessidade da regeneração espiritual na vida do ser humano; veremos sobre a operação do Espírito Santo como agente da regeneração; e por fim, destacaremos algumas evidências e implicações da regeneração.
I – REGENERAÇÃO
1.1 Definição. De acordo com Geisler (2010, pg. 199), “a palavra grega para se referir a regeneração é paliggenesia, que significa “regeneração,” “renascimento,” ou “renovação espiritual.” Paliggenesia é utilizada duas vezes no Novo Testamento (Mt 19.28 — com referência a renovação messiânica e em Tito 3.5 — para se referir a salvação). Em Tito ela fala da transmissão da vida espiritual a alma: “[Deus nos salvou] não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo”. A regeneração é transmissão da vida espiritual, por parte de Deus, as almas daqueles que estavam “mortos em ofensas e pecados” (Ef 2.1) e que foram “salvos” — trazidos novamente a vida — por Deus “pela fé” em Jesus Cristo (Ef 2.8)”.
1.2 Regeneração na Declaração de Fé das Assembleias de Deus. A Declaração de Fé das Assembleias de Deus afirma que a “regeneração é a transformação do pecador numa nova criatura pelo poder de Deus, como resultado do sacrifício de Jesus na cruz do Calvário (2Co 5.17-19). Essa obra é também conhecida como novo nascimento, ou nascer de novo (Jo 3.3) e nascer do Espírito (Jo 3.5,6). Trata-se de uma operação do Espírito Santo na salvação do pecador (Tt 3.5-7)” (Soares [Org.], 2017, p. 112).
II – A NECESSIDADE DA REGENERAÇÃO ESPIRITUAL
2.1 A insuficiência da religião. Nicodemos era fariseu e príncipe dos judeus (Jo 3.1), tido como mestre (Jo 3.10), um homem profundamente religioso, mas espiritualmente necessitado (Jo 3.2). Para Beacon (2006, p. 48), “se algum homem, na ordem antiga, conheceu o significado de Deus e dos seus planos e propósitos para o homem, esse foi Nicodemos, ele era profundamente entranhado na tradição monoteísta, além dos ensinos da lei, da história de Israel e das proclamações dos profetas”. Isso demonstra que o conhecimento teológico e posição religiosa não substituem o novo nascimento. Jesus mostra que ninguém pode ver o Reino de Deus sem nascer de novo (Jo 3.3). Isso confirma que a religião externa não produz vida espiritual (Is 29.13; Rm 10.1-4).
2.2 O novo nascimento como exigência divina para a salvação. “Nicodemos foi ‘de noite’, um símbolo do homem nãosalvo; este está “obscurecido” espiritualmente (Ef 4.18; 2Co 4.3-6). O homem não se apronta para o céu apenas ao ser religioso e ter moral; ele deve nascer de novo, isto é, nascer do alto” (Wiersbe, 2008, p. 238). Jesus afirmou categoricamente: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3.3). A regeneração é condição indispensável para a salvação (Tt 3.5).
2.3 A incapacidade humana para gerar vida espiritual. Por mais dedicado e justo que o ser humano seja, ele não consegue gerar vida espiritual. Na carta aos gálatas, o apóstolo Paulo disse: “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé de Cristo e não pelas obras da lei, porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada” (Gl 2.16). O homem natural não pode produzir vida espiritual por si mesmo; a regeneração é uma obra exclusiva de Deus (Ef 2.1-9).
III – A OPERAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NA REGENERAÇÃO
3.1 O nascimento que “vem do do alto”. “... aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus”. Em João 3.3, Jesus estabelece uma verdade central para a compreensão da vida espiritual: o novo nascimento. Baptista (2025, pp. 101,102) afirma que “a expressão “nascer de novo” une dois vocábulos gregos: o verbo “gennáō” [gerar, dar origem] e o advérbio “anōthen” [do alto, de cima]. O uso desse advérbio, especialmente em João, aponta para uma origem celestial (Jo 3.31; Tg 1.17), indicando que o novo nascimento não procede da vontade humana, nem da vontade da carne, mas de Deus (Jo 1.13)”.
3.2 A falta de compreensão de Nicodemos. As perguntas de Nicodemos refletem mais do que simplesmente uma má interpretação da declaração de Jesus, Nicodemos confundiu o espiritual com o físico (Jo 3.4). De acordo com Wiersbe (2008, p. 238): “Nicodemos pensava em termos de nascimento físico, e Cristo falava de nascimento espiritual. Todos nós nascemos em pecado. Nosso “primeiro nascimento” nos fez filhos de Adão (At 17.26; Rm 5.12; 1Co 15.22), e isso significa que somos filhos da ira e da desobediência (Ef 2.1-3). Não há educação, religião ou disciplina que possa mudar a natureza antiga; temos de receber uma nova natureza de Deus (2Co 5.17; Ef 4.22-24; Cl 3.9,10), pois a justiça de Deus não advém das obras da carne (Rm 10.3)”.
3.3 A obra interior do Espírito Santo. “Jesus acrescenta a Nicodemos que, para entrar no Reino de Deus, é necessário nascer “da água e do Espírito” (Jo 3.5). A construção gramatical do texto grego “ek hýdōr kai pneûma” forma uma ideia unificada, indicando que “água” e “Espírito” não são dois nascimentos distintos, mas aspectos complementares de um mesmo ato regenerador. Essa metáfora da água é recorrente nas Escrituras e aponta para limpeza e purificação do pecado (Ef 5.26; Hb 10.22). Água, sobretudo no Evangelho de João, é símbolo do Espírito (Jo 7.37-39) [...]. O Espírito Santo é o agente que concede essa nova vida, capacitando o homem a viver em comunhão com Deus (2Co 3.6). Aqui, água e Espírito formam um par inseparável, purificação e vivificação, para descrever a regeneração” (Baptista, 2025, pp. 106,107).
IV – EVIDÊNCIAS E IMPLICAÇÕES DA REGENERAÇÃO
4.1 Mudança interior. A regeneração produz transformação interior perceptível (Gl 2.20), onde o regenerado passa a revestir-se do “novo homem”, criado para ser semelhante a Deus em justiça e santidade (Ef 4.22-24). Quem nasce do Espírito passa a amar o que antes rejeitava e rejeitar o que antes amava (Rm 8.7,8; Fp 3.7-9). O Espírito Santo implanta novos desejos e nova direção espiritual (Gl 5.16,17). O Espírito gera nova vida com fruto espiritual (Gl 5.22) e o crente recebe a mente de Cristo (1Co 2.16).
4.2 Nova identidade. Segundo Baptista (2025, pp. 107,108), Jesus ensinou que: “[...] quem nasce pela ação do Espírito Santo recebe uma nova natureza espiritual (Jo 3.6) [...]. Não se trata de uma mera reforma comportamental; mas de fato uma vida nova (Jo 3.5-8; Tt 3.5)”. O regenerado passa a ser chamado filho de Deus (Jo 1.12,13), redefinindo a sua identidade (2Co 5.17), liberto da antiga condição espiritual de condenação (Rm 8.1). Agora ele vive como cidadão do Reino (Ef 2.19; Fp 3.20).
4.3 Sensibilidade às coisas espirituais. O crente regenerado passa a discernir as coisas de Deus (1Co 2.14,15), onde ele recebe uma “unção” para entender as coisas de Deus (1Jo 2.20;27), e “entendimento para conhecer o que é verdadeiro” (1Jo 5.20). O Espírito desperta fome espiritual (Mt 5.6; Sl 42.1,2; 15.16;), amor pela Palavra (Sl 119.97; Cl 3.16); e desejo de comunhão (2Co 13.13; Fp 2.1). Essa sensibilidade é evidência clara da nova vida espiritual (Rm 6.4).
4.4 Vida dirigida pelo Espírito. Ao experimentar o novo nascimento, o crente passa a viver sob uma nova condição de ordem espiritual, sendo guiado pelo Espírito Santo (Rm 8.4,14), andando pelo Espírito (Gl 5.16,25) e sendo dirigido por Ele nas suas decisões e caminhos (At 13.2; At 16.6,7). Além disso, quem é guiado pelo Espírito Santo permite que Ele governe a sua mente, desejos e conduta (Rm 8.5,6), assim como recebe dEle capacitação para vencer o pecado (Rm 8.13; Gl 5.17), conduzindo o regenerado a uma vida de comunhão e obediência (Jo 16.13; Fp 2.1).
4.5 A garantia de vida eterna. “A vida eterna refere-se invariavelmente a vida de Deus, ou ao estado futuro dos justos (Mt 25.46). A vida eterna não pode ser adquirida pelos homens, mas lhes é conferida como uma dádiva em resposta a fé (Jo 3.15,16; 1Jo 5.11; Rm 6.23) [...], onde Deus concede a alma humana no momento da conversão pessoal a Cristo” (Wycliffe, 2007, p. 2016). A regeneração é o início da vida eterna (Jo 3.16; Jo 5.24). Quem nasce do Espírito já possui a vida eterna e aguarda a glorificação final (1Pe 1.3-5). Esta é a promessa de Cristo para o regenerado: a vida eterna (Jo 3.16,36; Jo 6.40; Jo 17.3; Gl 6.8; 1Jo 2.25; 1Jo 5.11).
4.6 Prática da justiça e do amor. A regeneração não é apenas interna, mas manifesta-se em ações concretas externamente.
O novo nascimento capacita o crente a praticar a justiça e a viver em amor fraternal, evidenciando que ele conhece a Deus (1Jo 2.29; 1Jo 4.7,8). O regenerado busca a santificação e a vitória sobre o estilo de vida pecaminoso (1Jo 3.9; 5.18), demonstrando sua nova natureza através da obediência aos mandamentos divinos e do serviço ao próximo (Gl 5.13; Ef 2.10).
CONCLUSÃO
Como regenerador, o Espírito Santo trabalha na vida daquele que nasceu de novo e concede uma nova natureza e
uma nova direção. É necessário nascer do alto para ver e entrar no Reino e obter a vida eterna.
Ciro Zibordi - EBD 👇
A experiência da salvação não seria completa sem uma profunda transformação no interior do salvo. O milagre da regeneração não se limita a mudar a aparência, mas reveste o interior do crente com uma nova vida que coaduna com a vida de Cristo (Cl 3.10). Um dos maiores desafios da vida cristã é aprender a viver como salvo em meio a uma sociedade corrompida, marcada pelo pecado. Nesse cenário, o crente recém- -convertido precisa aprender a lidar com as pressões do mundo e nutrir em sua vida diária a santidade. Uma vez justificado e adotado como filho de Deus pela fé, o salvo passa por um processo contínuo de santificação.
Nutrir uma vida de santificação requer submeter-se à condução do Espírito e dispor-se a não viver mais como escravo do pecado (Rm 6.17,18). Para tanto, é necessário disciplina em relação à oração, meditação frequente nas Escrituras Sagradas e posicionamento firme contra maus hábitos. Significa renunciar diariamente ao pecado para praticar a justiça que agrada a Deus, seja por palavras, atitudes ou modo de pensar. Não devemos nos conformar com o mundo, mas assumir uma postura racional e transformada pela renovação do nosso entendimento (Rm 12.1,2).
Essa postura é fruto do contato com o Evangelho da graça, através do qual, uma vez transformados por ele, experimentamos a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (v. 2). Quando compreendemos o modo de pensar ensinado pelo Evangelho, aprendemos que praticar a Palavra de Deus não se limita a conhecer uma nova filosofia, mas é adotar um novo estilo de vida transformado pelo poder de Deus para salvação do homem (Rm 1.16). Por essa razão, o apóstolo Paulo encoraja os filipenses a desenvolverem a salvação com temor e tremor (Fp 2.12). Logo, a salvação não é apenas um estado de espírito, mas um viver diário que preservamos de modo vigilante à espera de nosso Senhor, que voltará em glória para nos buscar.
(ENSINADOR CRISTÃO p40)
https://www.youtube.com/watch?v=vwM5iJSm7_E
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https://www.youtube.com/watch?v=E8pLt6BLjN4&t=289s
LIÇÃO 8 O DEUS ESPÍRITO SANTO.
Nesta oportunidade, estudaremos sobre a Pessoa do Espírito Santo, que, juntamente com o Pai e o Filho, é plenamente divino e atua para consolar, ensinar e santificar a igreja. A Palavra de Deus nos revela o Espírito Santo como a Terceira Pessoa da Trindade que foi enviada a este mundo para avançar a obra de Cristo. Uma vez que o Filho Unigênito de Deus, que consolava e ensinava Seus discípulos, foi assunto ao Céu, o Pai enviou "outro" Consolador para que estivesse com eles até o fim (Jo 14.16). Este mesmo Espírito da verdade que o mundo não pode receber seria responsável por conduzir os discípulos a cumprir a missão de tomar mundialmente conhecida a mensagem do Evangelho (Mc 16.15).
Os três aspectos de Sua atuação (consolo, ensino e santificação) não estariam restritos aos primeiros anos da igreja, mas se estendem às próximas gerações e continuam presentes.A obra "Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal" (CPAD) discorre que "a obra do Espírito Santo como Consolador inclui o seu papel como Espírito da Verdade que habita em nós (Jo 14.16; 15.26), como Ensinador de todas as coisas, como aquEle que nos faz lembrar tudo o que Cristo tem dito (14.26), como aquEle que dará testemunho de Cristo (15.26) e como aquEle que convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo (16.
. Não se pode subestimar a importância dessas tarefas. O Espírito Santo, dentro em nós, começa a esclarecer as crenças incompletas e errôneas sobre Deus, sua obra, seus propósitos, sua Palavra, o mundo, crenças estas que trazemos conosco ao iniciarmos nosso relacionamento com Deus. Conforme as palavras de Paulo, é uma obra vitalícia, jamais completada neste lado da eternidade (1Co 13.12)" (2021, p. 397).
Não podemos negligenciar a necessidade que temos da Pessoa do Espírito Santo. Sem Sua presença, não podemos exercer o chamado que fomos desafiados a cumprir. É Ele quem nos escolhe para realização da Sua obra a partir da oração (At 13.2). O exercício dos dons espirituais e ministeriais (1Co 12.8-10; Ef 4.11,12), as decisões na condução de Sua obra, a tarefa de convencer os pecadores a Cristo (Jo 16.
ou mesmo a libertação do pecado ou perdão entre irmãos são obras que dependem inquestionavelmente da atuação do Espírito Santo na Igreja. Nossa dependência dEle é uma forma de glorificá-IO. Quando reconhecemos que sem Ele nada podemos, Sua presença se manifesta para nos mostrar a verdade, direcionar as decisões e nos aconselhar para que tenhamos uma vida sábia.
(ENSINADOR CRISTÃO p40)
Nesta oportunidade, estudaremos sobre a Pessoa do Espírito Santo, que, juntamente com o Pai e o Filho, é plenamente divino e atua para consolar, ensinar e santificar a igreja. A Palavra de Deus nos revela o Espírito Santo como a Terceira Pessoa da Trindade que foi enviada a este mundo para avançar a obra de Cristo. Uma vez que o Filho Unigênito de Deus, que consolava e ensinava Seus discípulos, foi assunto ao Céu, o Pai enviou "outro" Consolador para que estivesse com eles até o fim (Jo 14.16). Este mesmo Espírito da verdade que o mundo não pode receber seria responsável por conduzir os discípulos a cumprir a missão de tomar mundialmente conhecida a mensagem do Evangelho (Mc 16.15).
Os três aspectos de Sua atuação (consolo, ensino e santificação) não estariam restritos aos primeiros anos da igreja, mas se estendem às próximas gerações e continuam presentes.
(ENSINADOR CRISTÃO p40)
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O Deus Espírito Santo | Lição 8 - Ciro Zibordi👆
LIÇÃO Nº 8 – O DEUS ESPÍRITO SANTO
O Espírito Santo é uma Pessoa Divina.
INTRODUÇÃO
- Na sequência do estudo da Doutrina da Trindade, analisaremos Deus, o Espírito Santo.
- O Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Trindade, especialmente comissionada para acompanhar e dirigir a Igreja entre a ascensão de Cristo e o arrebatamento da Igreja.
I – O ESPÍRITO SANTO É UMA PESSOA
- Na sequência do estudo da Doutrina da Trindade, daremos início ao terceiro bloco do trimestre, vendo o que a doutrina cristã ensina sobre Deus, o Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade.
- O Espírito Santo é a Pessoa Divina que faz a interlocução entre Deus e os homens, convencendo o ser humano de que Jesus é o Salvador.
- Por primeiro, cumpre observar que o título da lição é “Deus Espírito Santo”, expressão que foi utilizada tanto na Confissão de Augsburgo, “…confissão de fé dos luteranos [foi] preparada por Felipe Melanchton, auxiliar de Lutero em 1530.…” (SILVA, Esequias Soares da. Credos e confissões de fé: breve histórico do Cristianismo. Recife: Bereia, 2013, p.152) como no Catecismo Menor de Martinho Lutero, para designar a Primeira Pessoa da Trindade.
- Entretanto, quando da elaboração da Declaração de Fé das Assembleias de Deus em 2017, foi proposta a mudança do título do item 6 do capítulo III (p.43), que seria precisamente “Deus Espírito Santo” para “O Espírito Santo é Deus”, a fim de que não se desse margem para que se pudesse entender que se adotava a ideia do “triteísmo”, ou seja, de que há “três deuses”, proposta que foi acolhida.
- Assim, fiel a esta orientação adotada na primeira edição da Declaração de Fé das Assembleias de Deus e, num tema tão delicado e difícil como é a Doutrina da Trindade, evitaremos o uso da expressão “Deus Espírito Santo”. - O Espírito Santo, que é mostrado nas Escrituras com muitos nomes, como, por exemplo, Espírito de Deus, é uma das três Pessoas que compõem a Trindade (“Santíssima Trindade”, como denominam os teólogos desde a Idade Média), este mistério que mostra ser o nosso Deus um único Deus, ainda que em três Pessoas. Diante desta afirmação, vê-se que é preciso demonstrar, nas Escrituras, esta revelação, incompreensível à mente humana.
- Antes de mais nada, cumpre observar o que entendemos por Pessoa. Pessoa é uma palavra equívoca, ou seja, tem diversos significados, significados que são diferentes uns dos outros. Assim, por exemplo, no senso comum, pessoa quer dizer “gente”, enquanto, no direito, pessoa significa “sujeito de direitos e obrigações” (daí porque a Petrobrás, o Banco do Brasil ou o Estado do Acre serem “pessoas” para os juristas). Em teologia, pessoa significa ser, ou seja, algo que tem existência própria, uma entidade que se distingue das demais.
- A Bíblia mostra-nos, com clareza, que o Espírito Santo é uma pessoa, pois menciona atitudes e ações do Espírito que somente uma pessoa pode ter. Senão vejamos:
- A Bíblia diz que o Espírito Santo pensa (Rm 8.27). Neste texto, as Escrituras dizem que o Espírito Santo examina os corações, ou seja, examinar é raciocinar, é calcular, é emitir juízos. Uma força jamais pode calcular, jamais pode examinar, só uma pessoa pode fazê-lo. Noutro trecho, diz que o Espírito Santo compara, ou seja, faz juízos, julgamentos, o que é exclusivo de uma Pessoa (I Co.2:13).
- A Bíblia diz que o Espírito Santo sente (Rm 15.30). Neste texto, as Escrituras dizem que o Espírito Santo tem amor, ou seja, ama, tem sentimentos. Uma força não pode amar, somente uma pessoa. Mas, em outro trecho, a Bíblia recomenda que o Espírito pode se entristecer (Is.63:10; Ef.4:30). Uma força, um "fluir" nunca pode ficar triste, somente uma pessoa. Mas o Espírito Santo não só Se entristece, como a Palavra os diz que Ele tem alegria, que Ele Se alegra, tanto que faz com que as pessoas sintam a Sua alegria, a começar pelo próprio Senhor Jesus (Lc.10:21) e, depois, dos discípulos (I Ts.1:6). Mas as Escrituras também nos revelam que o Espírito Santo tem ciúmes, ou seja, tem zelo pelos servos do Senhor, outro sentimento impossível para uma mera força (Tg.4:5).
- A Bíblia diz que o Espírito Santo determina (I Co 12.11). Neste texto, é dito que o Espírito Santo reparte, como quer, os dons espirituais entre os crentes, ou seja, tem vontade, tem autodeterminação, algo que jamais uma força pode ter, mas tão somente uma pessoa.
Pr. Caramuru Afonso Francisco👇O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Trindade, plenamente divino e coigual ao Pai e ao Filho. Ele não é uma força impessoal, mas Consolador, Ensinador e Santificador da Igreja. Nesta lição, estudaremos sua Pessoa, sua divindade e suas principais obras, confirmando sua atuação indispensável na vida cristã e na missão da Igreja.Pr. Douglas Baptista
𝗖𝗢𝗠𝗘𝗡𝗧𝗔𝗥𝗜𝗦𝗧𝗔 - Pr. Douglas Baptista 👇João 14.26 apresenta o Espírito Santo como o Paráclito (Consolador, Ajudador, Advogado), enviado pelo Pai em nome de Cristo, para ensinar e fazer lembrar os ensinos de Jesus; Ele é a terceira Pessoa da Trindade, distinta do Pai e do Filho, porém da mesma essência divina (Jo 14.16,26; 15.26; Mt 28.19). Ele ilumina as Escrituras e preserva a revelação apostólica, aplicando a verdade de Cristo ao coração do crente (Jo 16.13; 1Co 2.10-13). Na perspectiva pentecostal, esse ministério sustenta a vida cheia do Espírito, a fidelidade doutrinária e a missão da Igreja (At 1.8; Ef 1.17; 1Jo 2.27).
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https://www.youtube.com/watch?v=t0lAAVvf4Bs&t=19s10 Atributos do Espírito Santo1. Eternidade Hebreus 9.14 – O Espírito é chamado “Espírito eterno”. A eternidade pertence somente a Deus.2. Onipresença Salmos 139.7 – Ninguém pode fugir da presença do Espírito. Presença em todos os lugares.3. Onisciência 1 Coríntios 2.10-11 – O Espírito sonda todas as coisas, até as profundezas de Deus. Conhecimento pleno e perfeito.4. Onipotência Lucas 1.35 – O Espírito Santo operou a concepção milagrosa de Jesus. Poder criador e soberano.Santidade essencial5. Santidade essencial Efésios 4.30 – O Espírito é santo por natureza. Santidade absoluta, própria de Deus.Senhorio (Deidade).6. Senhorio (Deidade) 2 Coríntios 3.17 – “O Senhor é o Espírito.” Título divino aplicado ao Espírito.7. Criador e doador da vida Jó 33.4 – O Espírito de Deus cria e dá vida. A criação é obra exclusiva de Deus.Verdade absoluta8. Verdade absoluta João 16.13 – O Espírito é chamado “Espírito da verdade”. A verdade plena procede de Deus.Autor da inspiração divina9. Autor da inspiração divina 2 Pedro 1.21 – Homens falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo. Revela a autoridade divina das Escrituras.10. Poder regenerador (novo nascimento) João 3.5-6 – O novo nascimento é operado pelo Espírito. Gerar vida espiritual é obra exclusiva de Deus.LIÇÃO 7 A OBRA DO FILHOA KENOSIS (do grego kénosis, "(esvaziamento") deJESUS, O CRISTO . (Fp 2:5-11)
Cristo deixou a glória do céu (Jo 17:5). "Havendo sido feito na semelhança de homens" (Ver Jo 1:14; Rm 1:3; Gl 4:4; Hb 2:14,17) e "a forma de servo havendo tomado" ( Is 42:1; 49:5-7; Mt 20:28). Este fato absolutamente estonteante não pode ser mesmo remotamente apreendido pela mente humana: o infinito e santo Criador se fez semelhante às suas criaturas finitas e pecadoras (todavia sem ser contaminado pelo pecado)!!! E. além disso, se fez um humilde servo!!! Oh, o amor de Deus! Is 11:1 diz "... brotará um rebento do trono de Jessé...", não diz "do Rei Daví", mas "de Jessé", um pobre camponês! (Jo 1:14): "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade." (Rm 1:3): "Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, (Gl 4:4): "Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,"(Hb 2:14,17): "Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo." (Is 42:1): "Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios." (Is 49:5-7): "Humilhou-se a si mesmo..." O Verbo eterno se pôs na posição de Filho, de Servo, submeteu-se à autoridade, limitou-se, humilhou-se.. . Como (HB 5:8) ("... aprendeu a obediência...") + Mt 26:39,42 ("... todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres...") e (1Pe 2:21-24) contrastam com Lúcifer em( Is 14:13-14) ("...Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono... e serei semelhante ao Altíssimo...)!
Cristo "se fez obediente até a morte"!!! (Mt 26:39; Jo 10:18; Hb 5:8; 12:2). Cristo morreu "morte mesmo de uma cruz", a pior, a mais degradante morte, física e judicialmente.( Ver Sl 22:1,6-8,11-18; Is 53:2-12; Gl 3:13). Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum. Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca. Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; pela transgressão do meu povo ele foi atingido. E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca. Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão. Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniqüidades deles levará sobre si. Por isso lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores.(Gl 3:13): Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; "Por isso, também Deus altamente lhe exaltou"( Is 52:13; Jo 17:1; At 2:33; Hb 2:9).
A vinda de Cristo coloca um rosto em Deus. A Bíblia diz: Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação. Por ele todas as coisas foram criadas: as coisas no céu e na terra, visíveis e invisíveis (Colossenses 1.15-16). Isto é o que queremos dizer com a encarnação - Deus veio à terra envolta em um corpo humano. O Deus do céu veio habitar entre nós para que possamos saber o que ele é verdadeiramente. Ele veio para nos ensinar. Ele veio para morrer por nós para que pudéssemos ser perdoados. Ele ressuscitou dos mortos para nos salvar do poder da morte. Ele subiu ao Pai para interceder por nós. Ele prometeu que vai voltar. Ele abriu as portas do céu.
Imagine como seria o mundo se Deus, na pessoa de Jesus Cristo, nunca tivesse vindo à terra. Não ouviríamos músicas ou mesmo composições que vieram de homens como Bach e Beethoven. Não ouviríamos “Jesus a alegria dos homens”.
Muitos hospitais não existiriam, porque eles foram iniciados por pessoas que tinham o coração cheio de compaixão por aqueles que estavam doentes, devido à sua experiência pessoal com Jesus Cristo e serem transformados pelo seu amor.
Não haveria igreja em nossas cidades e não teríamos ouvido falar do amor de um Deus pessoal. Deus nunca teria visitado o mundo e não teríamos esperança de seu retorno a Terra. O mundo sem Jesus seria sempre inverno. Que Deus te abençoe e que você tenhamos mais uma abençoada aula, sim escolhemos ficar com o Filho de Deus. Amém
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JESUS, O CRISTO . (Fp 2:5-11)
Cristo deixou a glória do céu (Jo 17:5). "Havendo sido feito na semelhança de homens" (Ver Jo 1:14; Rm 1:3; Gl 4:4; Hb 2:14,17) e "a forma de servo havendo tomado" ( Is 42:1; 49:5-7; Mt 20:28). Este fato absolutamente estonteante não pode ser mesmo remotamente apreendido pela mente humana: o infinito e santo Criador se fez semelhante às suas criaturas finitas e pecadoras (todavia sem ser contaminado pelo pecado)!!! E. além disso, se fez um humilde servo!!! Oh, o amor de Deus! Is 11:1 diz "... brotará um rebento do trono de Jessé...", não diz "do Rei Daví", mas "de Jessé", um pobre camponês! (Jo 1:14): "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade." (Rm 1:3): "Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, (Gl 4:4): "Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,"(Hb 2:14,17): "Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo." (Is 42:1): "Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios." (Is 49:5-7): "Humilhou-se a si mesmo..." O Verbo eterno se pôs na posição de Filho, de Servo, submeteu-se à autoridade, limitou-se, humilhou-se.. . Como (HB 5:8) ("... aprendeu a obediência...") + Mt 26:39,42 ("... todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres...") e (1Pe 2:21-24) contrastam com Lúcifer em( Is 14:13-14) ("...Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono... e serei semelhante ao Altíssimo...)!
Cristo "se fez obediente até a morte"!!! (Mt 26:39; Jo 10:18; Hb 5:8; 12:2). Cristo morreu "morte mesmo de uma cruz", a pior, a mais degradante morte, física e judicialmente.( Ver Sl 22:1,6-8,11-18; Is 53:2-12; Gl 3:13). Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum. Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca. Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; pela transgressão do meu povo ele foi atingido. E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca. Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão. Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniqüidades deles levará sobre si. Por isso lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores.(Gl 3:13): Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; "Por isso, também Deus altamente lhe exaltou"( Is 52:13; Jo 17:1; At 2:33; Hb 2:9).
A vinda de Cristo coloca um rosto em Deus. A Bíblia diz: Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação. Por ele todas as coisas foram criadas: as coisas no céu e na terra, visíveis e invisíveis (Colossenses 1.15-16). Isto é o que queremos dizer com a encarnação - Deus veio à terra envolta em um corpo humano. O Deus do céu veio habitar entre nós para que possamos saber o que ele é verdadeiramente. Ele veio para nos ensinar. Ele veio para morrer por nós para que pudéssemos ser perdoados. Ele ressuscitou dos mortos para nos salvar do poder da morte. Ele subiu ao Pai para interceder por nós. Ele prometeu que vai voltar. Ele abriu as portas do céu.
Imagine como seria o mundo se Deus, na pessoa de Jesus Cristo, nunca tivesse vindo à terra. Não ouviríamos músicas ou mesmo composições que vieram de homens como Bach e Beethoven. Não ouviríamos “Jesus a alegria dos homens”.
Muitos hospitais não existiriam, porque eles foram iniciados por pessoas que tinham o coração cheio de compaixão por aqueles que estavam doentes, devido à sua experiência pessoal com Jesus Cristo e serem transformados pelo seu amor.
Não haveria igreja em nossas cidades e não teríamos ouvido falar do amor de um Deus pessoal. Deus nunca teria visitado o mundo e não teríamos esperança de seu retorno a Terra. O mundo sem Jesus seria sempre inverno. Que Deus te abençoe e que você tenhamos mais uma abençoada aula, sim escolhemos ficar com o Filho de Deus. Amém
Lição 07: A Obra do Filho - EBD SILIDE👇
LIÇÃO 7 A OBRA DO FILHO
Nesta lição, veremos que a morte vicária do Senhor Jesus revela o propósito do Pai em conceder perdão aos pecadores e restaurar toda a criação. A humilhação, redenção e exaltação do Filho Unigênito de Deus manifestam a profundidade da obra que Ele realizou. Graças à Sua vida de obediência completa e justiça, bem como Seu sacrifício vivo e santo sobre a cruz, temos acesso à salvação eterna.
Enquanto esteve neste mundo, a vida de Jesus foi marcada pela submissão à vontade do Pai. Não encontramos em momento algum de Sua vida e ministério qualquer comportamento distinto da vontade do Pai. Muito ao contrário, Ele obedeceu até a morte, e morte de cruz (Fl 2.8 Para assumir o compromisso fiel de submissão, Cristo esvaziou-se da glória que compartilhava com Deus Pai desde a eternidade, antes mesmo que todas as coisas fossem criadas (Jo 17.5). Conforme versa a "Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global" (CPAD) acerca da expressão "Aniquilou-se a si mesmo", "esta frase em grego corresponde a 'ekenõsen' (verbo 'kenoõ', derivado de 'kenos', 'vazio', 'vão'), que literalmente significa 'ele esvaziou-se'. Isso não significa que Jesus renunciou sua divindade (isto é, a sua natureza plena como Deus), mas que voluntariamente deixou de lado suas prerrogativas como Deus, incluindo sua glória celestial (Jo 17.4), posição (Jo 5.30; Hb 5.8 riqueza (2Co 8.9), direitos (Lc 22.27; Mt 20.28 e o uso de seus atributos como Deus (Jo 5.19; 8.28; 14.10).
Esse esvaziamento não significou apenas uma suspensão voluntária de suas capacidades e privilégios como Deus, mas também a aceitação do sofrimento humano, maus tratos, ódio e, em última instância, a maldição da morte na cruz. [...] Embora tenha permanecido totalmente divino (isto é, completamente Deus), Cristo assumiu a natureza humana com as tentações, humilhações e fraquezas que esta vida envolve; no entanto, Ele suportou tudo isto sem pecar. Isso significa que Ele nunca ofendeu ou desafiou a Deus Pai, nem fez qualquer coisa errada de acordo com o padrão perfeito de Deus (w. 7-8; Hb 4.15).
É por esta razão que Ele foi capaz de fazer o sacrifício perfeito e pagar a pena definitiva e completa pelos nossos pecados, de uma vez por todas (1 Pe 3.18). Por essa razão, o Pai o exaltou e deu um nome sobre todo o nome (Fp 2.8-11). A glória restaurada ao Filho é o sinal da aprovação de que Ele cumpriu fielmente todas as coisas. Essa mesma glória Cristo prometeu compartilhar com aqueles que creram no seu testemunho e permanecem, independentemente das circunstâncias, fiéis a Ele. Para estes, o Senhor Jesus prometeu conceder um coroa de glória e o galardão da herança (Ap 2.10; 3.21)". (Ensinador Cristão p39)👇👇
Nesta lição, veremos que a morte vicária do Senhor Jesus revela o propósito do Pai em conceder perdão aos pecadores e restaurar toda a criação. A humilhação, redenção e exaltação do Filho Unigênito de Deus manifestam a profundidade da obra que Ele realizou. Graças à Sua vida de obediência completa e justiça, bem como Seu sacrifício vivo e santo sobre a cruz, temos acesso à salvação eterna.
Esse esvaziamento não significou apenas uma suspensão voluntária de suas capacidades e privilégios como Deus, mas também a aceitação do sofrimento humano, maus tratos, ódio e, em última instância, a maldição da morte na cruz. [...] Embora tenha permanecido totalmente divino (isto é, completamente Deus), Cristo assumiu a natureza humana com as tentações, humilhações e fraquezas que esta vida envolve; no entanto, Ele suportou tudo isto sem pecar. Isso significa que Ele nunca ofendeu ou desafiou a Deus Pai, nem fez qualquer coisa errada de acordo com o padrão perfeito de Deus (w. 7-8; Hb 4.15).
É por esta razão que Ele foi capaz de fazer o sacrifício perfeito e pagar a pena definitiva e completa pelos nossos pecados, de uma vez por todas (1 Pe 3.18). Por essa razão, o Pai o exaltou e deu um nome sobre todo o nome (Fp 2.8-11). A glória restaurada ao Filho é o sinal da aprovação de que Ele cumpriu fielmente todas as coisas. Essa mesma glória Cristo prometeu compartilhar com aqueles que creram no seu testemunho e permanecem, independentemente das circunstâncias, fiéis a Ele. Para estes, o Senhor Jesus prometeu conceder um coroa de glória e o galardão da herança (Ap 2.10; 3.21)". (Ensinador Cristão p39)
LIÇÃO Nº 7 – A OBRA DO FILHO
INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos a obra do Filho em três dimensões inseparáveis: Humilhação, Redenção e Exaltação. Veremos que na Humilhação, Cristo, sendo Deus, esvaziou-se voluntariamente, assumiu a forma de Servo e obedeceu até a morte de cruz (Fp 2.6–8). Pontuaremos que na Redenção, satisfez a justiça divina, expiou os pecados como Cordeiro perfeito e venceu o pecado e a morte (Is 53; Hb 9.28; 1Co 15.55–57). E por fim, na Exaltação, foi ressuscitado e exaltado pelo Pai, recebendo o nome acima de todo nome, para que toda a criação o adore (Fp 2.9–11; At 2.33).
I – DEFINIÇÃO DA PALAVRA ENCARNAÇÃO
1.1 A etimologia do termo. A expressão “encarnação”, ou seja, a humilhação voluntária do Filho, é utilizada pelos teólogos para indicar que Jesus, o Filho de Deus, assumiu a forma de carne humana. Encarnar significa: fazer-se carne, fazer-se homem, tornar-se humano, revestir-se de carne. A encarnação do Verbo consiste no autoesvaziamento de Cristo, termo traduzido do grego ekenōsen, que significa: “esvaziar, humilhar-se voluntariamente, neutralizar, anular-se, despir-se de uma dignidade justa, descendo a uma condição inferior”. A encarnação afirma, de modo específico, a plena humanidade de Jesus. O termo encarnação significa literalmente “o ato de ser feito carne” (Jo 1.14). O apóstolo Paulo explica essa verdade de maneira clara e profunda (Fp 2.5-8). Sem a encarnação, Cristo não poderia realmente morrer; e, se Ele não pudesse morrer, a cruz perderia o seu sentido redentor. Por isso, o escritor aos Hebreus afirma: “Pelo que, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste” (Hb 10.5).
II – A ENCARNAÇÃO DO VERBO E O AUTOESVAZIAMENTO
Certa vez, o evangelista Billy Graham afirmou com propriedade: “O maior acontecimento da história não foi o homem subir e pisar na lua, mas Deus descer e pisar na terra”. A encarnação de Jesus [o autoesvaziamento de sua glória] é maravilhosa em todos os seus aspectos, comprovando que Ele é o personagem mais importante da história da humanidade. Na encarnação, o Deus eterno fez-se carne; o Senhor tornou-se súdito; o Divino fez-se humano; o Imortal fez-se barro; o Rei tornou-se carpinteiro; o Criador fez-se criatura; a Água teve sede; o Pão sentiu fome; o Forte experimentou cansaço; o Guarda eterno dormiu; o Consolador chorou; a Alegria sentiu tristeza; a Vida entregou-se à morte; e o Deus inacessível habitou entre nós (Jo 1.14; Fp 2.5-11).
2.1 A encarnação: Deus habitando entre nós. A encarnação de Jesus foi o próprio Deus vindo habitar entre os homens (Jo 1.14b). O nome Emanuel, que o próprio evangelista traduz por “Deus conosco” (Mt 1.23), expressa claramente essa verdade. As Escrituras confirmam esse mistério: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14); “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu” (Is 9.6); “Uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is 7.14); e, “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9). O verbo “habitar”, em João 1.14, deriva do grego skenóō, que significa “armar tenda, tabernacular”. Essa expressão aponta para o caráter da habitação do Verbo em carne. Já em Colossenses 2.9, Paulo utiliza o verbo katoikéō, que indica uma habitação permanente, afirmando que toda a plenitude da divindade reside em Cristo.
2.2 A encarnação e a autorrenúncia. A doutrina da autorrenúncia ensina que Jesus, ao assumir a natureza humana, não deixou de ser Deus, pois não se esvaziou de sua divindade (Fp 2.7–8). Como bem afirmou um teólogo: “Quando Jesus desceu à terra, não deixou de ser Deus; e quando voltou ao céu, não deixou de ser homem”. A encarnação do Verbo não é apenas um conceito teológico ligado à união hipostática [a dupla natureza: divina e humana], mas um dos maiores mistérios das Escrituras Sagradas, sem o qual a redenção seria impossível. Em sua humanidade, Jesus participou plenamente de nossas limitações físicas e emocionais: “Manteiga e mel comerá, até que saiba rejeitar o mal e escolher o bem” (Is 7.15); “E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens” (Lc 2.40,52). A Declaração de Fé das Assembleias de Deus afirma que Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, concebido pelo Espírito Santo no ventre da virgem Maria (Soares [Org.], 2016, p. 59).
2.3 A encarnação excede o entendimento humano. A encarnação de Jesus é fruto da atuação conjunta da Trindade: do Espírito Santo, do poder do Pai e da santidade do Filho (Lc 1.35). Trata-se de um mistério que ultrapassa a razão humana, mas que pode ser plenamente aceito pela fé. Por meio desse milagre, Cristo veio em semelhança de carne (Rm 8.3), tornou-se descendência de Abraão (Hb 2.16) e foi feito semelhante aos irmãos em tudo (Hb 2.17).
2.4 A encarnação e a mediação. Ao participar da carne e do sangue, Jesus tornou-se plenamente apto para ser o Mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5). Deus lhe preparou um corpo humano (Hb 10.5), dotado de carne e ossos (Lc 24.39). A encarnação é também o critério bíblico para distinguir a verdadeira fé cristã do espírito do anticristo (1Jo 4.2-3).
III – A NATUREZA HUMANA DO VERBO ENCARNADO
De forma voluntária, o Senhor Jesus Cristo não utilizou da glória que possuía junto ao Pai (Jo 17.5), sujeitando-se às limitações humanas, para realizar a obra da redenção (Fp 2.5-8). Vejamos:
3.1 A plena humanidade de Jesus. O Novo Testamento afirma que Jesus nasceu de mulher (Gl 4.4), cresceu fisicamente (Lc 2.52), dormiu, sentiu fome, sede, cansaço, chorou, alegrou-se, foi tentado e viveu todas as experiências próprias da condição humana, sem pecado.
3.2 O Verbo encarnado. O Verbo eterno “se fez carne” (Jo 1.14). Esse milagre fundamenta a essência do Evangelho: Deus introduziu o seu Primogênito no mundo (Hb 1.6), tornando-o semelhante aos homens, para que fosse o Mediador e o fiel Sumo Sacerdote (Hb 2.17).
3.3 Jesus é chamado de homem. A Bíblia registra duas genealogias de Jesus e o chama explicitamente de homem (At 2.22; Jo
19.5; 8.40; 1Tm 2.5), ressaltando a realidade de sua encarnação.
3.4 O Filho do Homem. A expressão “Filho do Homem” aparece com frequência nos evangelhos, destacando a humanidade de Cristo. Ele nasceu, cresceu, trabalhou como carpinteiro, experimentou emoções humanas, sofreu, foi tentado e morreu como verdadeiro homem.
IV - OS PROPÓSITOS DA ENCARNAÇÃO DO VERBO
Há inúmeros propósitos na vinda de Jesus a este mundo: (a) prover um sacrifício efetivo pelo pecado (Hb 10.1-10); (b) demonstrar a glória de Deus (Jo 1.14; Lc 2.14); (c) cumprir o decreto de Deus (Gl 4.4); (d) ser o mediador entre Deus e os homens (Hb 12.24; 1Tm 2.5); e, (e) trazer paz aos homens na terra (Lc 2.14b; Ef 2.14-16). Podemos pontuar outros quatro propósitos da encarnação de Jesus:
• Revelar Deus ao homem (Jo 1.18; 14.7-11). Jesus é a “expressão exata” do ser de Deus (Hb 1.3). A encarnação nos revela Deus pessoalmente, daí Jesus ser chamado “Emanuel”, ou seja, “Deus conosco” (Mt 1.23). O Deus transcendente também é imanente (inerente, inseparável) e acessível. A divindade de Jesus em sua humanidade é a chave para o conhecimento íntimo de Deus. Cristo revelou para nós o Deus invisível (Jo 1.18; 1Tm 1.17; Cl 1.15; 19).
• Destruir as obras do diabo. “Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo” (1Jo 3.8).
• Tornar possível a morte do Redentor. Sem a encarnação, o Verbo não poderia morrer, porque Deus não é passível de morte (Hb 2.9).
• Ser o nosso sumo sacerdote (Hb 4.14-16). Jesus viveu como homem, por isso se compadece e intercede por nós a Deus.
V - CONTRASTE ENTRE O SACERDÓCIO LEVÍTICO E O DE CRISTO
Hebreus 9.24–28 pode ser dividido em quatro temas principais, nos quais o autor estabelece um contraste claro entre o
sacerdócio levítico e o sacerdócio de Cristo:
• Superioridade do santuário celestial (v. 24). Cristo não entrou em um santuário terreno, que era apenas cópia e figura do verdadeiro, mas adentrou o próprio céu, a fim de comparecer agora diante de Deus em nosso favor, exercendo perfeita intercessão.
• Unicidade do sacrifício (vv. 25-26). Diferentemente do sumo sacerdote levítico, que oferecia anualmente sangue alheio, Cristo ofereceu a si mesmo uma única vez por todas, no fim dos tempos, para aniquilar o pecado por meio do sacrifício de si mesmo.
• Analogia com a morte humana (v. 27). Assim como aos homens está ordenado morrer uma só vez, vindo depois disso o juízo, também Cristo morreu uma única vez, com o propósito de remover os pecados de muitos.
• Segunda vinda para salvação (v. 28). Cristo aparecerá pela segunda vez, não para tratar do pecado, mas para conceder plena salvação àqueles que o aguardam com fé.
CONCLUSÃO
A tentativa gnóstica/docetista de negar as naturezas de Cristo continuam a ser defendidas por grupos heterodoxos em
nossos dias, e por isso, precisamos estar preparados para defender com sabedoria a nossa fé.
Lição 7 - A Obra do Filho. Apresentada pelo Comentarista: Pr. Douglas Baptista 👇
LIÇÃO Nº 7 – A OBRA DO FILHO
Jesus veio ao mundo para salvar o homem.
INTRODUÇÃO
- Na sequência do estudo sobre a Doutrina da Trindade, analisaremos hoje a obra do Filho.
- Jesus veio ao mundo para salvar o homem.
I – O PAPEL EXECUTOR E REALIZADOR DO FILHO
- Na sequência do estudo sobre a Doutrina da Trindade, já no segundo bloco do trimestre, em que estamos a estudar a Pessoa Divina do Filho, analisaremos a obra do Filho.
- Temos visto que há apenas um único Deus, mas são três as Pessoas Divinas e Pessoa é um núcleo de vontade, sentimento e intelecto, de modo que, como as Pessoas são distintas, têm peculiaridades, papéis próprios, ainda que isto não retire a unidade de substância e de ser.
- Assim, há como que uma divisão de tarefas e de competências entre as Pessoas Divinas, que agem sempre em conjunto, com um só propósito e desígnio, pois têm uma perfeita unidade entre Si (Jo.17:21,23), unidade que é desde a eternidade, mas que, ante a distinção entre Elas, faz com que cada qual tenha um papel definido perante as demais em cada ação divina.
- Isto nos faz recordar os ensinos de Jules Henri Fayol (1841-1925), um dos teóricos clássicos da ciência da administração, segundo os quais o processo administrativo envolve quatro fases, a saber: planejamento, organização, direção e controle. - O planejamento é a etapa primeira do processo, em que se visualiza o futuro e se traça o programa de ação.
- Evidentemente, como estamos a falar das ações divinas, não há que se falar em futuro, porque o tempo não existe para Deus, mas esta “previsão” é a tomada de decisões ante a presciência divina, para que tudo se faça dentro do tempo existente para as criaturas.
- Deste modo, por exemplo, o Pai enviou o Filho “na plenitude dos tempos” (Gl.4:4), ou seja, previu qual seria, dentro do Universo, o instante em que o Verbo Se faria carne para habitar entre os homens (Jo.1:14), como também quando se teria “o princípio” em que todas as coisas seriam criadas (Gn.1:1).
- Esta tarefa do planejamento é exercida pelo Pai, que, portanto, dá início a todo o processo e bem por isso, como já temos visto, é chamado de Primeira Pessoa da Trindade e d’Ele se costuma dizer que é “…não procede de outra Pessoa, mas é princípio das duas outras Pessoas, que são o Filho e o Espírito Santo…” (resposta à pergunta nº 25 do Catecismo Maior de Pio X).
- Após o planejamento, temos a organização, que é a constituição do organismo, ou seja, a geração e manutenção da ordem, a fim de que se tenha o campo em que se tornará concreto o que foi planejado.
- A criação de todas as coisas faz parte desta organização, bem como a manutenção do que foi criado (Gn.1:1,2; Jo.1:1-3; Hb.11:3).
- A própria criação, em si, por ser uma ação divina, foi um processo, em que o Pai exerceu o planejamento; o Filho, a execução e o Espírito Santo, o controle: “…O Pai proclamou as palavras criadoras [Sl.33:9; Hb.11:3], e o Filho executou-as [Jo.1:3; Cl.1:16] …” (DFAD 2.ed., II.1, p.40), enquanto o Espírito Santo “…desempenhou um papel ativo na obra da criação. Ele é descrito como que ‘pairando’ (‘Se movia’) sobre a criação, preservando-a e preparando-a para as atividades criadoras adicionais de Deus (…) (Sl.33:6). Além disso, o Espírito Santo continua a manter e sustentar a criação (Jó 33:4; Sl.104:30) …” (BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. A criação, p.31).
Pr. Caramuru Afonso Francisco👇
PROFESSOR, VOCÊ CONHECE OS TERMOS USADOS NESTA REVISTA? VAMOS NOS ATUALIZAR ENTÃO?
GRÁFICO GLOSSÁRIO DE TERMOS DA REVISTA3º TRIMESTRE
Nossa nova revista de adultos 3º Trimestre de 2023 trata de um tema importante: APOLOGÉTICA CRISTÃ. Portanto ela aborda temas voltados à MODERNIDADE, ao SISTEMA MUNDANO que está agindo no mundo desde Babel de onde veio a Babilônia. Entretanto esse espírito babilônico tem se renovado a cada era que passamos. Então, pensando nisso, como nossa revista contém vários termos que aludem a esse ataque do adversário ao povo de Deus, procuramos ler toda a revista e identificar todos esses termos e criar um GLOSSÁRIO com todos esses termos. Acredito ser necessário para que o Professor aprenda esses conceitos que estão presentes nas revistas e assim explicar melhor aos alunos. Também pode imprimir uma folha grande e ministrar em classe. Lembrando que, como são cerca de 15 termos, eles estão sendo feitos em partes e na sequencia das lições. Bom uso. Deus abençoe *Disponibilizaremos o gráfico em alta resolução em nossos grupos de WZP
TREINAMENTO PARA PROFESSORES DA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL – EBD
O professor da Escola Bíblica Dominical, deve estar preparado para o exercício de uma das mais nobres virtudes do ser humano em todo o tempo, que é o de ensinar. Em todo o mundo milhões e milhões de dólares são gastos todos os anos com o ensino e com a formação de novos professores. Na Igreja de Cristo não devia ser diferente, contudo não vemos a mesma ênfase que o mundo dá aos seus mestres, dentro de nossas igrejas.
Para o bom desempenho do professor da Escola Bíblica Dominical é preciso que ele esteja preparado para ensinar, pronto para discipular e pronto a exercer a liderança no grupo.
Durante o treinamento vamos abordar os temas a seguir enumerados como: “O Discipulado na E.B.D.”, “A Dicotomia Entre o Formado e o Leigo na E.B.D.” e “O Que é Preciso Para se Ter Uma Liderança Eficaz”.
1. ENSINO
Ensinar é uma das missões da igreja. Muitas igrejas se acham anêmicas espiritualmente porque não tem dado ênfase ao estudo da Palavra de Deus. Por falta de Profeta o povo se corrompe. O crente que não conhece a Bíblia está propenso a deixar-se levar por qualquer vento de doutrina que passa. O apóstolo Paulo tinha grande preocupação com relação a questão do ensino. Em Romanos 12:7, ele chamou a atenção escrevendo: “Se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar haja dedicação ao ensino”.
1.1 Ministério da Educação Cristã
2. O ministério da educação cristã está associado com o ensino da Palavra de Deus no seio da igreja. Deste modo, é preciso que se tenha obreiros devidamente preparados e treinados para o exercício deste ministério. Muitas igrejas não têm dado o devido apoio a aqueles que tem se dedicado a Educação Cristã, contudo tem incorrido em uma falta muito grande, que é estar omissa as necessidades espirituais de seus membros.
1.2 Escola Bíblica Dominical
A Escola Bíblica Dominical tem como meta o ensino da Palavra de Deus. Ultimamente temos visto e ouvido de muito descaso nesta área por parte de algumas denominações. Preocupados com o esvaziamento da escola bíblica, muitos grupos tem conclamado congressos e simpósios para tratar do assunto, com vistas a ter-se uma sensível melhora nesta área. Sabemos que os problemas na área da Escola Bíblica Dominical são muitos e envolvem muitas questões. A freqüência à escola dominical tem caído muito nos últimos anos e de acordo com os dados estatísticos, se acha em torno de 50 a 60% de freqüentadores assíduos. A qualidade do ensino tem caído quase na mesma proporção. É preciso motivar as pessoas para que realmente sintam necessidades da busca de conhecimento da Palavra. Devemos dar prioridade ao ensino bíblico em nossas igrejas. Há igrejas evangélicas que tem substituído os assuntos inerentes a Bíblica por assuntos seculares, o que tem se tornado em instrumento de desmotivação de parte considerável dos membros, que preferem unicamente o estudo da Palavra.
1.3 Escola de Treinamento de Professores
Deve ser dado ênfase ao treinamento de pessoas vocacionadas para o ministério do ensino, oferecendo-lhes condições favoráveis para o seu devido preparo. A igreja, deve encaminhar os seus candidatos as Faculdades Teológicas para melhor se prepararem para exercerem esse ministério. Devemos ajudar a todos os irmãos que tem colocado suas vidas à disposição do Senhor, ingressando em uma Faculdade para se preparar, para melhor servir a causa do Mestre. Devemos colocá-los diante de Deus em nossas orações e ajudá-los financeiramente se necessário for. A Igreja, deve então, disponibilizar recursos de seu orçamento para a formação de novos Bacharéis em Teologia, não somente em Ministério Pastoral ou em Missões, mas também e principalmente em Ministério de Educação Cristã. Uma vez completado o curso teológico, o novo Bacharel em Educação Cristã, estará apto e credenciado para dar início ao seu ministério de ensinar a Palavra de Deus.
1.4 Unidade no Corpo de Cristo
A união ou comunhão na igreja é primordial, pelo que Jesus rogou ao Pai, dizendo: “... Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim e que os tens amado a eles como me tens amado a mim (João 17:21-23). Este é o grande ensino de Jesus acerca da comunhão e esta deve ser a grande meta da igreja de Jesus. Só há uma maneira do mundo crer que Deus enviou Jesus, se formos um com Ele, assim como Ele é um com o Pai. Só há uma maneira do mundo conhecer que Deus enviou a Jesus, se Jesus estiver em nós, assim como o Pai está em Jesus, se formos perfeitos em unidade, assim como Jesus é perfeito em unidade com o Pai. A comunhão na igreja começa na Escola Bíblica Dominical. É nela que os membros tem a oportunidade de aprender sobre a Palavra de Deus e participar com perguntas e colocações que enriquecem a todos. É o local apropriado para o membro expressar todas as suas dúvidas e todos os seus questionamentos colocando-os para fora. E, é acima de tudo, o local ideal para o exercício do discipulado.
1.5 Assessoramento do Pastor
O pastor é o líder da igreja e como tal deve ter uma vida exemplar diante de Deus e dos homens, de modo que a igreja possa ver em seu pastor um exemplo de servo de Cristo. Ele deve estar pronto para treinar, equipar e discipular os santos para melhor servirem a causa de Deus. O pastor deve ser paciente, longânimo, amoroso, e acima de tudo preparado para ensinar, exortar e edificar a igreja em Cristo. Deve ter participação ativa no ensino da Palavra de Deus, quer seja na Escola Bíblica Dominical ou no Púlpito. De modo que o ensino seja relevante em todos os seguimentos na vida da igreja.
O pastor deve ter presença assídua na E.B.D., de modo a estar pronto para auxiliar os professores a esclarecerem dúvidas principalmente as ligadas as doutrinas cristãs etc. Como ele não pode estar em todas as classes da E.B.D. ao mesmo tempo, deve programar-se de modo que possa visitar, em cada domingo uma determinada classe da E.B.D. Assim, o pastor estará dando toda assistência as ovelhas do rebanho, seja em qual for a situação. “Está alguém entre vós aflito? Ore. Está alguém contente; cante louvores. Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da Igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará, e se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. (Tiago 5:13-15). Este texto, dá indicação bastante clara do modo como a igreja, como toda deve se conduzir, mas principalmente os líderes e aí se inclui o pastor.
Augusto Bello de Souza Filho
Bacharel em Teologia
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Amém 🙏🏻 ótimo 🙌🏻🙌🏻
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